ESPECIAL BRASILEIRÃO: Os heróis improváveis e o hepta da ‘quarta força’

Depois de um início de ano sob muita desconfiança, Corinthians terminou 2017 da melhor maneira possível

Depois de um início de ano sob muita desconfiança, Corinthians terminou 2017 da melhor maneira possível

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Campinas, SP, 19 (AFI) – O título do Campeonato Paulista conquistado no início do ano não foi o suficiente para que o Corinthians fosse colocado como um dos grandes favoritos ao título do Campeonato Brasileiro. Antes do início da competição, o time ainda despertava desconfiança. Nem o mais otimista torcedor corintiano poderia imaginar o que aconteceria a partir daquele momento.

A primeira rodada não ajudou e reforçou o sentimento de insegurança. Na Arena Corinthians, o Timão estreou com um empate por 1 a 1 com a Chapecoense, sem apresentar um futebol. Era muito cedo, mas ficou no ar a dúvida sobre a capacidade do time de repetir as boas atuações que fez no Paulista em um campeonato mais longo.

Aos poucos, o drama foi se dissipando. Na segunda rodada, venceu o Vitória e embalou uma sequência de seis vitórias, inclusive um 2 a 0 no clássico contra o Santos e um 3 a 2 contra o São Paulo. A sequência de triunfos foi interrompida por um empate em jogo duro com o Coritiba, na oitava rodada, mas na rodada seguinte voltou a vencer ao bater o Bahia por 3 a 0.

Jô foi o grande nome do Corinthians na temporada. (Foto: Daniel Augusto Jr / Ag Corinthians)

Jô foi o grande nome do Corinthians na temporada. (Foto: Daniel Augusto Jr / Ag Corinthians)

‘FINAL’ NA DÉCIMA RODADA
Animado e líder, o Corinthians disputou a sua primeira “decisão” no dia 25 de junho, em Porto Alegre, diante do segundo colocado Grêmio. No momento, a diferença para o adversário era de um ponto e o jogo foi de extrema importância para a campanha do heptacampeonato nacional.

Como visitante, o Timão foi muito pressionado na primeira etapa, contando com uma grande atuação defensiva e do goleiro Cássio. Foi no início da segunda etapa, aos seis minutos, que Paulo Roberto arrancou pela esquerda, invadiu a área e tocou para Jadson inaugurar o placar.

Defendendo-se, a equipe corintiana cometeu pênalti aos 38 minutos mas, para alegria da Fiel Torcida, Cássio coroou sua grande atuação defendendo a cobrança de Luan. A atuação segura e a vitória por 1 a 0 mudaram a sensação da torcida sobre seu time. Agora, a confiança havia tomado conta.

O TURNO PERFEITO
O contundente triunfo sobre o arquirrival Palmeiras por 2 a 0, fora de casa, no dia 12 de julho, trouxe ao corintiano a impressão de que a equipe era “imbatível”. Passou-se um turno inteiro e a primeira derrota não veio. Eram 47 pontos, 34 jogos de invencibilidade – entre todas as competições – e a sensação era de que o título estava quase garantido.

QUEDA PÓS-CHURRASCO
Tudo lindo no Parque São Jorge. Um turno invicto não pode ser ignorada e com certeza o desempenho gera um desejo por recompensa. Assim, que terminou a primeira parte do campeonato, o Corinthians ganhou duas semanas de folga por conta da Chapecoense, que seria o primeiro adversário do segundo turno, mas pediu uma mudança de data porque estava realizando amistosos internacionais neste período.

Com um relaxamento natural e cientes do trabalho que haviam realizado, comissão técnica e jogadores fizeram até um churrasco no CT neste período de folga. Mas o tempo sem jogar parece ter esfriado os ânimos, já que o início do segundo turno surpreendeu a todos pelos resultados ruins.

‘CÊS VÃO PERDÊ O CAMPEONATO PRO PARMERA’!
Ninguém esperava o que estava por vir. Se ainda não havia perdido, o Corinthians acumulou três derrotas nos primeiros quatro jogos do returno, incluindo para Atlético Goianiense e Vitória no estádio Itaquerão, em São Paulo.

Bahia, Botafogo e Ponte Preta se juntariam à lista de equipes que bateriam o time paulista. O ataque não marcava, a defesa já não tinha a mesma eficácia e tudo parecia prestes a desmoronar.

Torcida lotou Arena em treino antes do clássico com o Palmeiras. (Foto: Bruno Teixeira Rolo / Ag Corinthians)

Torcida lotou Arena em treino antes do clássico com o Palmeiras. (Foto: Bruno Teixeira Rolo / Ag Corinthians)

Para piorar, o rival Palmeiras vivia um bom momento e começava a ameaçar. Após a trigésima rodada, quando chegou ao terceiro jogo sem vitória ao perder por 2 a 1 para o Botafogo, o Timão viu o Palmeiras tomar a vice-liderança com um triunfo por 3 a 0 sobre o Grêmio.

