ESPECIAL SELEÇÃO: O ano Fabuloso de Dunga

Luis Fabiano 0003 150Campinas, SP, 25 (AFI) – Popularidade em baixa, futebol de baixa qualidade, resultados negativos inéditos, pior posição no ranking da Fifa em um final de ano e ameaças de grandes treinadores. Nem um desses motivos foi suficiente para tirar Dunga do cargo de treinador da Seleção Brasileira.

Apesar de um 2008 apenas regular – para não dizer fraco -, o gaúcho conseguiu se manter no comando da “Amarelinha”. E tal feito se deve a um jogador em especial: o atacante Luis Fabiano. Sempre que Dunga estava ameaçado, o Fabuloso apareceu, fez seus gols e aliviou a barra do treinador.

Foi assim contra o Chile, quando o Brasil vinha de três partidas sem vitória (duas derrotas e um empate) e o atacante fez dois na vitória fora de casa, pro 3 a 0, e também contra Portugal, na última exibição da Seleção na temporada. Na goleada brazuca por 6 a 2, Luis Fabiano balançou as redes portuguesas por três oportunidades, para o alívio de Dunga.

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Dos 18 gols marcados pelo Brasil em 2008, seis (33%) foram do Fabuloso, revelado nas categorias de base da Ponte Preta e que, após se destacar com a camisa do São Paulo, faz sucesso no Sevilha, da Espanha.

Nas duas oportunidades, a demissão do treinador era dada como certa em caso de novo tropeço. Afinal, os resultados e principalmente o futebol apresentado pela equipe não convenceram. Prova disso está na pesquisa divulgada recentemente pelo Datafolha.

Popularidade de Dunga

dunga 0006 150De 2007 para cá, a avaliação do desempenho do treinador frente à Seleção Brasileira caiu drasticamente. Se no ano passado, 44% das pessoas consideravam o trabalho do treinador ótimo ou bom, hoje, apenas 33% estão ao lado do treinador.

A avaliação péssimo ou ruim, por sua vez, sofreu fenômeno inverso. Hoje são 19% que colocam o trabalho do treinador nessa faixa, o dobro do ano passado, quando somente 9% das pessoas viram defeitos em demasia no comando da Seleção.

Ranking da Fifa
Um dos fatores para a queda na avaliação do treinador é, sem dúvida, a queda livre da Seleção no ranking da Fifa. Após liderar no início da temporada, o Brasil terminou o ano na quinta colocação, atrás da líder Espanha, Alemanha (segundo), Holanda (terceiro) e Itália (quarto).

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É a pior posição que a Seleção fecha um ano desde a criação do Ranking, em 1993. Mas o Brasil não está onde está por obra do destino. A equipe está pagando por seus pecados. Mesmo com 63% de aproveitamento nos jogos disputados em 2008, a Seleção decepcionou para seus padrões.

O ano
Em 11 partidas realizadas, o time de Dunga obteve seis vitórias, sofreu duas derrotas e arrancou três empates. Foram marcados apenas 18 gols, média de 16, por jogo. Por outro lado, a defesa se comportou bem. Levou apenas seis gols (0,72 por partida).

A trajetória na atual temporada começou com uma vitória magra sobre a Irlanda, por 1 a 0, em um amistoso. Na seqüência, novo amistoso e…mais uma atuação burocrática: novamente 1 a 0, dessa vez sobre a Suécia. Até mesmo contra o Canadá o Brasil teve dificuldades.

No terceiro de quatro amistosos que disputou antes da volta das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, a Seleção fez 3 a 2 nos canadenses. A derrota estava batendo à porta e veio de forma inédita, para a Venezuela, que até então não havia vencido o Brasil na história dos confrontos entre as duas equipes: 2 a 0.

O resultado foi apenas o início de uma série de três partidas sem gols da Seleção Brasileira. Depois, derrota para Paraguai, também por 2 a 0, e empate em casa contra a Argentina, por 0 a 0. Neste momento, a saída de Dunga estava próxima. Eis que veio o confronto contra o Chile e as estrelas do futebol brasileiro resolveram jogar.

Com dois gols de Luis Fabiano e um de Robinho, o Brasil jogou como Brasil pela primeira vez no ano. Desencantou, encantou e fez 3 a 0, fora de casa. Parecia que iria embalar. Só parecia. No retorno ao país, nova decepção. Em pleno Engenhão, a Seleção não conseguiu sair de um empate sem gols com a então lanterna Bolívia. A batata voltou a assar para Dunga.

