EDITORIAL FI:- Troca de técnicos é incompetência de cartolas

A excessiva troca de treinadores neste início de temporada no Estado de São Paulo serve para demonstrar que nossos dirigentes estão em um péssimo momento. Além do inegável medo de enfrentar os desmandos da Federação Paulista de Futebol, a cartolagem paulista está regredindo, necessitando urgentemente de uma reciclagem.
Ao demitir treinadores em início de temporada, os dirigentes assumem que escolheram mal e fizeram um planejamento errado para a temporada 2.009. Time que dispensa treinador nas primeiras rodadas é porque não tem bons dirigentes e não porque os treinadores falharam nos primeiros jogos. Está na hora dos dirigentes amadurecerem e escolherem treinadores pelo que eles são e não pelo que eles eram ou foram.
Na A-1, por exemplo, a diretoria da Portuguesa errou ou ao manter o treinador Estevão Soares após o término do Campeonato Brasileiro, ou ao dispensá-lo logo na primeira rodada, mesmo com o time tendo jogado bem na derrota para o Guarani.
Nada justifica um time deixar um profissional fazer toda a preparação na pré-temporada, indicar contratações, estudar o elenco e, depois, em apenas uma, duas ou três rodadas, demiti-lo, jogando no lixo todo este período de investimento para uma competição importante.
Contratar um técnico é uma missão difícil e que não pode ser exercida no chute, sem que se faça um criterioso estudo sobre o profissional que será contratado. Com raras exceções, os dirigentes estão se limitando a contratar treinadores pelo que eles foram como jogadores, pelas hipócritas entrevistas que dão quando tentam demonstrar serem politicamente corretos ou pela imagem de bom moço ou de profissional moderno.
Fazia tempo que não se via um time ser tão roubado no apito como o Marília neste Campeonato Paulista. E o que fez a diretoria do clube? Simplesmente mandou o treinador embora, mesmo sabendo que se a arbitragem tivesse sido honesta, João Martins teria deixado o clube entre os oito primeiros colocados da competição.
Na A-2, Flamengo, Linense, Ferroviária e Catanduvense agiram igual, assim como o XV de Piracicaba na A-3. O que justifica, por exemplo, a Catanduvense demitir Veloso logo na segunda rodada? É simples. A cartolagem da Catanduvense contratou Veloso pelo goleiro que ele foi e não pelo treinador que ele é. Ou que ele não é.
Na Linense foi pior ainda. O clube investiu em Ney da Matta, que trouxe jogadores que conhecia de Minas Gerais, organizou a pré-temporada e foi dispensado logo na primeira rodada, sem ter tempo de colocar em prática sua metodologia. Em um clube sério, os autores desta proeza seriam destituídos de seus cargos que ocupam com completa incompetência e falta de informação.
Passou da hora dos dirigentes que atuam no futebol paulista se reciclarem, agirem com inteligência buscando mais informações para poderem agir com mais competência e menos covardia e subverniência.