ESPECIAL SÉRIE A2: Ferrinha sobra, Bugre bate na trave e Guaratinguetá dá vexame

Ferroviária liderou de cabo a rabo a Série A2 e conquistou acesso e título de forma antecipada, diferente do Bugre, que acordou tarde.

Ferroviária liderou de cabo a rabo a Série A2 e conquistou acesso e título de forma antecipada, diferente do Bugre, que acordou tarde.

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Campinas, SP, 25 (AFI) – Um dos poucos clubes que fez frente ao Santos de Pelé na década de 60, a Ferroviária sobrou na Série A2 do Campeonato Paulista de 2015, de modo que liderou boa parte da competição, e voltou à elite do futebol paulista após 19 anos. A equipe de Araraquara, tradicional no interior paulista, somou 44 pontos, oito a mais que o segundo colocado e garantiu o acesso com duas rodadas de antecedência.

O Campeonato Paulista da Série A2 de 2015 repetiu a fórmula de 2014 (para 2016, a fórmula de disputa foi alterada) e colocou os clubes em disputa de pontos corridos. No fim, os quatro primeiros colocados conseguiram o acesso e os quatro últimos foram rebaixados para a Série A3.

Ferroviária à parte, a disputa pelo acesso para a Série A1 de 2016 foi muito quente. Para alguns, a A2 deste ano foi a mais equilibrada das últimas temporadas. A segunda vaga ficou com o Novorizontino, que, com um bom planejamento, terminou com os mesmos 36 pontos do Oeste mas em vantagem por ter uma vitória a mais.

Estádio do Água Santa teve de passar por reformar para o clube poder debutar na elite do futebol paulista em 2016

Estádio do Água Santa teve de passar por reformar para o clube poder debutar na elite do futebol paulista em 2016

Independente e Oeste pintaram com boas chances de subirem juntos, mas os dois se enfrentaram na última rodada e o Rubrão levou a melhor e o time de Limeira, acostumado a ficar relegado no ostracismo, bateu na trave mais uma vez. A quarta e última vaga para a Série A1 ficou com o Água Santa, ex-time amador de Diadema, que surpreendeu ao conseguir seu terceiro acesso seguido e vai disputar a elite do futebol paulista pela primeira vez em 2016.

Mais tarde, por bobeira, o time de Diadema quase perdeu o direito de debutar na elite do futebol paulista por conta da estrutura de seu estádio, que não comportava 10 mil pessoas, o mínimo exigido no regulamento do torneio. No entanto, o clube correu para reformar o estádio e foi garantido na elite pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

ABRAM ALAS PARA A FERRINHA

A campanha da Ferroviária na Série A2 foi impecável, desde o planejamento, que inclui a escolha do técnico Milton Mendes, da nova safra de treinadores, e dos jogadores, a maioria jovens apostas, até o que se viu em campo: um futebol bonito e de resultado.

Para chegar à campanha vitoriosa, o clube de Araraquara se viu obrigado a “ressurgir das cinzas”. Sem dinheiro, virou clube-empresa, e mandou seus jogos em uma nova casa, a Arena da Fonte, antes conhecida como Fonte Luminosa e que foi modernizado graças a um investimento de R$ 27 milhões feito pelo governo federal.

Com campanha irretocável, Ferrinha sobrou e foi campeã da Série A2

Com campanha irretocável, Ferrinha sobrou e foi campeã da Série A2

Em 19 jogos, a Ferrinha sobrou e, com 14 vitórias, 2 empates e apenas 3 derrotas, terminou oito pontos à frente do segundo colocado. Além disso, o time tradicional do interior paulista teve o segundo melhor ataque (36 gols marcados), a melhor defesa (12 gols sofridos), o que rendeu o melhor saldo de gols (24).

As boas atuações que levaram ao acesso e, depois, ao título não passaram em branco e foram premiadas, de modo que a Ferroviária emplacou seis jogadores e o técnico na seleção da Série A2. Foram premiados o goleiro Rodolfo, os laterais Paulo Henrique e Roberto, o zagueiro Luan, o volante Renato Xavier e o meia Alan Mineiro, eleito o craque do torneio e, além deles, o técnico Milton Mendes, que, com ideias arejadas e conceitos modernos de futebol, mais tarde viria a treinar o Atlético-PR no Campeonato Brasileiro.

ACORDOU TARDE, BUGRE!

Mais um ano se passou e o torcedor do Guarani continua sonhado com dias melhores. Apesar de algumas pontadas de esperança ao longo do ano e boas intenções para o futuro, 2015 foi recheado de frustrações para os bugrinos e não de acessos, como o esperado.

