ESPECIAL: Comportamento do torcedor vai mudar após a pandemia?

A psicóloga Gabriella Finatti falou com o Portal Futebol Interior sobre o que pode ficar de diferente dentro e fora dos estádios

A psicóloga Gabriella Finatti falou com o Portal Futebol Interior sobre o que pode ficar de diferente dentro e fora dos estádios

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Campinas, SP, 08 (AFI) – “Nada vai ser como era antes”. Essa frase tem sido constantemente dita desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou pandemia por coronavírus. Todas as esferas precisarão passar por adaptações. Inclusive o futebol!

Um dos esportes mais antigos do Brasil, o futebol passou a fazer parte do cotidiano da população no final do século XIX e depois não saiu mais. Não é a toa que esses dois meses sem jogos deixaram um vazio enorme em todos.

“Essa pandemia veio para confirmar a importância que o futebol possuía na rotina dos brasileiros, principalmente. Fãs de futebol com certeza estão sofrendo com o repentino vazio no calendário de competições e estão tentando compensar de outras formas, lendo notícias, jogando videogames de futebol, assistindo jogos antigos”, disse a psicóloga do esporte, Gabriella Finatti, ao Portal Futebol Interior.

Ainda não sabemos quando os torcedores poderão comparecer aos estádios

Ainda não sabemos quando os torcedores poderão comparecer aos estádios

ÚLTIMO DUELO
A última partida realizada no futebol brasileiro até a paralisação total por conta da pandemia aconteceu no dia 17 de março, na cidade de Boa Vista, em Roraima.

Pela quarta rodada do Campeonato Roraimense, o GAS goleou o Atlético Roraima, por 3 a 0, no Estádio Ribeirão.

Um dia antes, aconteceu o último jogo no Paulistão, com o Dérbi vencido pelo Guarani em cima da Ponte Preta, por 3 a 2.

DISTANCIAMENTO?
A falta de jogos pode causar um distanciamento entre os torcedores e seus clubes de coração. Sem o futebol consumindo sua energia, sendo assistindo jogos ou lendo notícias, as pessoas estão aproveitando o tempo livre de outras formas.

“O interesse pode diminuir se, esse tempo e essa energia que “sobram” sem o futebol, o indivíduo canalizar para outras atividades que lhe sejam mais significativas e igualmente prazerosas, como ficar com os filhos, aprender novos hobbies, se capacitar mais para o trabalho, etc”, analisa Finatti.

Por outro lado, existe a possibilidade da paralisação do futebol causar um efeito contrário ao distanciamento e estimular ainda mais o senso de pertencimento que é fazer parte de uma torcida. Isso vai depender do papel de “ser torcedor” tem na vida de cada um.

“Alguns comportamentos podem se modificar nesse período. Por exemplo, o engajamento pode crescer se o torcedor perceber que as ações do clube vão além de um simples jogo de futebol, com a realização de campanhas solidárias, conscientizadores e que de certa forma estimulem o senso de fazer parte de uma torcida”, afirma.

Torcedores nas Laranjeiras durante a Gripe Espanhola

Torcedores nas Laranjeiras durante a Gripe Espanhola

SEM COMEMORAR?
Tudo indica que a presença dos torcedores nos estádios vai demorar para acontecer. Em um primeiro momento, os jogos serão realizados sem público. Mas e quando os órgãos de saúde liberarem a abertura dos portões?

“Por hora, sabemos que o vírus continuará circulando entre nós por um bom tempo e isso pode continuar deixando as pessoas receosas de estarem em meio a aglomerações, principalmente as que fazem grupo de risco”, acredita a psicóloga.

No começo do século passado, o Brasil já passou por situação parecia. Foi a pandemia causada pela febre amarela, entre 1918 e 1920 e que teria matado perto de 50 mil pessoas no país, além de milhões no Mundo.

Há registros curiosos do futebol durante a crise de saúda gerada pela doença, como na presença de torcedores no Estádio das Laranjeiras, já naquela época, usando máscaras protetoras no rosto. VEJA MAIS DETALHES AQUI !

Comemorações mais efusivas devem diminuir por um período

Comemorações mais efusivas devem diminuir por um período

SEM ABRAÇOS
Uma das características mais marcantes do brasileiro é a forma calorosa de se expressar, gostando do contato.

Na hora do gol, por exemplo, é normal os torcedores se abraçarem. Isso pode mudar em um primeiro momento, mas a tendência é que, aos poucos, tudo volte ao normal.

“Acho que esse tipo de comemoração pode ter alguma influência do distanciamento, mas esse comportamento faz parte da forma do brasileiro de se expressar, sempre gostanco de contato, abraços.

Conforme o tempo for passando e as pessoas se sentirem mais confortáveis, essa forma de comemoração deve voltar ao comum”, comenta Gabriella Finatti.

MUDANÇA DIFÍCIL
Já esperar uma mudança no comportamento das torcidas organizadas, com menos brigas e confusões dentro e fora dos estádios, é dar murro em ponta de faca. A esperança de que a pandemia traga mais conscientização e amor ao próximo não deve levar em conta esse grupo.

“O ideal seria que essas torcidas entendessem que estão todos unidos em prol do mesmo objetivo, que é fazer esse mundo do futebol acontecer e que sem a presença da torcida, o espetáculo não aconteceria. Mas essas rivalidades são históricas, seculares, dificilmente desaparecerão em alguns meses”, lamenta a psicóloga.

VEM MAIS POR AÍ!
O Portal Futebol Interior está fazendo uma série de especiais sobre o efeito da pandemia no futebol, principalmente em relação ao comportamento de torcedores e jogadores.

Na próxima matéria, vamos procurar mostrar que a pandemia desconstruiu a imagem do jogador de futebol como um super herói. NÃO PERCA!