ESPECIAL SÉRIE A3: Barueri escancara realidade, mas não apaga brilho dos emergentes
Time barueriense chamou a atenção da grande mídia ao perder todos os jogos e Rio Preto e Sertãozinho conseguiram o acesso
Time barueriense chamou a atenção da grande mídia ao perder todos os jogos e Rio Preto e Sertãozinho conseguiram o acesso
Campinas, SP, 08 – É difícil de explicar a magia do futebol, mas é fácil de perceber o quanto ela encanta às pessoas envolvidas nesse universo. Basta olhar para a Série A3 do Campeonato Paulista que isso fica muito claro. Longe de todo a badalação das divisões de elite, os clubes têm que lidar com muitas adversidades e apenas os mais fortes sobrevivem.
Por isso, é admirável quando equipes conseguem manter um nível de organização digno e são recompensadas por isso. Esse é o caso de Rio Preto e Sertãozinho, que trabalharam com consciência dentro de suas limitação financeiras e terminaram a competição com o acesso à Série A2. Depois, se encontraram na final e o Touro foi campeão.
Outros times como Flamengo de Guarulhos, Atibaia, Nacional, Matonense, Catanduvense e São Carlos também demonstraram essas qualidades, uns mais outros menos, mas ficaram no meio do caminho. Isso se deve também ao novo regulamento instituído nesta edição da competição. O número de vagas de acesso caiu de quatro para duas e os rebaixados foram de quatro para seis, por conta do plano da FPF de ‘enxugar’ os estaduais.
Essa alteração em relação ao rebaixamento poderia ser vista como injustiça, mas ao analisar os times que caíram fica muito claro que nenhum deles tem a menor condição ou estrutura para participar da divisão. Destaque para Grêmio Barueri e São José, que fizeram seus jogadores passarem até fome. O primeiro, perdeu todos os jogos que disputou, foi rebaixado sem somar nenhum pontos e ainda teve o nome envolvido em um esquema de manipulação de resultados.
O FUTEBOL ESCANCARADO
Não é legal lembrar um campeonato por suas manchas, mas a última edição da Série A3 conseguiu os holofotes da grande mídia por conta das vergonhas que caíram por sua tabela. É aí que mora a relevância que escancara a realidade da maioria dos times e jogadores do dito País do Futebol.
A grande estrela decadente da terceira divisão estadual foi o Grêmio Barueri. Criado por uma sociedade de empresários em 1989, o time chegou a disputar a primeira divisão do Campeonato Brasileiro em 2009 e 2010, mas logo depois do feito histórico despencou ladeira a baixo, ficando sem divisão nacional em 2015 e agora rebaixado para a segunda divisão paulista em 2016.
A campanha do Abelha já começou com o sinal de tudo daria errado. No primeiro jogo, a equipe não foi a campo enfrentar o Primavera porque não tinha jogadores o suficiente para entrar em campo. Assim, perdeu por W.O. Depois disso, se o time não tivesse entrado mais em campo em nenhum jogo daria na mesma, já que terminou a competição sem somar nenhum ponto.
Mas não para por aí. O time ainda conseguiu perder por resultados absurdos com 8 a 0 para o Grêmio Osasco e o impressionante 10 a 0 para o Nacional. Todo esse caos dentro de campo foi fruto de uma administração negligenciada pelo então presidente Alberto Ferrari, que vendeu o clube nos seus últimos suspiros.
Aos poucos, os problemas internos foram se tornando públicos. Revelou-se que os jogadores viviam meses sem receber salário e com condições precária de alimentação, precisando de auxílio do Sindicato dos Atletas para conseguir comida.
Outro time que sofreu com o mesmo problema foi o São José. A diretoria do time joseense também desdenhou seus jogadores, que além de terem que comer macarrão azedo, ainda se submetiam a condições precárias de alojamento. Muitos atletas dormiam em lençóis no chão da área aberta de uma casa.
Esse tipo de situação gerou uma onde protestos entre os jogadores. No Grêmio Barueri, ameaçaram greve a sentaram no chão nos primeiros minutos do jogo contra o Olímpia, na sexta rodada. Na Itapirense, que também sofreu com salários atrasados, jogadores entraram em campo com nariz de palhaço.
Em a todo esses impasse, os rebaixados foram São José, Itapirense, Guaratinguetá, Primavera, Fernandópolis e Barueri.
SUJEIRADA
Outro episódio que marcou a Série A3 negativamente foi o envolvimento do nome do Grêmio Barueri em um esquema de manipulação de resultados. Foram apontadas evidências de que o time ‘entregou’ uma partida da quarta rodada, quando perdeu por 4 a 0 para o Rio Preto, no dia 11 de fevereiro.
