Dezoito anos sem o repórter Renato Silva, o Bico Fino
Ele marcou época no rádio esportivo de Campinas
Dezoito anos sem o repórter Renato Silva, o Bico Fino

Quando o jornalista Brasil de Oliveira morreu no dia 10 de setembro de 1996, em um dos bancos próximo do box em que o corpo era velado no Cemitério da Saudade, em Campinas, o repórter Renato Silva, desolado, não continha as lágrimas, como se um parente dele tivesse partido.
Quis o destino que no dia 11 de novembro de 1999 o velado fosse Renato Silva, cujo nome de registro foi Benedito Pinto da Silva, mas ele fez questão da adaptação artística para Renato, até porque foi cantor na noite campineira durante longo período.
Na antiga casa de shows Buzon ele soltava o vozeirão interpretando melodias do também saudoso cantor romântico Nelson Gonçalves, o Nersão.
BICO FINO
Renatão, o repórter Bico Fino, morto aos 62 anos de idade, tinha desprendimento por bens materiais. Mesmo famoso, quando se desfez de seu automóvel Brasília fez uso do transporte coletivo. E só não se pode dizer que era totalmente despido de vaidade porque adotou uma peruca quando a calvície ficou intensificada.
Já não se faz repórter esportivo com a singularidade de Renato Silva, em Campinas.
Foi tão original que criou premiação de troféu anualmente e esclareceu, para não pairar dúvidas, que não tinha critério para a escolha. “Eu dou o troféu para quem eu quero”.
Que originalidade! Assim era Renato quando empunhava microfones em transmissão de futebol, jamais repetindo descrição do narrador quando da saída da bola pela linha de fundo.
“Repórter que não procura um gancho diferente para completar a fala do narrador jamais será notado”, ensinava aos discípulos.
HINOS DE CLUBES
A veia musical fez de Renato Silva um compositor de hinos para clubes futebolísticos. Compôs para Bragantino, Mogi Mirim e até ensaiou melodia não encampada pelo Guarani, que preferiu oficializar obra de Osvaldo Guilherme.
Renato Silva deve se remoer no túmulo quando comunicadores deixam de mencionar o seu nome antes da execução do hino da Ponte Preta
Por sinal, o hino foi composto para a Torcida Jovem da Ponte Preta, mas foi oficializado pelo clube devido à harmonia de letra e melodia que interpretam o estado de espírito do pontepretano. ‘Estandarte desfraldado; preto e branco é sua cor; Ponte Preta vai pro campo; pra mostrar o seu valor’.
Que falta faz Renato Silva ao rádio campineiro. Talvez nem apareça outro com o mesmo estilo.
Embora pontepretano assumido, jamais distorcia. Prova está que ao criticar a Ponte, quando defendia o prefixo da Rádio Brasil, toda equipe esportiva da emissora foi impedida de acesso ao Estádio Moisés Lucarelli em 1979 ou 1980.
A estreita ligação dele com a Ponte Preta provocou clima desfavorável para frequentar o campo do Guarani, quando houve tentativa de agredi-lo em um dérbi no Estádio Brinco de Ouro.
“Reprovei aquela conduta. Esperava que os bugrinos se convencessem que estavam errados e pedissem perdão.
Mesmo sem as devidas desculpas dos torcedores, Renato voltou ao Brinco de Ouro e fez questão de ser notado em um smoking.
LINGUAGEM SIMPLES
Com o característico bom humor, foi identificado como comunicador do povão. Usava linguagem simples e objetiva para informar e opinar desde a década de 60.
Ao longo da carreira radiofônica, iniciada na antiga Rádio Educadora de Campinas – hoje Bandeirantes – criou bordões imortalizados do tipo ‘barata viva não atravessa galinheiro’; ‘malandro é o corvo, porque é patrício, não dá pernada e voa sem gastar gasolina’; ou ainda no desfecho de sua participação em programas e jornadas esportivas quando dizia ‘quem beijou, beijou, quem não beijou não beija mais, feche o caixão e segue o enterro’.





































































































































