Diretoria do Palmeiras é covarde e sem norte

Demitir Gareca apenas repete velhas soluções que nunca vão a lugar nenhum

Demitir Gareca apenas repete velhas soluções que nunca vão a lugar nenhum

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Então, eu sou um grande presidente de uma empresa. Pesquiso no mercado um nome para gerir o meu melhor negócio. Encontro um profissional que já se mostrou capaz em outros trabalhos. Contrato o indivíduo. Ele me pede alguns nomes de confiança e eu aceito. Três meses depois, sem os resultados esperados, demito o cara e saio atrás de outro, que já também já funcionou em outros lugares e também já foi demitido de outros lugares… Passo publicamente meu certificado de incompetente e desorientado.

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Isso é a atual diretoria do Palmeiras, que até a demissão de Ricardo Gareca gozava de meu apoio. Por alguma razão eu ainda confiava de que Nobre, Brunoro e o resto da turma tinha algo muito claro em mente: dar o tempo necessário para que Gareca pudesse dar uma cara ao Palmeiras, coisa que o time não tem há vários anos. Todos sabem como joga o Corinthians (sempre feio, mas competitivo), ou o São Paulo (sempre abaixo de suas reais possibilidades) ou o Santos (sempre ofensivo e com fragilidade na defesa). Todos sabem que o Cruzeiro tem o melhor padrão de jogo há anos e que Luxemburgo é sucesso com prazo de validade no Flamengo. Mas o Palmeiras….

Kleina conseguiu montar um time aguerrido na série B. Reconquistou a velha garra palestrina e a paixão dos jogadores pela camisa. Mas a diretoria achou que era apenas um treinador para a Série B. Uma pena, porque Gilson Kleina é tão bom quanto qualquer outro no mercado brasileiro, incluindo Dorival Júnior, Felipão, Dunga e outros.

Então veio Ricardo Gareca. O argentino é vencedor em seu país, já mostrou que sabe montar times muito competitivos (quem viu o seu Veléz jogar sabe do que estou falando) e tem caráter ilibado, até que se prove o contrário. Mas não teve o apoio necessário para desenvolver seu trabalho. Sempre sob pressão, sempre sob a mira da desconfiada diretoria. É bom que se diga que grande parte da torcida continuava apoiando Gareca. Mas a diretoria se acovardou diante da possibilidade de um novo rebaixamento.

Então, vamos de velhas receitas enferrujadas e comprovadamente mal sucedidas do nosso encarquilhado futebol. Chama aí um apagador de incêndio e seja o que Deus quiser. Pode ser o Dorival, ou qualquer outro – que, diante da urgência, da necessidade e do medo dos borra-botas da cúpula alviverde – vai chegar falando grosso, pedindo alto e certamente mostrando mais do mesmo do nosso mediano e comprovadamente arcaico padrão de jogo.

Nada contra o novo treinador. Tão bom ou tão mais ou menos como o restante que está aí em campo. Se o Palmeiras vai se livrar do rebaixamento é uma história que independe disso. Pessoalmente, tenho a convicção de que Gareca, a seu tempo, iria encontrar a maneira de adaptar seu estilo ao futebol brasileiro, dando uma cara nova ao Palmeiras, um perfil que poderia durar por algum bom tempo. Mas é porque gosto do profissional e da pessoa do treinador argentino. É verdade que ainda não havia acertado a mão. É preciso considerar que encontrou um grupo fraco. Mas há de se considerar também que a diretoria só conseguiu lhe dar as segundas opções de suas sugestões de jogadores.

Enfim, uma lástima.

Gareca vai ser recebido como vencedor (aquilo que realmente é) em seu país. Essa passagem pelo time brasileiro vai ser esquecida, apagada de sua brilhante história. Mas certamente outros grandes treinadores vão pensar duas vezes antes de caírem na armadilha dos covardes dirigentes brasileiros, que não conseguem enxergar um palmo além do nariz e teimam em perpetuar a perversidade da necessidade de resultados a curtíssimo prazo. É bom que esses treinadores aprendam mesmo a se preservar. Estamos perdendo – há algum tempo -de 7 a 1 para os que pensam com inteligência e agem com organização e ética no futebol mundial.