Eleição presidencial da Associação Uruguaia de Futebol é adiada para 21 de agosto

Valdez garantiu que não existiu nenhuma "pressão indevida, ameaça ou extorsão" que o obrigou a deixar a presidência

Valdez garantiu que não existiu nenhuma "pressão indevida, ameaça ou extorsão" que o obrigou a deixar a presidência

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Campinas, SP, 01 – A Associação Uruguaia de Futebol (AUF) resolveu adiar para 21 de agosto a eleição do seu novo presidente. A decisão foi tomada pela assembleia de clubes, sendo que a votação deveria ter ocorrido na noite de terça-feira.

O adiamento foi definido em meio a um ambiente de choque e enquanto a promotoria convocava dirigentes e jornalistas esportivos para determinar se houve crimes em gravações clandestinas que foram feitas de Wilmar Valdez, presidente da AUF até segunda-feira.

Antes de uma eleição em que ele aparecia como favorito, Valdez renunciou ao seu cargo e também desistiu de buscar um novo mandato. “Motivam esta decisão razões estritamente familiares e pessoais, que nada têm a ver com o contexto da atual campanha eleitoral”, afirmou o dirigente, por meio de uma carta de renúncia divulgada pelo site oficial da entidade que controla o futebol uruguaio.

Nesta mesma carta, Valdez garantiu que não existiu nenhuma “pressão indevida, ameaça ou extorsão” que o obrigou a deixar a presidência. Entretanto, vários jornalistas e dirigentes revelaram que um áudio, com declarações do cartola de teor comprometedor, deixaram o mandatário em situação delicada como presidente da AUF.

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Valdez, inclusive, reconheceu no último domingo, em entrevista ao Canal 10, do Uruguai, a existência dos áudios e disse estar arrependido pelas declarações que vieram a público. “Do que me arrependo é de ter falado de determinadas pessoas em determinado contexto, em uma conversa privada em que na verdade nunca imaginei que estavam me gravando”, afirmou.

NÃO FOI POR ISSO
Ao mesmo tempo, porém, Valdez minimizou a importância destas gravações para a sua renúncia ao cargo máximo do futebol uruguaio. “Este tema dos áudios não foi um tema decisivo em minha determinação de retirar a minha candidatura (à reeleição), somente foram decisões familiares e particulares”, disse.

No entanto, a promotoria do país decidiu investigar se há um caso possível de extorsão ou outro crime no escândalo de áudio. O próprio Valdez, o dirigente e candidato a presidir a AUF Arturo del Campo e o jornalista Julio Ríos foram convocados pela promotora Silvia Pérez para explicar suas ações em torno das gravações.

Del Campo e Eduardo Abulafia são os candidatos na disputa pela presidência da AUF, ainda que não esteja descartado o surgimento de um novo candidato.

Valdez, de 53 anos, havia chegado à presidência da entidade em 2014 depois da renúncia do seu antecessor, Sebastián Bauzá. Este último se viu obrigado a sair do cargo depois que uma decisão do então presidente do Uruguai, José Mujica, deixou os jogos de Peñarol e Nacional, dois principais clubes do País, sem segurança policial disponibilizada pelas autoridades.