Diretor da Globo diz que pontos corridos é perda de dinheiro

Rio de Janeiro, RJ, 04 (AFI) – Na quinta edição do Campeonato Brasileiro por pontos corridos a conclusão é simples: “O formato significa perda de dinheiro”. A afirmação é de Marcelo de Campos Pinto, Diretor Executivo da Globo Esporte, empresa da TV Globo que negocia a compra de direitos de televisão do futebol brasileiro, em sua palestra no primeiro dia do Footecon 2007. A declaração de Campos Pinto foi apoiada por um estudo feito pela empresa Golden Gol entre a 27ª e a 36ª rodadas do Brasileirão. Entre outras conclusões, este levantamento apontou que apenas o São Paulo, clube que lutava pelo título, superou a média de público dessas 10 rodadas (22.200 torcedores), chegando a 46.100 torcedores.

Já os clubes que lutavam por uma vaga na Copa Libertadores (Santos, Cruzeiro, Grêmio e Palmeiras) tiveram média de 20.000, enquanto que a briga pela Sul-Americana (Figueirense, Internacional, Náutico, Vasco, Sport, Botafogo e Atlético PR) tiveram média de apenas 17.000 pessoas.

Ele levantou ainda que a fórmula adotada, ao contrário do que se imagina, não faz crescer a média de público e que é ilusória a idéia de que a briga por classificações para competições sul-americanas ou a luta contra o rebaixamento leva mais torcedores aos estádios.

“Com um campeonato com turno e returno, classificando oito equipes para um playoff em jogos de ida e volta de quartas-de-final, semifinais e finais, pelo menos 14 clubes teriam chegado à última rodada com chance de classificação e brigando pelo título. Além disso a competição teria mais 14 jogos com casa cheia e rendas relevantes para os clubes”, ressaltou o Diretor Geral da Globo Esporte.A receita de bilheteria foi outro ponto que Marcelo Campos Pinto avaliou como de fundamental importância para o futebol brasileiro: “Os principais clubes brasileiros vivem basicamente da venda de atletas (30% da receita) e da venda dos direitos de transmissão de Tv (29%). A bilheteria rende insignificantes 7% aos cofres dos clubes, que arrecadam ainda 20% em patrocínio e 14% em cotas sociais”.

Segundo Marcelo a receita de TV aberta tem um limite, já que o mercado publicitário não está em momento de alta, ao contrário da TV paga, que pode crescer e muito. Além disso, o estádio próprio dos clubes e tudo o que um estádio pode arrecadar além da bilheteria é, segundo o diretor da Globo Esporte, fundamental para o crescimento do futebol brasileiro.

“É imperativo de investir na melhoria dos estádios. Só assim poderá se aumentar os preços e ter no Brasil o que a Europa conquistou no final dos anos 90, quando um novo público passou a frequentar os estádios, sendo responsável por uma grande fonte de receita dos clubes”, encerrou Marcelo.