Dívida controlada é uma das razões do sucesso do Flamengo nesta temporada
Com lado financeiro controlado, Mengão fez contratações milionárias em 2019
Com lado financeiro controlado, Mengão fez contratações milionárias em 2019
Rio de Janeiro, RJ, 29 – Os clubes brasileiros possuem uma dívida que atingiu R$ 7,3 bilhões na temporada passada e, ainda sem o balanço final deste ano, já há indicação que deve aumentar 8%.
Entre os devedores, há times que estão com o saldo negativo controlado e outros que estão em situação preocupante e que veem o projeto clube-empresa como uma salvação.
O Botafogo encabeça a lista entre os mais endividados com o total de R$ 730 milhões, segundo números de 2018 consolidados pela Ernst&Young, consultoria que participa da análise do projeto de transformação dos clubes em empresa.
E é também o time alvinegro carioca que apresenta dívida mais nociva. Bem diferente do Flamengo, que deve R$ 469 milhões e aparece em oitavo lugar nesse ranking.
Os cenários são distintos também sob o ponto de vista econômico. “É quase como comparar um financiamento imobiliário com uma dívida do cheque especial”, explicou Pedro Daniel, diretor executivo da Ernst&Young.
Grande parte da dívida do Botafogo é de curto prazo, enquanto que o clube rubro-negro tem endividamento atrelado ao PROFUT, no longo prazo, e, contabilmente, tem alguns investimentos.
BALANÇO
Existe também uma grande diferença de receita entre as equipes. O Flamengo arrecadou R$ 542 milhões em 2018, enquanto que o Botafogo faturou R$ 182 milhões.
Ou seja, o clube rubro-negro está equalizado porque o que ele recebeu é mais do que o dobro de sua dívida, enquanto que o alvinegro tem uma relação de receita de aproximadamente 1/4 do seu endividamento.
“Uma coisa é você ter parcelas de R$ 1.000 para um carro tendo salário de R$ 10.000, outra coisa é ganhando 1 salário mínimo. Percebe que o mesmo endividamento é muito mais nocivo para quem não tem recebíveis ou fluxo de caixa?”, questionou Pedro Daniel, diretor da EY.
Não é à toa que o Botafogo já declarou adesão ao projeto clube-empresa caso seja aprovado. O texto passou pela Câmara dos Deputados na quarta-feira e vai agora para o Senado.
Os irmãos botafoguenses Moreira Salles encomendaram um estudo no início do ano para avaliar a viabilidade de o clube virar uma sociedade anônima a partir do próximo ano, que é quando se espera que o projeto seja sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro.
ENTENDA O CLUBE-EMPRESA
Para ser integrado ao projeto, o clube interessado terá de apresentar um plano completo de reestruturação e aí poderá pedir a recuperação judicial e negociar as suas dívidas.
Os clubes-empresas vão poder parcelar débitos em até 150 meses, com uma redução das multas em 70%, dos juros em 40% e dos encargos legais em 100%.
O texto que tramita no Congresso cria também uma tributação especial para os clubes que profissionalizarem as suas gestões. Denominada Simples-Fut, a nova taxa obriga o clube recolher 5% da receita bruta para saldar o Imposto de Renda, a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) e o Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
O valor de tributação de 5%, contudo, poderá ser reduzido em 1% caso os clubes incentivem a formação de categorias de bases do futebol feminino e o incentivo ao esporte em comunidades carentes.
Os deputados fizeram apenas uma modificação no texto e passaram a deixar como opcional a contribuição que os clubes fazem à Federação das Associações dos Atletas Profissionais (Faap) e à Federação Nacional dos Atletas Profissionais (Fenapaf).
Atualmente, a cada transação de jogadores, os times pagam uma parte às entidades que cuidam de ex-atletas.





































































































































