ESPECIAL: Olheiro revela ao FI como descobriu meia do Corinthians

Donizete trabalhava nas categorias de base do Guarani e apostou no jogador desde o início

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Campinas, SP, 23 (AFI) – Alex Raphael Meschini era apenas um lateral-esquerdo do Primavera de Indaiatuba em 1999, disputando o Campeonato Paulista da B2 (quinta divisão). Hoje ele é Alex, um meia-atacante com convocações para a Seleção Brasileira e premiações individuais, além de títulos importantes pelo Internacional de Porto Alegre, como a Copa Libertadores da América de 2006, o Mundial de Clubes da Fifa também de 2006, a Copa Sul-Americana de 2008, entre tantos outros.

Jogando hoje pelo Corinthians, depois de uma boa passagem pela Rússia, Alex tenta se firmar no time disputando posição e jogando com várias estrelas do nível de Liédson e Adriano. Tudo isso não teria acontecido não fosse Donizete, um olheiro e treinador das categorias de base do Guarani, que descobriu Alex (na época apenas Rafael) no Primavera de Indaiatuba.

O Portal Futebol Interior entrou em contato direto com Donizete para perguntá-lo sobre como foi essa descoberta. O “olheiro” foi até a distante Tanabi, sem o conhecimento dos dirigentes, só para confirmar se o lateral-esquerdo que ele vira jogar em Indaiatuba valia mesmo a pena. E ele não se arrepende.

“Eu o vi jogar em Indaiatuba pelo Primavera e gostei do que vi. Depois disso, fui para Tanabi ver o jogo entre Primavera e Tanabi sem o conhecimento da diretoria. Solicitei imediatamente a negociação com a diretoria que confiou em mim e contratou o jogador”, revelou.

Mesmo contratado, Alex demorou para se firmar no Guarani e quase foi dispensado. O meia teve de amargar um período emprestado ao Pirassununguense, que tinha uma parceria com o Bugre e disputava a extinta Série B2 do Paulista.

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Volta ao Bugre
Perguntado sobre o motivo do empréstimo do jogador para o Pirassununguense, Donizete explicou: “Um diretor e o treinador do Sub-20 achavam que o Alex era muito franzino. Quando o Neto chegou ao Guarani, falei a ele que tinha um cara muito bom emprestado e que ele deveria ir buscá-lo, porque tinha condições de jogar pelo Guarani. Eu nunca concordei com a ida dele. E então o Neto, um cara sempre muito autêntico e inteligente, aceitou a sugestão e o trouxe de volta no mesmo dia. Foi o Neto que o trouxe para o profissional”.

Como se tratava de um jogador habilidoso e muito técnico, Donizete percebeu que o então lateral-esquerdo poderia tentar jogar mais próximo do gol. Pouco a pouco, Alex foi mostrando aos treinadores do Bugre que poderia ser meia, e a transição foi gradual, mas definitiva.

“Quando conheci o Alex ele jogava de lateral, mas era um menino muito habilidoso. Sugeri a ele que fosse jogar mais perto do gol, virasse meia. Essa é a minha filosofia. Se o jogador tem qualidade, se sabe chutar, é habilidoso, tem que jogar perto do gol para fazer gol. E o Alex, que sempre foi um bom garoto, um menino muito disciplinado, aceitou e até gostou da ideia de mudança”, explicou.

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Destino Seleção
Jogando agora pelo Corinthians, Alex passou antes pelo Internacional, onde atingiu seu ápice, sendo convocado pela Seleção Brasileira e ganhando seus principais títulos, e pelo Spartak Moscou-RUS. Sua volta ao Brasil, entre outras coisas, ajuda o jogador a ficar mais próximo do torcedor brasileiro e dos olhos do atual treinador da Seleção Brasileira, Mano Menezes, para conseguir o que é o seu sonho: uma vaga na Copa de 2014. Donizete vai além e não diz que é sonho. Para o visionário que descobriu esse grande jogador, é apenas questão de tempo para que Alex vista definitivamente a camisa amarela.

“O Alex já deveria ter sido mantido na Seleção desde quando foi convocado pela primeira vez. É difícil ver jogadores como o Fernandinho jogando em uma posição que o Alex poderia muito bem ser convocado, estou um pouco de ‘saco cheio’ disso. Mas logo a justiça será feita. Logo surge uma oportunidade e ele é convocado. E quando o Alex tem uma oportunidade, ele não costuma desperdiçar. Ele vai arrebentar e vai ficar impossível tirá-lo de lá”, profetizou.

Otimista, Donizete ainda finalizou: “É só dar uma chance que o veremos na Copa 2014”. Se Mano Menezes irá ouvir quem acompanhou esse garoto jogar desde 1999, é uma incógnita. Certo é que o meia-atacante, descoberto como lateral-esquerdo pelo presidente do Primavera, Tadeu Leite, em uma peneira no SESC, pode alçar vôos ainda maiores do que já alçou.