Na ocasião, os jogadores do clube teriam sido pressionados por Jaci Martino de Oliveira, que começou a temporada como investidor do Barueri, mas viu a parceria chegar ao fim após um atrito com a diretoria. Um atleta que não quis ser identificado revelou ao jornal que o antigo parceiro do time entrou nos vestiário e pediu que os atletas perdessem o jogo. Caso contrário não haveria dinheiro para pagar os salários.
A GUERRA DOS INVICTOS
Enquanto a vergonha fora e dentro de campo tomaram conta dos últimos colocados, o pelotão de cima da tabela travou uma batalha competitiva durante toda a primeira fase do campeonato. Neste período das 19 rodadas classificatória foi a capacidade de Flamengo de Guarulhos e Catanduvense em se manterem invictos por um bom tempo.
O Catanduvense conheceu sua primeira derrota apenas na 17ª rodada, quando perdeu por 2 a 1 para o Olímpia. O time se classificou para o quadrangular final, mas ao contrário do que se pode imaginar pelo tempo de invencibilidade, terminou a primeira fase em sétimo lugar. Isso porque, apesar de não perder, empatou demais. Foram nove empate, oito vitórias e uma derrota.
Quem fez bom proveito da invencibilidade foi o Flamengo de Guarulhos, que só foi ser derrotado na última rodada da fase classificatória, quando escalou um time misto e perdeu por 2 a 0 para a própria Catanduvense. Mas diferente do rival, o Corvo teve um excelente desempenho geral e se classificou como líder isolado.
O time guarulhense começou a competição de maneira tímida, com muitos empates, mas sempre se mantendo dentro da zona de classificação. Mas foi crescendo com o tempo e na 16ª rodada pulou da quarta colocação para a liderança, passando Atibaia, Rio Preto e São Carlos em um único golpe. E lá permaneceu até a rodada final.
O time que ficou por mais vezes na liderança foi o Atibaia, por nove rodadas, seguido por cinco do São Carlos, três do Flamengo e duas do Rio Preto. Os quatro se classificaram para o quadrangular final, assim como Sertãozinho, Matonense, Catanduvense e Nacional.
ACESSO E TÍTULO
Em abril, enfim chegou o quadrangular final e a briga definitiva pelas duas vaga na Série A2 do Paulista 2017. Divididos em dois grupos de quatro, os times se enfrentaram em dois turnos dentro das suas chaves e o primeiro colocado de cada grupo garantiu o acesso e a vaga na final da Série A3.
No Grupo A, estavam Sertãozinho, Flamengo, Matonense e Nacional. O Flamengo não conseguiu repetir o desempenho da primeira fase e acumulou mais duas derrotas após perder a sequência invicta. Assim como a Matonense, chegou à rodada final sem chance alguma de conquistar o acesso.
As vagas foram disputadas até o fim por Sertãozinho e Nacional, mas o Touro jogou a última partida precisando apenas de um empate para garantir a classificação e fez a lição de casa, ficando no 0 a 0 com a Matonense. O Naça venceu o Flamengo por 3 a 0, mas nada adiantou. O Sertãozinho, que se reforçou para a fase decisiva com nomes como Gabriel Barcos, ficou com a vaga.
No Grupo B, Atibaia e Catanduvense apenas observaram uma disputa acirrada entre Rio Preto e São Carlos, o que durou até a última rodada, quando os dois times se encontraram em uma espécie de final pelo acesso. Eles entraram em campo empatados com 10 pontos e o Rio Preto deu um show ao garantir o acesso com uma vitória por 3 a 1.
Após atingir o objetivo principal, Rio Preto e Sertão tiraram um peso das costas, mas ainda precisavam disputar a grande final, para fechar a competição com chave de ouro. No jogo de ida, realizado no Frederico Dalmaso, em um domingo de Dia das Mães, o Sertãozinho chamou a responsabilidade e fez a lição de casa ao vencer a partida por 2 a 0, com gols de Edu Pina e Felipe.
No jogo de volta, no Anísio Haddad, sobrou emoção. Diante de sua torcida, o Rio Preto foi para cima e abriu uma vantagem por 2 a 0 ainda no primeiro tempo, com Wanderson e Felipe Manuel. O resultado dava o título ao Jacaré, que teve campanha melhor nas somatória das outras fase e jogava por dois resultados iguais. Porém, o Touro dos Canaviais reagiu com um gol de Felipe e levantou a taça.






































































































































