ESPECIAL GUARANI: Quatro técnicos, nenhum acesso, alguns milhões e muita fé
Em mais um ano cheio de problemas nos bastidores, o Bugre não saiu do lugar, mas 2016 começa cheio de esperança
Em mais um ano cheio de problemas nos bastidores, o Bugre não saiu do lugar, mas 2016 começa cheio de esperança.
Campinas, SP, 20 (AFI) – Mais um ano se passou e o torcedor do Guarani continua sonhado com dias melhores. Apesar de algumas pontadas de esperança ao longo do ano e boas intenções para o futuro, 2015 foi recheado de frustrações para os bugrinos. Em 2016, o clube estará novamente na Série C do Brasileirão, pela quarta vez seguida, e na Série A2 do Campeonato Paulista, onde está há dois anos. Nada saiu do lugar. Na verdade, o próprio Guarani quase saiu – literalmente – de seu lugar, já que poderia ter perdido o Estádio Brinco de Ouro em um leilão, por causa de dívidas trabalhistas.
Após uma temporada muito instável, com quatro treinadores passando pelo comando e problemas extra-campo que geraram muita dor de cabeça, as perspectivas para o próximo ano não são das piores. Adiantado no planejamento, o Guarani aposta em nomes folclóricos como Max ‘Pedra’ e Flávio Caça Rato, que vão se juntar ao ídolo Fumagalli na missão de tirar clube da lama. Além disso, a diretoria se comprometeu a quitar a astronômica dívida que assombra o time campineiro. Mas a verdade é que há muito tempo o torcedor já se acostumou à desconfiança.
ERA VEIGA
Após a cair para a Série A2 em 2013 e falhar na missão de retornar à elite do futebol paulista em 2014, o torcedor Bugrino tomou mais uma porrada na cabeça com o desempenho bastante irregular da equipe, resultando em mais um ano na segunda divisão estadual. O primeiro encarregado na missão foi o técnico Marcelo Veiga, que assumiu o comando na reta final da Série C de 2014 e livrou o time do rebaixamento.
A diretoria depositou confiança no trabalho realizado e se esforçou para renovar o contrato do treinador. Veiga montou um elenco com seus nomes favoritos, convencendo jogadores como o goleiro Neneca e o atacante Nunes a jogarem a segunda divisão do Paulista. Entre os principais nomes do time, Neneca e Nunes deixaram o clube em maio. Mais tarde, o restante também se mandou.
Poucos meses após comemorarem a renovação, dirigentes do Bugre entraram em conflito com o técnico, que não conseguiu estabelecer uma regularidade no comando da equipe. Além das cobranças dos dirigentes, Veiga não construiu um bom relacionamento com parte do elenco. Esses atletas não gostavam da maneira que o treinador cobrava resultados nas coletivas de imprensa e nos treinamentos.
FONSE…CAIU
Assim, ao ser derrotado na 13ª rodada para o Rio Branco – que vivia um mau momento na competição – Veiga cedeu a pressão e acabou sendo demitido, deixando o time na oitava posição da Série A2. Há cinco rodadas para o fim do campeonato, foi a vez de Ademir Fonseca assumir o comando do Guarani. Trocar de técnico na reta final das competições virou um ritual no clube, a exemplo do próprio Veiga e do atual técnico Pintado, que assumiu o time há cinco rodadas do fim da Série C.
O desempenho de Fonseca no comando não foi o suficiente para garantir o acesso. Com três vitórias e duas derrotas , o Bugre terminou a Série A2 na mesma oitava posição de quando Veiga deixou o a equipe. De qualquer maneira, o novo técnico agradou a diretoria e conquistou a confiança dos atletas, o que fez com que fosse mantido para a disputa da terceira divisão nacional.
Se Fonseca contou com a confiança da diretora, não pode contar com a paciência curta da cúpula bugrina. Após comandar o time nas três primeiras rodadas da Série C, sem nenhuma vitória, o laço estourou e o treinador foi mandando embora no fim de maio. Nessa época, o presidente do clube, Horley Senna, tinha motivos acumulados para uma bela dor de cabeça. Enquanto o time não correspondia em campo, o clube lutava nos tribunais para não ver o Estádio Brinco de Ouro ser derrubado pelas marretas da justiça.
MINHA CASA, MINHA DÍVIDA
Neste ano, o antigo imbróglio da venda da casa do Guarani ganhou um episódio decisivo. Com dívidas trabalhistas acumuladas desde 2001, há tempos o clube está na mira do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Após conseguir a suspensão de uma penhora em 2012, com a venda de um terreno de R$ 5 milhões, o estádio foi penhorado de novo, em 2013, já que o valor do terreno não passava nem perto dos quase R$ 70 mi de dívidas do clube.
