Em carta, neto de Luciano do Valle pede a Neto fim das provocações à Ponte Preta

Neto de Luciano do Valle escreve carta a comentarista da Bandeirantes pedindo fim das provocações ao Guarani

Neto de Luciano do Valle escreve carta a comentarista da Bandeirantes pedindo fim das provocações ao Guarani

Campinas, SP, 19 (AFI) – Não é novidade pra ninguém a existência da rivalidade entre Ponte Preta e Guarani como uma das maiores do futebol brasileiro. Novo é o fato de que Neto, ex-jogador dos dois rivais e torcedor ferrenho do Bugre, aumentou ainda mais essa rivalidade com insultos e provocações à Ponte Preta.

Ciente disso, Paulo do Valle, neto do ex-narrador esportivo Luciano do Valle, escreveu uma carta endereçada ao apresentador e comentarista da TV Bandeirantes pedindo o fim das provocações à Macaca, em respeito do seu avô, pontepretano a quem Neto sempre se diz agradecido pela ajuda em sua carreira.

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O estopim para a ira da torcida pontepretana aconteceu na última sexta-feira, quando o apresentador incitou a violência ao confirmar que estaria em um supermercado em Campinas e que o torcedor revoltados com os comentários dele poderia ir até o local para tirar satisfação com o ex-jogador.

Resultado: o evento foi cancelado e a torcida da Macaca entrou em confronto com os seguranças do estabelecimento.


Leia, na íntegra, a carta de Paulo do Valle endereçada a Neto

Caro Neto.
Desculpa te chamar de amigo.Nos conhecemos pouco (ou melhor: você me
conhece pouco). Tivemos no máximo três encontros até hoje. Um deles foi marcante. No velório do meu avô Luciano do Valle. Esse que você tem um enorme respeito e sempre se recorda com carinho, sendo a figura que te deu a grande oportunidade da sua carreira televisiva, hoje tão consagrada.

A última vez que nos vimos tem mais de um ano, foi uma entrevista exclusiva que fiz com você, em homenagem ao meu avô. Seu carinho por ele ficou evidente somente pelo fato de ter me tratado tão bem esse dia, pra sempre guardado em meu coração. Por tudo isso, me sinto tranquilo em te chamar de amigo nessa carta aberta.

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Amigo Neto: tenho passado os últimos meses chateado com
você. A ponto de não conseguir mais te defender perante aqueles que te atacam (nos últimos meses com certa razão) a respeito de sua postura perante as câmeras da Rede Bandeirantes.

Sempre te defendi. Não que você necessite de algum apoio
meu, mas nunca gostei das críticas direcionadas a você com relação ao seu “jeitão caipira” de ser, com o R puxado, meio bruto e alheio ao que os outros vão pensar. Além do preconceito “dos letrados” , como você sempre gosta de dizer, que não aceitaram que um ex-jogador que mal sabia falar, ter mais audiência e prestigio que eles, que tanto se dedicaram
na profissão.

Achava e ainda acho injusto quando desmerecem sua estrada
até aqui por esses motivos. Você teve seus méritos, conquistou seu público e passou a ser respeitado por mérito. Independente de onde veio, quem é e o sotaque que fala. Te assistia nos meus almoços rotineiramente, mas passei a me incomodar profundamente quando o nível das brincadeiras com relação ao meu time, a Ponte Preta, caiu de uma forma assustadora.

Antes eu até suportava, sou bem tranquilo com relação a rivalidade entre Ponte e Guarani. Aliás, tenho maior respeito pelo Bugre, time da minha vó Yolanda. Mas com o passar do tempo, o limite do aceitável de provocação clubística foi ultrapassa do ferozmente por você.
Não sei se foi porque a Ponte Preta proibiu a ida dos jogadores ao seu programa, mas vá lá! Ninguém tem sangue de barata. Um programa que passa pra todo o estado de SP e entra em todas as casas diariamente, não pode ser a voz de nenhuma torcida e de provocações.
Sei sim que faz parte de uma “política de jornalismo esportivo bonachão” da Band nos últimos tempos (já bastante defasado) , mas se tratando da rivalidade de Ponte e Guarani é um pouco diferente, não acha?

Vamos lá: Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos estão sempre na grande mídia. De várias formas esses clubes são expostos por bem ou por mal, inclusive com programas fazendo piada com o aspecto de corintiano ser ladrão e são paulino ser bambi. Ok, não me agrada, mas
está aí.

Quando o recorte passa a ser somente Ponte e Guarani, clubes hoje pouco explorados pela grande mídia, a questão muda. Um exemplo básico: o torcedor nunca vê notícia da Ponte nos principais noticiários esportivos do Brasil. Quando aparece é porque tem jogo contra grande de capital e ainda de forma secundária, mesmo quando ganha.

Imagina a situação contrária: um consagrado apresentador pontepretano fazendo chacota da situação do Guarani? Não seria legal. O assunto deve ser tratado de forma séria por jornalistas e formadores de opinião.

Sabendo disso, não faz sentido todos os dias o mesmo apresentador fazer chacota do mesmo clube. A consequência disso é uma torcida revoltada e um apresentador que não pode mais andar tranquilamente na cidade onde sempre gostou de viver. Além dos inúmeros repórteres da TV Bandeirantes que passam pelo Majestoso e sempre são obrigados a passar pelo constrangimento de ser cobrado pelo torcedor com relação a você, sua paixão e seu ódio
particular. Acha justo com seus colegas de casa?

Depois de muitas provocações, o estopim foi na última sexta, quando você resolveu marcar no ar uma briga com a torcida da Ponte. Disse que estaria em um compromisso num supermercado e que o torcedor revoltado com suas provocações poderia ir lá se resolver com você – e ainda disse que era pra ir em bando.

Obviamente o evento foi cancelado pelo supermercado por motivos de segurança. Todos saíram perdendo com um evento comercial cancelado, por incentivo da violência partindo de você mesmo. Algo totalmente evitável se tratando de um apresentador de uma TV tão grande como é a Bandeirantes e, PASMEM, no horário do almoço. Assustador saber que chegamos nesse ponto.

Já parou pra pensar que esse tal time que você insulta todos os dias, até se negando a dizer o nome e chama os torcedores pro pau, foi o time de coração do cara que você é tão grato pela sua vida na TV?

Será que você falava essas coisas que hoje diz diariamente sobre a Ponte para o meu avô?
Diferente de você (e até de mim), ele nunca fez muito alarde com relação a paixão clubística dele. Jamais deixou que isso influenciasse em alguma narração sua. Mas nunca escondeu e todos sabem que ele amou muito a macaca!

Portanto, não por mim e nem pela torcida da Ponte, mas pelo meu avô, pessoa que você tanto respeita: pare com isso, por favor!

Espero que me entenda. É para o bem de todos.

Com carinho e respeito que ainda existe
Paulo do Valle