Edgard Soares: VAI MACACA, QUE A BOLA É TUA!
Uma torcida sofrida, mas insuperável na raça e no amor e merecendo festejar o seu primeiro título
Daqui a pouco a Associação Atlética Ponte Preta terá um encontro com sua história. Será nos arredores de Buenos Aires, na Província de Lanús, fundada pelo latifundiário Anacarsis Lanús, que vai torcer pela Ponte. Claro, ele era uruguaio.
Por
EDGARD SOARES
Daqui a pouco a Associação Atlética Ponte Preta terá um encontro com sua história.
Será nos arredores de Buenos Aires, na Província de Lanús, fundada pelo latifundiário Anacarsis Lanús, que vai torcer pela Ponte. Claro, ele era uruguaio.
Lanús faleceu em 1888, exatamente no ano em que Charles Miller trouxe as primeiras duas bolas de futebol da Inglaterra, um livro com 17 regras e introduziu o futebol no Brasil.
Dois anos depois, a Ponte Preta era fundada. E é hoje o mais antigo clube de futebol do país em atividade (o Rio Grande foi criado um ano antes, mas há muito desapareceu).
O encontro da Ponte Preta com sua história será marcado pela conquista da Copa Sul-Americana e o direito de participar da Copa Libertadores no ano que vem.
É uma certeza que temos pelos ares que sopram a favor da Macaca. Nenhum clube no mundo manteria uma torcida que só faz crescer, por tanto tempo e tão fanática sem conquistar título algum de grande expressão. Só a Ponte Preta. Ninguém mais que a Ponte Preta.
Ah!, mas o Corinthians também viu aumentar o número de apaixonados pela sua camisa durante as duas décadas em que não ganhou título algum.
Sim, mas antes o Corinthians já tinha vencido três tricampeonatos paulista e dois Rio-São Paulo, os torneios mais importantes de então, antes disso. E era o maior ganhador de títulos paulista.
E, se queremos falar em destino, foi em cima de quem que o Corinthians saiu do jejum depois de 23 anos?

Torcer pela Ponte Preta é diferente de tudo, porque é mais fácil seguir um time que teve dias de glórias no passado e sabe que elas tornarão a se repetir. Torcer pela Ponte, não. É uma crença eterna no futuro. É esperar que amanhã será sempre melhor do que hoje.
Além de tudo, de repente, há algo no ar, e não são balões, nem aviões, nem o Super-Homem.
Faz 24 horas que um Presidente dos Estados Unidos apertou a mão de um Presidente de Cuba, depois de 53 anos. E foi um Presidente negro.
Faz 24 horas que um Presidente de um país foi reverenciado, depois de morto, por um estádio de futebol lotado, com milhares de pessoas, com dezenas de presidentes, até com princesas, o que nunca antes aconteceu na história da humanidade.
Nelson Mandela estará torcendo para a Ponte Preta.
O maior jogador argentino (Messi terá que esperar um pouquinho mais) nasceu exatamente em Lanús. Mas nunca alardeou isso. Todos pensam que Diego Maradona nasceu em Lomas de Zamora, onde fica a Vila Fiorito, que ele tanto cultuou.
Por isso, Maradona não terá a honra de dizer que o time de sua cidade natal foi campeão da Sul-Americana. Lanús, esquecida por ele, não lhe dará esta canja.
Rildo e Felipe Bastos vão brilhar. O céu de Campinas vai brilhar nesta noite.
A geracão de prata de Dicá, Vanderlei, Oscar, Lúcio, Jair Picerni será campeã junto com a Ponte. Não citamos o goleiro, porque apesar de ótimo, bem, você sabe, é melhor não citá-lo. O time de 1977 e o time de 1979 eram melhores no papel que o do Corinthians, que acabou campeão. Porque estava escrito nas estrelas que era a vez do Timão.
Hoje será a redenção. Será sofrido, é claro.
Mas foi assim desde o começo. Para se construir a moderna e útil e super-necessária linha férrea Santos-Jundiaí, os trilhos tinham que passar por cima de uma ponte, ligando dois pontos cardeais de Campinas. Para preservar em segurança a ponte de madeira, ela era pintada de pixe, regularmente. Assim nasce ao redor da mesma, o bairro da Ponte Preta.
O clube pioneiro adotou o nome do bairro. E se orgulhou dele.
Amanhã Campinas inteira se orgulhará da Macaca mais amada do Brasil.






































































































































