Entrevistas coletivas de jogadores e treinadores caíram na obviedade
Já não se provoca bons debates com profissionais de clubes como antigamente
Entrevistas coletivas de jogadores e treinadores caíram na obviedade
Às vezes fico me perguntando como reagiria se ainda tivesse que atuar como repórter esportivo e participar de entrevista coletiva com um boleiro ou treinador escolhido cada dia pelo assessor de imprensa do clube.
Essa seletividade tolheu a liberdade do profissional de comunicação de escolher a pessoa que supostamente geraria melhor conteúdo, como ocorria com trabalho individualizado décadas passadas.
De repente escolheram o volante Fernando Bob, da Ponte Preta, para a tal entrevista coletiva, e o que se ouviu foi um ‘festival’ de obviedade.
Sutilmente apenas um repórter questionou o atleta sobre os motivos pelos quais raramente aparece no campo ofensivo. Aí, a resposta foi curta e grossa: “Sou o primeiro volante. Logo tenho que ficar mais atrás”.
Como outro entrevistador engatou pergunta genérica sobre o grupo de atletas, o assunto morreu no nascedouro.
Eis aí um tema que geraria debate esclarecedor se as tais entrevistas fossem individualizadas.
Digamos que colocação do tipo, em época de marcante competitividade entre repórteres, provocaria desdobramento e comentários.
De certo, no prosseguimento do assunto Bob seria instigado a se explicar que o primeiro volante obrigatoriamente tem que mostrar forte pegada, o que não é o caso dele.
Outrora, esse era o tipo de entrevista em que o atleta ou habilmente fugia das respostas, ou mostrava contradição, com a consequente cobrança do torcedor para que se adequasse a outra função em campo.
EDUARDO BAPTISTA
Imaginem se numa entrevista individualizada de décadas passadas o treinador Eduardo Baptista faria rasgados elogios ao futebol mostrado atualmente por Bob, sem que fosse questionado para detalhar essa contradição.
Bob sequer é sombra daquilo que já foi com a camisa da Ponte Preta. Raramente passa do meio de campo, e tem iludido aos menos avisados com tentativa de virada de jogo pra cá, virada pra lá, e registro de alta incidência de erros de passes.
Vejam que pra mudança na escalação do miolo de zaga pontepretano contra o Avaí, Eduardo Baptista tentou justificar a preferência por Yago para melhorar a saída de bola defensiva.
Nos tempos de meus contemporâneos de reportagem esportiva a réplica seria imediata: “Ora, não é o Bob quem praticamente vem buscar a bola do goleiro Aranha, para iniciar a saída?
CARLOS ALBERTO SILVA
Quando repórter, meu relacionamento era respeitoso com boleiros e treinadores, mas com o devido cuidado para que não o transformasse em amistoso.
Em julho de 1984, no comando do Guarani, o saudoso treinador Carlos Alberto Silva ousou escalar a equipe com dois volantes – Éderson e Tite – e quatro atacantes para enfrentar o Santos no Estádio da Vila Belmiro: Paulo César, Roberto, Gerson e Banana.
Na época, no pré-jogo, o treinadorzada dava entrevistas individualmente e o questionei sobre o risco desproporcional que a sua equipe correria com aquela estratégia suicida.
O treinador foi grosseiro na resposta e terminei a fala avisando que nos encontraríamos após o jogo.
Pois o Guarani tomou um ‘vareio’ de bola, sua meta foi bombardeada, e o goleiro Sidmar operou alguns milagres para evitar derrota por placar superior a 1 a 0.
Sem o organizador, o Guarani ficou fazendo ligação direta da defesa ao ataque, e o Santos ganhava todas as jogadas.
Fim de jogo, no vestiário, eis a pergunta óbvia ao treinador.
– E aí professor: como explicar agora a estratégia?
Felizmente a turma do deixa disso evitou que o treinador tentasse me agredir.
Tentasse, porque com a vitalidade que eu esbanjava à época provavelmente também devolveria alguns bofetões.
Violência à parte, o futebol precisa ser mais bem discutido. O torcedor cobra isso.





































































































