Na rodada seguinte, o Corinthians perdeu por 1 a 0 para a Ponte Preta, no domingo, enquanto o Palmeiras jogava apenas na segunda. Nesse momento, o time alviverde teve a chance de diminuir a diferença para três pontos, uma rodada antes do clássico, o que daria a oportunidade de ultrapassar o rival no grande duelo.

Por fim, o Vedão não deu conta e ficou no empate por 2 a2 com o Cruzeiro. Assim, ficou sem chances de ultrapassagem no clássico, mas precisava ganhar para continuar na briga pelo título e não ver o rival se distanciar.

O CORINTHIANS NÃO É BRINCADEIRA
Nesse período de oscilação, o Corinthians não viu apenas o Palmeiras se aproximas. Santos e Grêmio tiveram uma série de oportunidades de aproveitas os tropeços corintianos, mas também tropeçaram. O Grêmio estava focado na Libertadores, enquanto o Santos conseguiu se enfiar em uma crise.

De qualquer maneira, o Alvinegro paulistano não podia contar para sempre com a sorte para se manter na liderança e enfim chegou o grande do clássico. O último Derby do ano era a oportunidade do Timão repetir o feito do Paulistão e levantar a moral com uma vitória sob o rival, concorrente direto a liderança da tabela.

Aproveitando a oportunidade, a Fiel Torcida compareceu em peso na Arena Corinthians, no último treino antes do clássico. Foram mais de 32 mil torcedores, que cantaram e motivaram os jogadores, naquele que era o momento mais dramático da competição.

Sob o apoio de 46.090 corintianos, recorde de público da Arena, o Timão abriu o placar com Romero e ampliou com Balbuena no minuto seguinte. O rival ainda diminuiu mas Jô, o terror dos clássicos, ampliou a diferença de pênalti e confirmou o resultado que afastou o Alvinegro dos concorrentes ao título brasileiro e praticamente confirmou o título.

Criticado, Kazim decidiu para o Corinthians na reta final (Foto: Rodrigo Coca)

Criticado, Kazim decidiu para o Corinthians na reta final (Foto: Rodrigo Coca)

HERÓIS IMPROVÁVEIS
Depois disso, todos os cuidados foram tomados para evitar a euforia, mas o título já estava muito bem encaminhado. Faltavam apenas os golpes finais, que foram dados pelos heróis mais improváveis, situação que deixou a conquista ainda mais prazerosa para a torcida e para o elenco subestimado.

Duas vitórias por 1 a 0, daquelas choradas, sem show, mas com muita emoção e os ingredientes necessários para o bando de loucos atingirem um novo nível de insanidade. Após o jogo contra o Palmeiras, Giovanni Augusto, um dos jogadores mais criticados, fez o gol da vitória sobre o Atlético-PR. Na partida seguinte, Kazim – outro questionado, apesar de ser xodó por seu carisma – marcou na vitória sobre o Avaí.

A TAÇA
O Timão dependia apenas dele mesmo para ser campeão. Depois de vencer o Avaí, uma vitória simples contra o Fluminense garantia o heptacampeonato. O confronto marcava também a disputa da artilharia da competição entre Henrique Dourado e Jô. Uma noite para ficar eternizada na memória da Fiel.

Todos os 45.775 pagantes na Arena Corinthians nem haviam passado pelos portões quando o Fluminense abriu o placar no primeiro minuto de jogo. Parecia que o grito de campeão precisaria esperar mais alguns dias para sair da garganta do torcedor corinthiano. Depois de uma primeira etapa dura, a expectativa era de uma reação na segunda etapa, e não poderia ser melhor.

Carille fez história em seu primeiro ano como técnico. (Foto: Daniel Augusto Jr / Ag Corinthians)

Carille fez história em seu primeiro ano como técnico. (Foto: Daniel Augusto Jr / Ag Corinthians)

No primeiro minuto da segunda etapa, Jô tocou para Clayson, recebeu cruzamento do camisa 25 e desviou de cabeça para empatar a partida. Dois minutos depois, o camisa 7 desviou e Clayson tentou novo cruzamento, a bola bateu no travessão e Jô, bem posicionado, virou a partida de cabeça para a explosão da Fiel.

Para fechar o placar e soltar o grito de “É, campeão!”, Jadson anotou o terceiro gol em um torpedo de dentro da área do Fluminense aos 40 minutos do segundo tempo. Para ser uma noite ainda mais especial, Danilo entrou em campo no lugar de Jô, artilheiro do campeonato, e tornou-se o jogador mais velho a entrar em campo com a camisa do Corinthians.