Quem tem craque…
robinho 0027 200Mas ele, novamente, foi salvo pelo congo, ou melhor, pelos craques. Na partida seguinte contra a Venezuela, Luis Fabiano estava suspenso, mas Robinho, guiado por Kaká e Adriano, assumiu o papel de salvador da pátria e liderou a goleada fora de casa, por 4 a 0. O atacante do Manchester City marcou dois gols. Kaká e Adriano completaram o placar.


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O fantasma de jogar diante do apóio da torcida, no entanto, apareceu novamente contra a Colômbia e, no Maracanã, novo empate por 0 a 0. Com o resultado, o Brasil atingiu outra marca histórica negativa.

Depois de perder a primeira partida para a Venezuela, completou um ano inteiro pelas Eliminatórias sem marcar um gol em casa, logo, sem vencer uma partida em território nacional. Foram três partidas e três empates por 0 a 0.

Com tantos pontos contra, Dunga estava por um fio. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, estava à espera do resultado do duelo contra Portugal, na estréia do Estádio Bezerrão, no Gama, cidade satélite de Brasília.

A expectativa pela troca do treinador era grande. Parecendo um funcionário que precisa levar bronca para voltar a exercer sua função com eficiência, a Seleção Brasileira tomou as dores de Dunga e enfiaram 6 a 2 no time da estrela Cristiano Ronaldo. O ano acabava, as desconfianças sobre Dunga continuavam, porém, nada mudara. Infelizmente.

Possíveis substitutos
Muricy 0005 170Com as iminentes demissões de Dunga ao longo da temporada, três nomes surgiram como candidatos principais a substituir o atual comandante: Vanderlei Luxemburgo, do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, do Chelsea, e Muricy Ramalho, do São Paulo.

Dos três, o único que ainda não passou pela Seleção foi Muricy, justamente o nome mais forte para “roubar” o posto de Dunga. Em meados de novembro, pouco antes do confronto contra Portugal, a troca de comando na Seleção estava em pauta e Muricy até deu uma de treinador do Brasil e escalou sua Seleção ideal, que difere em cinco posições da atual.

Na defesa, ao invés de Juan como parceiro de Lúcio, Muricy escalaria Miranda, seu pupilo no São Paulo. A lateral esquerda seria de Juan, do Flamengo. Hoje, o dono da posição é Kléber, do Santos. No meio, as principais mudanças: Hernanes, Ramires e Alex nos lugares de Josué, Gilberto Silva e Elano, respectivamente.

Time base

Apesar da “intromissão virtual” de Muricy, Dunga parece convicto em algumas posições. O setor defensivo é o mais consolidado, com Júlio César, no gol, Maicon, na direita, e Lúcio e Juan, no miolo de zaga, donos indiscutíveis de suas posições. O meio-campo é o mar de incertezas para o treinador.

Diversas formações foram testadas, mas a preferência do gaúcho é por jogadores operários. Por isso, Josué, Gilberto Silva e Elano devem continuar carregando o piano na próxima temporada. Apesar das mudanças constantes no ataque, principalmente devido às seguidas suspensões, Kaká, chegando de trás, Robinho e Luis Fabiano estão com o moral alto junto ao “chefe”.

Próximo ano
Apesar de todos os percalços, a Seleção termina a temporada na vice-liderança das Eliminatórias da Copa do Mundo, com 17 pontos, atrás somente do líder Paraguai, que tem 23. Em 2009, o Brasil estréia no dia 10 de fevereiro, em um amistoso contra a Itália, em Londres.

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No meio do ano, no entanto, uma pausa para a Copa das Confederações, que pode, também, definir o rumo de Dunga. Um tropeço na competição e o cargo corre perigo pela enésima vez. O Brasil caiu no Grupo B, ao lado da atual campeã do mundo, a Itália, dos Estados Unidos e do Egito.

Ainda participam da competição África do Sul, país-sede, Iraque, Espanha e Nova Zelândia. Após o sorteio das chaves, Dunga declarou que considera difícil o grupo do Brasil. O que ele achará da Copa do Mundo então? Se é que o Brasil vai chegar lá. Se é que Dunga conseguirá se manter no cargo por mais um ano.