ESPECIAL PAULISTA A3: Atibaia e Portuguesa Santista encantam e conquistam acesso

Mogi Mirim, Matonense, Manthiqueira, União Barbarense, Marília e Rio Branco foram rebaixados à Segundona Paulista

Mogi Mirim, Matonense, Manthiqueira, União Barbarense, Marília e Rio Branco foram rebaixados à Segundona Paulista

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Campinas, SP, 24 (AFI) – A edição de 2018 do Campeonato Paulista da Série A3 ficou marcada pela regularidade da Portuguesa Santista e a arrancada do Atibaia. Não à toa, as duas equipes conquistaram o acesso e decidiram o título, que acabou ficando com o Falcão. Por outro lado, o ano também será lembrado como o último em que seis dos vinte participantes caíram para a Segundona Paulista. Mogi Mirim, Matonense, Manthiqueira, União Barbarense, Marília e Rio Branco foram os desafortunados.

Porém, até que isso tudo acontecesse, muita emoção tomou conta dos gramados do Interior. Isso porque, entre outros motivos, nas cinco primeiras rodadas, o Noroeste deu toda a pinta de que iria ser um grande favorito: venceu quatro e empatou apenas um. Além disso, anotou seis gols e tomou apenas dois tentos. O escrete bauruense, porém, perderia força até o final da primeira fase – acabou na sexta colocação, com 31 pontos; enquanto o técnico Tuca Guimarães foi substituído por Alberto Félix.

Noroeste encantou nas primeiras rodadas do Paulista A3 de 2018 - Foto: Bruno Freitas/Noroeste
Noroeste encantou nas primeiras rodadas do Paulista A3 de 2018 – Foto: Bruno Freitas/Noroeste

DIRETO AO INFERNO
Lá embaixo, o Mogi Mirim, desde o primeiro toque na bola, mostrou que a má fase continuaria. O primeiro ponto foi conquistado na segunda rodada, no empate por 2 a 2 com a Portuguesa Santista. No entanto, somaria apenas mais seis, encerrando com melancólicos sete. O saldo de gols foi incrivelmente ruim: -26.

A única vitória aconteceu na 15ª rodada: 2 a 1 sobre o União Barbarense, em Itapira. Porém, o clube tomou W.O. no jogo seguinte, diante do EC São Bernardo, já que não solicitou a mudança de local – o Vail Chaves, em Mogi Mirim, estava interditado -, perdeu por 3 a 0 e foi matematicamente rebaixado.

A temporada do Sapão ainda teria uma eliminação na primeira fase do Campeonato Brasileiro da Série D. Dessa forma, 2019 representará o fundo do paço à equipe, que disputará apenas a Segundona Paulista – em 2015, estava no Paulistão e na Série B.

LONGE DE ESCAPAR
A briga contra o rebaixamento seguiu intensa até os últimos instantes. A prova fica no fato de que apenas nove pontos separaram o Rio Branco, 15º colocado – que abriu o Z6 -, do São Carlos, oitavo, que fechou o grupo de classificação às quartas de final.

Entretanto, Matonense e Manthiqueira jamais deram sinais de que escapariam do rebaixamento. A Sema somou apenas 11 pontos e conquistou apenas duas vitórias; enquanto o Carrossel do Vale fez 12 pontos e anotou 12 gols, o pior ao lado do União Barbarense.

ACUSAÇÃO DE TODOS OS LADOS
Três das camisas mais tradicionais do Estado de São Paulo, Rio Branco, Marília e União Barbarense apresentaram problemas durante todo o torneio, mas chegaram à reta final alimentando esperanças de não caírem. O Leão da 13 sucumbiu, entre diversos fatores, ao péssimo ataque: apenas 12 gols marcados, um dos piores de toda a competição.

Mogi Mirim e Rio Branco foram rebaixados no Paulista A3 de 2018 - Foto: Marcelo Gotti

Mogi Mirim e Rio Branco foram rebaixados no Paulista A3 de 2018 – Foto: Marcelo Gotti

Fora das quatro linhas, muita desorganização. Isso ficou claro quando, na última rodada, ocasião na qual havia mínima chance de permanência, o meia Claudio Britto precisou jogar improvisado no gol.