Após a cair para a Série A2 em 2013 e falhar na missão de retornar à elite do futebol paulista em 2014, o torcedor Bugrino tomou mais uma porrada na cabeça com o desempenho bastante irregular da equipe, resultando na permanência na segunda divisão estadual. O primeiro encarregado na missão de levar o Bugre ao acesso à elite do futebol paulista foi o técnico Marcelo Veiga, que assumiu o comando na reta final da Série C de 2014 e livrou o time do rebaixamento.

A diretoria depositou confiança no trabalho realizado e se esforçou para renovar o contrato do treinador. Veiga montou um elenco com seus nomes favoritos, convencendo jogadores como o goleiro Neneca e o atacante Nunes a jogarem a segunda divisão do Paulista. Entre os principais nomes do time, Neneca e Nunes deixaram o clube em maio. Mais tarde, o restante também se mandou.

Guarani de Fumagalli, que brilhou na reta final, bateu na trave e ficou na A2 (Foto: Rodrigo Vilalba/ Memory Press)

Guarani de Fumagalli, que brilhou na reta final, bateu na trave e ficou na A2 (Foto: Rodrigo Vilalba/ Memory Press)

Poucos meses após comemorarem a renovação, dirigentes do Bugre entraram em conflito com o técnico, que não conseguiu estabelecer uma regularidade no comando da equipe. Além das cobranças dos dirigentes, Veiga não construiu um bom relacionamento com parte do elenco. Estes atletas não gostavam da maneira que o treinador cobrava resultados nas coletivas de imprensa e nos treinamentos.

Assim, ao ser derrotado na 13ª rodada para o Rio Branco – que vivia um mau momento na competição – Veiga cedeu a pressão e acabou sendo demitido, deixando o time na oitava posição da Série A2. Há cinco rodadas para o fim do campeonato, foi a vez de Ademir Fonseca assumir o comando do Guarani.

O desempenho de Fonseca no comando do time campineiro não foi o suficiente para garantir o acesso. Com três vitórias e duas derrotas , o Bugre até melhorou na reta final mas terminou a Série A2 na mesma oitava posição de quando Veiga deixou o a equipe, a três pontos do Água Santa, último time a subir. De qualquer maneira, o novo técnico agradou a diretoria e conquistou a confiança dos atletas, o que fez com que fosse mantido para a disputa da terceira divisão nacional.

O símbolo da campanha ruim do Bugre na segunda divisão estadual foi visto na penúltima rodada. Precisando vencer para chegar à rodada final com chances de acesso, o Guarani conseguiu ser derrotado em pleno Brinco de Ouro para o Velo Clube, que, na ocasião, brigava contra o rebaixamento, e deu adeus a qualquer chance de disputar a Série A1 em 2016. Como consolo, os bugrinos viram o ídolo Fumagalli, que cresceu com o time na reta final, ser escolhido para integrar a seleção do campeonato pelas boas atuações e gols.

OS NAUFRAGADOS

Na parte de baixo, quem amargou o rebaixamento à A3 foram Comercial, Matonense, Catanduvense e Guaratinguetá, este último que fez a pior campanha dentre os 20 times. Três pontos, advindos de uma mísera vitória em 17 jogos. Está foi a pífia campanha do Guaratinguetá na temporada 2015 da Série A2. Dirigido pelo técnico e, ao mesmo tempo, dono do clube, João Telê, a equipe foi rebaixada com quatro rodadas de antecedência e vai jogar a Série A3 de novo depois de 11 anos.

Com uma campanha pífia, Guaratinguetá terminou foi rebaixamento à Série A3 na lanterna

Com uma campanha pífia, Guaratinguetá terminou foi rebaixamento à Série A3 na lanterna

O Catanduvense, por sua vez, terminou a competição na vice-lanterna com 12 pontos e, depois de cair da A1 para a A2 em 2012, amargou outro rebaixamento, que se desenhou iminente antes mesmo do início do torneio, visto que, totalmente endividado, com poucos patrocínios e sem qualquer ajuda da prefeitura da cidade, não conseguiu montar um time ao menos razoável.

Completaram o time de rebaixamentos a Matonense e o Comercial, de Ribeirão Preto. O segundo amargou seu segundo rebaixamento consecutivo. Caiu da elite para a segunda divisão estadual em 2014 e, em 2015, terminou como primeiro time dentro da zona de rebaixamento, com 20 pontos, três a mais que o time de Matão, 18º colocado.