Desde então, de 2013 até o meio de 2015 o Brinco de Ouro passou por alguns leilões, entre falta de propostas e cancelamentos. Em maio, mais um leilão. Desta vez, a Maxion venceu ao dar um lance de R$ 105 milhões. Nas mãos da empresa, o destino do estádio seria virar pó, já que a intenção era demoli-lo para aproveitar o terreno.
Para evitar a fatalidade, a Magnum, empresa parceira do Guarani, propôs um novo acordo com os credores e se comprometeu a pagar o mesmo valor arrematado pela Maxion. Assim, a juíza responsável pelo caso anulou o leilão e os bugrinos puderam respirar um pouco mais aliviados, ao menos por enquanto.
SE FICAR NA C, O CORO VAI COMÊ
Depois da passagem relâmpago de Fonseca, o Guarani reatou um namoro antigo e trouxe Paulo Roberto Santos, que já havia sido procurado quando Veiga deixou o clube. Com uma campanha de altos e baixos durante a Série C, em nenhum momento do campeonato, o Bugre chegou a integrar o G4 do Grupo B.
Na melhor chance que teve de encostar na zona de classificação no comando de Paulo Roberto, o time empatou com o Juventude, foi vaiado em pleno Brinco de Ouro e se viu a cinco pontos do quarto colocado, há cinco rodadas do fim da fase de grupos.
A partida foi muito nervosa, com muitas reclamações em relação ao árbitro Jonathan Silva, que anulou um gol e deixou de marcar duas suposta penalidades. Em um cenário bastante tenso e depois de um coletiva nervosa, sem paciência com a imprensa, o treinador foi demitido e abriu as portas para o quarto nome a comandar o Bugre no ano.
ESPERANÇA, FUMAGOL… VAI BUGRÃO!
Sai Paulo Roberto, entra Pintado. A sequência final da terceira divisão nacional sob o comando do novo treinador mexeu com as emoções dos torcedores, que acreditaram até o fim em uma vaga para disputar o mata-mata e consequentemente uma vaga na Série B. Depois de ter as esperanças ceifadas após o empate com o Juve, as coisas começaram a dar certo para o guarani.
A reação começou no dia 31 de agosto. Uma derrota para o Tombense deixaria o sonho bugrino muito distante. Sob uma pressão imensa da torcida, jogando em casa, o Bugre irritou, acordou e por fim emocionou os presentes no Brinco de Ouro. Depois de mais de 90 minutos sem gols, aos 48 do segundo tempo Fumagalli chamou a responsabilidade e marcou o gol da vitória, deixando o time a três pontos do G4.
A chance de entrar na zona de classificação pela primeira vez ficava cada vez mais real. O próximo duelo seria contra o Madureira, que brigava contra o rebaixamento. Após uma partida muito mal jogada e um empate sem gols no Rio de Janeiro, o Bugre voltou para Campinas com apenas um ponto no bolso, a quatro do sonho da classificação.
Na 16ª rodada, mais uma partida emblemática. O Guarani bateu a Portuguesa, concorrente direta na briga pelo G4, por 1 a 0, em um jogo cercado de polêmicas, mas que manteve o time vivo na competição. Comissão técnica e jogadores da Lusa reclamaram da recepção que tiveram no Brinco de Ouro, relatando que faltou luz no vestiário e que torcedores tentaram agredir dirigente lusitanos presentes em um camarote no estádio. Posteriormente, o episódio rendeu uma multa para o Bugre.
Há duas rodadas do fim da primeira fase, o time foi a Pelotas, enfrentar o Brasil-RS em pleno Bento de Freitas, e conseguiu mais um resultado sofrido. O ídolo Fumagalli fez a parte dele, com um gol olímpico, mas o Xavante empatou. Coube ao jovem João Vittor vestir a capa de herói e garantir a vitória aos 47 do segundo tempo. Um pouco mais de sofrimento para o torcedor, antes da rodada derradeira.
TARDE DEMAIS
O Guarani chegou na última rodada da competição na sexta colocação, com os mesmo 26 pontos do quinto lugar Juventude e do quarto Brasil-RS. Todos a um da Portuguesa, terceira colocada. Para se classificar precisava vencer e contar com um tropeço dos adversários, ou aplicar uma goleada absurda no rebaixado Caxias.
Em uma grande exibição, venceu por 5 a 2, com três gols de Fumagalli. Mas como já era anunciado, a reação veio muito tarde. Os rivais também conseguiram os resultados e o sonho acabou para o Bugre, que vai dormir mais um ano ouvindo o grito de ‘Terceira Divisão’ pelas ruas de Campinas.





































































































































