ESPECIAL! Após 10 anos, Mogi Mirim retorna à Série B e orgulha o interior

O time de Mogi Mirim conquistou o acesso em cima do Salgueiro, na tarde desta sexta-feira

O time de Mogi Mirim conquistou o acesso em cima do Salgueiro, na tarde desta sexta-feira

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Campinas, SP, 24 (AFI) – O interior de São Paulo voltou a mostrar sua força na tarde desta sexta-feira, quando, após 10 anos, o Mogi Mirim conquistou seu retorno ao Campeonato Brasileiro da Série B. Voltou a mostrar, porque no primeiro semestre o Ituano já havia desbancado o poderoso Santos na decisão do Paulistão Chevrolet.

O feito do time de Mogi veio com um empate sem gols com o Salgueiro, no Estádio Romildo Ferreira, o Romildão, em Mogi Mirim. A classificação já estava encaminhada, tendo em vista que na primeira partida das quartas-de-final, no interior de Pernambuco, os paulistas haviam ganhado por 1 a 0 – jogava por um simples empate nesta sexta.

A conquista apenas coroa a excelente campanha do Mogi na primeira fase da Série C, quando terminou na vice-liderança do Grupo B, com 31 pontos – nove a mais que o quinto colocado, Guaratinguetá, que acabou eliminado. Os resultados no Romildão também podem explicar o porquê do acesso.

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Até a partida contra o Salgueiro, nesta sexta, o Mogi Mirim havia atuado nove vezes diante do seu torcedor. Foram seis vitórias, três empates e nenhuma derrota. Ou seja, o Sapão entrou em campo invicto e precisando apenas seguir a escrita para dar alegria ao seu torcedor. Dito e feito. Dos 31 pontos conquistados na primeira fase, 21 saíram do interior do Estado.

Romildo Ferreira que quase não pôde receber o duelo contra o Salgueiro. No inicio da semana um dos refletores do estádio desabou devido a um forte vendável que atingiu o interior de Litoral de São Paulo. Em caso de veto do local, o time teria que atuar numa cidade próxima, caso de Americana ou Campinas.

CRISE, MAS DEPOIS A REDENÇÃO
Mas se engana quem pensa que a trajetória do Mogi Mirim pelo acesso foi tranquila. Ainda durante a primeira fase, o presidente Rivaldo ameaçou fechar as portas devido à falta de parceiros que pudessem ajudar no pagamento da folha salarial do clube. O dirigente usou coletivas e até redes sociais para pedir ajuda, pois sozinho se via pressionado em manter os compromissos em dia.

Sem parceiros, Rivaldo optou por não premiar os jogadores à cada resultado positivo na Série C. Decidiu apenas dar o ‘bicho’ ao elenco depois que o acesso fosse garantido. Os valores não foram divulgados, mas estima-se que atletas, comissão técnica e funcionários do clube dividirão uma quantia aproximada em R$ 400 mil.

Se avançar à semifinal, o Mogi Mirim enfrentará Tupi ou Paysandu, que fazem outro duelo que vale o acesso à Série B de 2015. A partir deste jogo, até uma futura vaga na decisão, diretoria e jogadores ainda se reunirão para definir um valor extra. Ainda estão na briga pelo acesso: Fortaleza, Macaé, CRB e Madureira.

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SÉRIE B, EU VOLTEI
O Mogi Mirim voltará a disputar a Série B depois de 10 anos. A última participação do clube na considerada Segunda Divisão Nacional foi em 2004, quando terminou na penúltima colocação, com apenas duas vitórias em 23 jogos disputados. Naquela época a competição tinha um formato diferente: eram duas fases, sendo que na primeira seis clubes caiam para a Série C – além do Mogi, Londrina, Joinville, América Mineiro, Remo e América de Natal também foram rebaixados.

O torcedor não gosta de lembrar daquela campanha, muito menos do time responsável pelo descenso. Na última partida daquele campeonato, já rebaixado o Mogi enfrentou o São Raimundo-AM e perdeu por 2 a 1. O time foi a campo com: Fábio; Leandro, Dezinho e Gian; Luizinho, Rodrigo, Paulo Henrique (Alexandre), Daniel (Bruno Matos) e João Pessoa; Marcinho e Rogério (Bruno). O técnico era José Carlos Serrão, o Serrão, rodado no interior de São Paulo.

Curiosidade à parte, em 2004 o Mogi Mirim tinha a companhia de outros três clubes do interior paulista na Série B: Ituano, Marília e Paulista de Jundiaí. Santo André, do ABC paulista, e a Portuguesa, da capital, eram outros dois times do Estado. Na ocasião nenhum deles ficou com o acesso à Série A de 2005.

VERSÃO 2014
Se em 2004 o Mogi Mirim tinha no banco de reservas a experiência de Serrão, em 2014 quem assumiu o posto foi o goleiro Mauro (foto abaixo). Aos 36 anos, o arqueiro é o mais velho do grupo, tendo no currículo o título Brasileiro de 2004 com o Santos. Ele é de Mogi e foi formado na categoria de base do clube.

O time tem muitas caras novas. Outras nem tanto, caso do volante Magal, que já havia vestido a camisa do clube em outros anos. Os destaques ficam por conta do atacante Everton Heleno, artilheiro do time na Série C, com quatro gols; e o meia Vitinho, promessa do Sapão que vem

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tendo uma boa regularidade no campeonato.

“Este time do Mogi Mirim que disputa o Brasileiro da Série C não tem grandes valores individuais. Mas houve a sintonia entre os jovens valores revelados nas categorias de base do clube com alguns atletas experientes que chegaram para compor o elenco. Este foi o diferencial do Sapão na competição. Time modesto, mas operário”, disse o correspondente do Portal FI, em Mogi Mirim, Marcelo Gotti.

Sem desmerecer a competência do técnico Claudinho Batista, que assumiu o clube em junho depois da demissão de Márcio Goiano. O treinador tem como principal característica o diálogo com os jogadores. Importante, principalmente para tirar a pressão dos mais jovens, que logo de cara assumiram a responsabilidade de colocar o Sapão nas quartas-de-final da Série C.

EXPECTATIVA PARA 2015
Em meio à festa pelo acesso na Série C, o presidente Rivaldo já se planeja para 2015. A conquista desta temporada poderá servir para a chegada de empresas parceiras, principalmente para toda a temporada do ano que vem, quando o clube disputará o Paulistão e a Série B, duas competições de grande visibilidade.