O arqueiro titular, Alan Tobias, afirmou que foi acusado de receber dinheiro para entregar o duelo com o MAC e, por isso, preferiu não ir a campo. Essa, porém, não foi a única polêmica do tipo que rondou a Toca do Leão.

Os goleiros Tiago Luis e Whadson, o lateral-direito Alex, os laterais-esquerdo Lincon e Souza, o zagueiro Magno e os atacantes Wilker e Magalhães, além do técnico Claudemir Peixoto, foram acusados de terem forjado o resultado de três confrontos. A comissão disciplinar do TJD-SP entendeu, já no segundo semestre, que não havia provas suficientes contra eles.

NÃO TEVE JEITO
Rio Branco e Marília chegaram à 19ª rodada com boas chances de permanecerem e evitarem um histórico rebaixamento ao último escalão de São Paulo. O Tigre da Paulista até venceu o Grêmio Osasco; enquanto o Tigrão não conseguiu abrir contagem diante do União Barbarense, que tinha um meio-campista no gol. De qualquer forma, todos os esforços foram por água abaixo quando o Olímpia, de maneira até surpreendente, fez a lição de casa ao vencer o Atibaia por 2 a 0. Dessa forma, o Galo Azul ficou com 22 pontos, dois a mais do que americanenses e marilienses.

MAIS DA PARTE DE CIMA
Se o Noroeste derrapou e acabou ficando apenas na sexta colocação, a Portuguesa Santista deslanchou e surgiu como principal candidato ao acesso. Na primeira fase, foram 13 vitórias e cinco empates – 44 pontos, o que deu a liderança isolada. A única derrota aconteceu em 4 de março, na 14ª rodada, quando o Monte Azul fez a lição de casa com tento solitário do zagueiro Lucas Cezane, aos sete minutos da etapa inicial.

Os times que vieram na sequência, com 40 pontos, surgiram, naturalmente, como os principais adversários da Briosa. Com 40 gols, ataque mais positivo, e um futebol vistoso, de jovens sob o comando do experiente Roberval Davino, o Capivariano acabou na segunda posição por conta do saldo de gols. O Atibaia, em constante evolução nas mãos de Betão Alcântara, ficou com o terceiro lugar.

Barretos e Desportivo Brasil ficaram no G8 do Paulista A3 - Foto: Divulgação/DB

Barretos e Desportivo Brasil ficaram no G8 do Paulista A3 – Foto: Divulgação/DB

O Desportivo Brasil fechou o G4, grupo que teria a vantagem de jogar a segunda partida das quartas em casa e com o direito de avançar com o empate no placar agregado dos confrontos, e deu sinais de que poderia ser um forte concorrente – o que acabaria não se concretizando. De qualquer forma, foram oito vitórias e um empate nas últimas dez rodadas e 36 pontos ao todo. As equipes que estiveram no G8 ficaram muito distantes dos líderes.

Além disso, mostraram muita inconsistência. O Barretos, que acabaria na quinta colocação, com 33 pontos, até embalou quatro triunfos entre a 14ª e a 17ª rodadas, mas perdeu os dois últimos jogos. A pontuação, aliás, não foi muito distante: Noroeste teve 31; Velo Clube, 30; e São Carlos, 29. Os eliminados ficaram perto: Rio Preto somou 28; Taboão da Serra, 27; EC São Bernardo, 26; Monte Azul, 25; Grêmio Osasco, 24; e Olímpia, 22.

MAIS DIFÍCIL DO QUE O IMAGINADO?
Seguindo o cruzamento olímpico, a Portuguesa Santista encarou o São Carlos. A expectativa era de que a Briosa avançaria sem maiores problemas – na primeira fase, ainda na quinta rodada, vitória pelo placar mínimo. Na ida, a Águia da Central esteve duas vezes na dianteira, mas tomou um gol em cada final de tempo.

A volta, em Ulrico Mursa, foi cardíaca. O meia Carlos Alberto abriu o placar aos dez do segundo tempo, mas Kayo empatou, aos 35. Nos primeiros instantes dos acréscimos, o camisa 10 da Baixada voltou a aparecer e consolidou a vaga. Dessa forma, os comandados de Sérgio Guedes sabiam que jogariam pelo acesso com as mesmas vantagens.

