ESPECIAL: Majestoso vira ‘teatro’ e Ponte Preta perde alçapão
Aproveitamento da Macaca cai drasticamente com criação do "Setor Brahma"
Historicamente a Ponte Preta sempre utilizou a força de sua torcida no Estádio Moisés Lucarelli para tentar se igualar aos grandes clubes brasileiros. No entanto, após uma decisão arbitrária de sua diretoria, a Macaca “perdeu” seu caldeirão.
Campinas, SP, 15 (AFI) – Historicamente a Ponte Preta sempre utilizou a força de sua torcida no Estádio Moisés Lucarelli para tentar se igualar aos grandes clubes brasileiros. No entanto, após uma decisão arbitrária de sua diretoria, a Macaca “perdeu” seu caldeirão. Desde a criação do criticado “Setor Brahma”, o aproveitamento do time em casa caiu drasticamente e, hoje, é de apenas 48,7%.
Setor Brahma vazio contra Nacional-AMFoto: Victor Hafner – PontePressSob o argumento de que estaria beneficiando seus sócio-torcedores, a Ponte decidiu setorizar o Majestoso, destinando a parte mais nobre do estádio, a antiga geral, a quem faz parte do TC10+. O setor possui cadeiras vermelhas, que fogem totalmente das tradições do clube, e foi inaugurado no dia 10 de março, na vitória sobre o São Caetano, por 3 a 1, pela 11ª rodada do Paulistão.
De lá para cá, a Ponte fez mais 13 partidas em seu estádio. Foram seis vitórias, um empate e seis derrotas. E o pior, o desempenho só vem caindo. Tanto que o time alvinegro já amarga um jejum de cinco jogos sem vitórias em casa: são quatro derrotas e um empate. A última vitória foi em 18 de maio, quando bateu o Penapolense, por 4 a 2, na final do Torneio do Interior.
Antes da criação do “Setor Brahma”, a Macaca vinha embalada por uma excelente sequência no Majestoso. Do Brasileirão de 2012 até o duelo contra o Azulão, o clube encaixara uma série de nove jogos, com sete vitórias e dois empates, com um aproveitamento de 85%. Estes números foram determinantes para que a Alvinegra se mantivesse na elite nacional, muito por conta do caldeirão que se transformou o estádio na reta final.
Antes, geral lotava onde hoje é o “Setor Brahma”Foto: Rodrigo Villalba
Protestos da torcida
Se antes da setorização a pressão das arquibancadas era notória, agora, o estádio alvinegro parece ter perdido sua alma. Nas últimas partidas, a Macaca perdeu a “trilha sonora” da torcida e o que se tem visto é um incômodo silêncio na maior parte do tempo – com exceção das organizadas, que hoje ficam isoladas na cabeceira.
Temendo que o Majestoso se torne uma “arena de tênis” e, consequentemente, um “salão de festas” para os adversários, grupos de torcedores têm feito constantes protestos. No último sábado, no empate sem gols contra o Bahia, integrantes da torcida Curva 1900 se manifestaram contra o “Setor Brahma”.
Dias antes, um grupo de sócio-torcedores chegaram a discutir um dirigente, que se denominou apenas como Hamilton. O cartola não queria permitir que um grupo presente no “Setor Brahma” se deslocasse até à cebeceira junto com as organizadas.
Sem controle emocional, o tal Hamilton disparou: “Aqui, agora, é igual teatro. Pagou para sentar aqui, vai ter de sentar aqui”. Em resposta, um torcedor criticou: “Vocês são burros. Eu pago o TC10+ e estou querendo sentar em um lugar pior. Vocês estão separando amigos e famílias. Vocês vão perder dinheiro, porque nós vamos cancelar o TC10+”.
Protestos contra o setor tornaram-se comuns
Tiro no pé
Não bastasse a setorização, a torcida pontepretana ainda precisa conviver com o preço alto dos ingressos. O ingresso mais barato neste Brasileirão sai pela bagatela de R$ 50, mesmo que seja um jogo fraco como foi contra o Bahia, no esdrúxulo horário das 21 horas em um sábado. Na quarta-feira, pela Copa do Brasil, mesmo com um time reserva e que jogou para não ganhar contra o inexpressivo Nacional-AM, o preço foi de R$ 40.
Apesar dos apelos de alguns torcedores, inclusive nas redes sociais, a diretoria da Macaca não parece disposta a mudar sua postura. Resta saber se a torcida alvinegra conseguirá se adaptar ao “novo Majestoso”. Sem a força da torcida e com um time limitado, o clube caminha a passos largos rumo ao rebaixamento.
Curiosamente, desde que acabou a excelente fase do Paulistão, cartolas como o presidente Márcio Della Volpe e o executivo de futebol Ocimar Bolicenho sumiram dos holofotes. Hoje, eles raramente dão entrevistas e parecem estarem se blindando contra as críticas.
Em campo, mesmo com a contratação de um treinador de peso, como Paulo César Carpegiani, o time patina no Brasileirão. Com um futebol pobre e pouco eficiente, a Ponte ocupa apenas a 15ª posição, com sete pontos. Além disso, perdeu pontos preciosos em casa para Atlético-PR (4 a 3) e Bahia (0 a 0).





































































































































