Editorial FI: Clubes têm que aprender com o Verdão!

São Paulo, SP, 10 (AFI) – Embora só tenha feito o óbvio e o natural, a recente atitude da diretoria do Palmeiras pode ser um marco no futebol paulista.

O clube do Parque Antártica impôs o seu direito e decidiu onde deve mandar o jogo da equipe pela semifinal com o São Paulo.

Para tanto, teve que se posicionar com altivez junto à Federação Paulista de Futebol e mostrar a sua torcida que o Palmeiras possui Presidente e diretores que sabem o que querem.

A disputa da segunda partida da semifinal no Jardim Suspenso possui um valor agregado muito mais importante do que o da realização em si do jogo lá.

Embora o regulamento do Campeonato Paulista previsse que o “mando” desta fase e da próxima seria definido pela FPF, o Palmeiras quebrou este estigma que, diga-se de passagem, é de um anacronismo de doer.

Se a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, o DET e o Contru liberam e aprovam um estádio e este estádio pertence a um semifinalista, nada mais justo e coerente e normal que o mandante, que é proprietário deste estádio, mande ali os seus jogos mais importantes. Do contrário, para que possuir um estádio? E reformulá-lo e modernizá-lo e mantê-lo em bom estado? Para enfeite?

Porém, o que está atrás desta tomada de posição do Palmeiras é que pode significar um marco histórico no futebol de São Paulo.

Que os clubes, os grandes principalmente, saiam da letargia, do comodismo e da posição passiva e mansa em que se encontram e que assumam a direção de verdade do futebol paulista!

Que saia dos seus quadros uma nova diretoria para a FPF.

Qual o motivo, num mundo democrático, que um Presidente da FPF se perpetue no cargo? Que faça antecipação de eleições e que se auto-designe Presidente da FPF até 2014!!!! Pelo amor de Deus, estamos em 2008. Nem Hugo Chaves ousou tanto.

E se ainda a FPF estivesse apresentando uma gestão dinâmica, inovadora. Mas qual o quê. O futebol paulista se resume a um Campeonato mambembe de pouco mais de dois meses. Os erros de arbitragem são gritantes. Os gramados, que já foram exemplares, são uma lástima. Os de Bragança Paulista, os de Guaratinguetá e os de Ribeirão Preto, só para ficarmos nos que apareceram recentemente na tv, são uma vergonha. As cotas dos clubes da A2 e da A3, ridículas. Os clubes de aluguel proliferam. Os clubes do interior vivem à mingua.

E não há nenhuma perspectiva de mudança até 2014??!!!

É lamentável, triste e desolador.

No meio deste cenário depauperado, surge o Palmeiras mostrando que tudo os clubes podem. Basta quererem. A simples menção da direção esmeraldina de ir à Justiça Comum fez tremer os dirigentes da FPF. O recuo foi imediato.

O que se esquece é que a diretoria da entidade, é apenas e tão somente uma Síndica. Os clubes é que são os verdadeiros proprietários da FPF.

E são eles, os clubes, que devem comandar o futebol do estado. Não dirigentes profissionais. Não dirigentes que há mais de duas décadas e meia não têm qualquer cargo em clubes. Cercado de outros, que nunca tiveram vivência clubística. Acredite se quiser.

E quando vier à tona o quanto ganham Presidente e Vices da FPF mensalmente, entre salários vultosos e mordomias dignas de Brasília, os torcedores e a imprensa levarão um susto com a quantidade de dinheiro que pertence aos clubes filiados e que é jogado fora, mês após mês.

Será revelado, então, o escândalo de proporções inimagináveis que abriga o bonito prédio da FPF na Barra Funda. Quem viver, verá.