BICADA DO FALCÃO
Na 7ª rodada, o Atibaia foi ao Estádio Alfredo de Castilho, em Bauru, e venceu o Noroeste por incontestáveis 2 a 0. Tal fato, somado às vantagens obtidas com a terceira colocação, colocou a equipe alaranjada como favorita, apesar de a camisa alvirrubra ser uma das mais tradicionais do Interior de São Paulo.

Nas duas partidas do mata-mata, o que se viu foi de fato um Falcão mais arrumado e azeitado. No primeiro duelo, fora, segurou o ímpeto bauruense e criou as melhores oportunidades. No confronto decisivo, tomou pressão nos minutos iniciais e desceu aos vestiários com o 1 a 0. Na etapa complementar, pouco sofreu e saiu com uma vitória que se mostraria essencial.

Atibaia conquistou o Paulista A3 - Foto: Divulgação/FPF
Atibaia conquistou o Paulista A3 – Foto: Divulgação/FPF

RUGIDA DO LEÃO E CHIFRADA DO TOURO
Dono do melhor ataque, o Capivariano voltou a mostrar eficiência ofensiva diante do Velo Clube, entretanto, a zaga sofreu mais do que possível. Isso porque o 4 a 3 no agregado foi suficiente para avançar. Por outro lado, como o Leão venceu uma e perdeu a outra, viu o Atibaia passar no somatório da pontuação – assim, o Falcão conquistou as vantagens na decisão do acesso.

O único time de fora do G4 a avançar foi também o único que venceu ambos os jogos das quartas de final. Foram dois embates equilibrados, mas o Barretos mostrou mais concentração e poder de decisão, fazendo 2 a 1, em casa, no Fortaleza; e 3 a 2, fora, no Ernesto Rocco. Dessa forma, as semifinais foram decididas: Portuguesa Santista x Barretos e Atibaia x Capivariano.

SUBIU!
A Portuguesa Santista passou aperto diante do Barretos e só assegurou o retorno ao Paulista A2, do qual está afastada desde 2009, por conta da vantagem adquirida, que permitia subir com o empate no resultado agregado – e ele veio com dois empates. Na ida, no Fortaleza, o Touro abriu 2 a 0, mas dois dos principais líderes do elenco, o lateral Rafael Ferro e o atacante Rodriguinho, deixaram tudo igual. Em Ulrico Mursa, Carlos Alberto abriu o marcador no início do primeiro tempo. Porém, Batata, aos cinco do segundo, manteve as chances barretenses até os instantes finais.

O Atibaia, por outro lado, praticamente decretou o acesso no jogo de ida, em Capivari. Eduardo, duas vezes, e Mascote fizeram 3 a 0, mas Alexandre, aos 37 do segundo tempo, descontou. Na volta, no Ítalo Mário Limongi, em Indaiatuba, Paraíba abriu para o Falcão, logo aos quatro minutos. Ainda no primeiro tempo, o Leão virou com Bill e Lucas Praxedes. Na etapa complementar, Paraíba e Tavares viraram e, além de assegurarem a subida – repetindo 2015 -, ‘roubaram’ as vantagens dadas à melhor campanha para os comandados de Betão Alcântara.

É CAMPEÃO!
Fundado em 2005, o Atibaia iniciou sua caminhada no futebol profissional na temporada seguinte, em 2006. Entretanto, os bons resultados começaram a aparecer alguns anos depois. Em 2014, quando o título ficou com o Nacional, vice-campeonato da Segundona, o que garantiu subida para o Paulista A3. Já em 2015, quando o Taubaté foi o vencedor, outro acesso, dessa vez, para a A2 com a quarta colocação no terceiro escalão. A subida, porém, não foi sacramentada por conta de problemas relacionados a estádio.

Assim, com o projeto de inaugurar uma moderna arena nos próximos anos, o Atibaia sabia que, para 2019, o acesso estava garantido e queria fechar 2019 com o primeiro título da história. E conseguiu. No Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista, triunfo por 2 a 1. Mascote, aos 49 do primeiro tempo, e Jackson Five, aos 50 do segundo, fizeram para o campeão, enquanto Diego Palhinha, aos dez da etapa complementar, descontou para a Portuguesa Santista.