Deschamps iguala Felipão e vai à 3ª semi da Copa consecutiva

Campeão como jogador em 1998 e como técnico em 2018, francês agora soma três semifinais consecutivas em Mundiais.

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Boston, EUA, 10 (AFI) – Didier Deschamps entrou definitivamente para o panteão dos maiores treinadores da história das Copas do Mundo. Com a vitória da França por 2 a 0 sobre Marrocos, nesta quinta-feira, em Boston, o técnico dos Bleus carimbou sua terceira semifinal consecutiva em Mundiais e igualou um recorde que parecia inalcançável. Agora, ele divide a marca com dois gigantes da beira do campo: o brasileiro Luiz Felipe Scolari e o alemão Helmut Schön.

TRÊS SEMIFINAIS, TRÊS HISTÓRIAS

A trajetória de Deschamps em Copas do Mundo já era especial antes mesmo de a bola rolar em 2026. Campeão como jogador em 1998, no time que tinha Zidane como maestro, ele voltou a erguer a taça em 2018, desta vez como treinador, na Rússia. Em 2022, no Catar, a França chegou à final, mas foi derrotada pela Argentina de Lionel Messi nos pênaltis. Agora, nos Estados Unidos, Canadá e México, os Bleus estão novamente entre os quatro melhores do planeta.

“Agora são três semifinais consecutivas. Parece natural, mas é difícil sempre. É importante ter grandes jogadores. Meu crédito vai para eles. Mas talvez eu faça meu trabalho bem”, comentou Deschamps, com a humildade de quem sabe que os números falam por si.

FELIPÃO, SCHÖN E O SELETO GRUPO

O recorde que Deschamps iguala tem donos ilustres. Felipão disputou três semifinais de Copa do Mundo — duas pelo Brasil e uma por Portugal. Em 2002, comandou a seleção brasileira rumo ao pentacampeonato. Em 2006, levou os portugueses à semi, caindo diante da França do próprio Zidane. Já em 2014, a semi é de triste memória para os brasileiros: o 7 a 1 para a Alemanha, no Mineirão.

Helmut Schön, já falecido, foi o treinador da Alemanha Ocidental em 1966, 1970 e 1974. Na primeira, perdeu a final para a Inglaterra em Wembley. Na segunda, caiu para a Itália na prorrogação. Na terceira, enfim, conquistou o título em casa, em plena Munique. Três semifinais, três histórias distintas, e um lugar reservado na eternidade.

O SEGREDO DA LONGEVIDADE

Questionado sobre como mantém a França competitiva ciclo após ciclo, Deschamps revelou parte de sua filosofia. O técnico destacou a importância da renovação sem perder a essência e o equilíbrio entre repetir fórmulas de sucesso e se adaptar às novas circunstâncias.

“Tenho alguns princípios, como a vida diária, o trabalho. Algumas coisas podem se repetir, mas não é copia e cola. As situações e condições são diferentes. São muitas coisas que temos que lidar. Tenho um ótimo estafe e tentamos antecipar”, acrescentou o treinador, que comanda a seleção francesa desde 2012 e já ultrapassou a marca de 150 partidas no cargo.

PRÓXIMO DESAFIO: ESPANHA OU BÉLGICA

Agora classificado para a semifinal, Deschamps já projeta o próximo adversário. A França aguarda o vencedor do duelo europeu entre Espanha e Bélgica, que acontece nesta sexta-feira, às 16h (de Brasília), em Los Angeles. O treinador fez questão de elogiar os dois possíveis rivais, mantendo o tom respeitoso que marcou toda sua trajetória.

“Agora vamos nos recuperar e ver quem virá pela frente. Hoje só chegamos na semifinal, amanhã nós vamos conhecer o adversário no próximo jogo. Mas será difícil, é Copa do Mundo. Isto significa que estamos entre os quatro melhores times”, projetou.