De volta para o futuro

Tive uma idéia:

Se colocássemos dois árbitros em uma só partida, fora os auxiliares, eles poderiam acompanhar as jogadas mais de perto e lances como o do gol de cabeça de Adriano, no clássico Corinthians e São Paulo, do dia 27, poderiam ser menos discutíveis. Haveria sempre pelo menos um árbitro muito próximo da jogada e, por conseguinte, com muito mais chances de acertar, de ver o que aconteceria a um ou dois metros apenas de distância dele.

Legal, né?

Além disso, na década de 70, quando houve a revolução do futebol-força, nascido na Europa, um árbitro corria, em média, por partida, cerca de 7 quilômetros.

Nos anos 2000, um árbitro corre em média 12, 13 quilômetros por jogo. São as estatísticas implacáveis dos lap tops quem nos revelam estes dados. O cérebro eletrônico tabula, cria gráficos, divide, multiplica, compara e faz um raio x completo de cada minuto da porfia. (Porfia? Eu, heim, Edgard?)

Na década de 80 e até na de 90, Ana Paula Oliveira não seria desclassificada por não conseguir dar dez piques seguidos de 150 metros cada um.

Como as medidas oficiais do gramado não mudaram, é evidente que hoje os árbitros têm que se esforçar o dobro para acompanhar os lances a uma distância que lhes permita decidir com segurança.

Além disso, um bom árbitro começa a ser bom depois dos 30 anos de idade. Portanto, ele compete com jovens cada vez mais jovens e mais bem preparados, que correm mais do que um senhor com seus 38, 40 anos é capaz de correr. 38, 40 anos é a faixa etária em que os árbitros atingem a maturidade e alcançam seus melhores desempenhos técnicos.

Dois árbitros. Simples, fácil de aplicar. Em jogo de Copa do Mundo ou da Copa Kaiser, do meu amigo Flávio Adauto. Esta é a genialidade da idéia. Poder ser aplicada em qualquer estádio, em qualquer estado, em qualquer país, em qualquer horário. Sem parafernálias eletrônicas, sem custos inacessíveis.

Quando você cria uma idéia que só pode ser aplicada em determinados estádios e determinadas partidas, você tirou a essência do sucesso do futebol: o fato de ele poder ser jogado, igualzinho, com as mesmas regras, mesmas personagens e mesmos aparatos em Wembley ou em Quixeramobim. Os incautos não pereceram esta verdade e esta lição elementar.

Além disso, desde Adão e Eva, que quatro olhos enxergam melhor que dois.

Outra medida interessante é a parada técnica. Treinadores de talento podem mudar a história das partidas, com uma conversa reservada de alguns minutos com os jogadores. Não aos berros vindos da beira do gramado, que os atletas não ouvem e nem resolvem coisa alguma.

Com a implantação da parada técnica, aí, sim, veríamos se os altíssimos salários ganhos por alguns são merecidos. E daríamos oportunidade a jovens treinadores mostrarem sua capacidade e seu talento, modificando uma estratégia, variando as opções táticas durante a partida.

Além disso, com a parada técnica, o espetáculo se enriquece, provoca-se um zum-zum-zum saudável naqueles poucos minutos em que segredos e instruções fatais estão sendo passadas aos jogadores dentro do próprio campo.

Isso sem falar no descanso praticamente obrigatório para quem tem que entrar para jogar nos horários heterodoxos impostos pela televisão. Com o aquecimento global anunciado, então…

Outra coisa: deveríamos criar bolsões em volta dos estádios nos dias de clássico. Só entraria quem estivesse com o ingresso na mão. E ainda evitaríamos o tráfego maluco de automóveis até praticamente a entrada dos portões dos estádios. E os enfrentamentos entre polícia e torcedores como aconteceu, inclusive, no domingo 27, de São Paulo e Corinthians, com certeza diminuiriam.

Já que me animei, aí vão mais sugestões: Por que não facilitar a vida dos torcedores e, com enorme economia para os mesmos, oferecermos um refrigerante e um sanduíche incluídos no preço dos ingressos? Seria uma boa.

E com a concorrência forte que existe neste mercado, não seria difícil conseguirmos um patrocínio de uma Coca-Cola, de uma Pepsi, de uma Ambev ou de uma Schin para a promoção.

Voltando aos árbitros. Uma braçadeira colocada no árbitro poderia provocar uma leve pressão toda vez que os auxiliares quisessem chamar a sua atenção ou falar com ele. Discretamente, num movimento que só interessa a quem está arbitrando uma contenda. (Contenda, ops de novo). Os auxiliares pressionariam um botão, colocado na bandeira que os mesmos sempre levam consigo (afinal são bandeirinhas, não são?). Nada de microfones, de fones de ouvido, fios, baterias, chips, que, aliás, nunca funcionam mesmo.

Bem, eis minhas contribuições.

Dois árbitros, bandeirinhas comunicando-se com os juízes com um leve toque num botão da própria bandeirinha, parada técnica, bolsões de estacionamento, ingressos antecipados, lanche e refrigerante incluído no preço dos ingressos e até passagem de ônibus também, oito bolas em campo, um showzinho de música popular antes do jogo começar, que ninguém é de ferro.

Ou seja, tudo o que sugeri como Vice-Presidente de Marketing da FPF e que, corajosamente, foi colocado em prática, quando o Campeonato Paulista ainda era o Campeonato Paulista.

Agora, caro leitor, que talvez nunca tenha pensado a respeito e descobriu que tudo isso já foi feito, de verdade.

Andamos ou não para trás?

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Comentários:

Prezado Edgar – bom dia

Tudo ótimo, até chegar no centroavante, como escalar um jogador que sempre pipoca nas decisões, vide 94 duas chances claras desperdiçadas, ficando o Brasil nas mãos do Tafarel em detrimento do Ronaldo Nazário que no momento da decisão guardou duas

Em mais de vinte anos de carreira quantas decisões de campeonato os times de Romario ganharam com gol dele

Alem de tudo é um péssimo exemplo, pois manda segurança segurar torcedor, para ele bater, bate nos companheiros que para não perder o emprego se submetem a esse vexame, hoje uma figura ridicularizada pelos falsos 1000 gols, exemplo declaração do Loco Abreu.

Desculpe se estou na contra mão, porem só estou me manifestando por gostar muito das suas analises sobre futebol.
Atenciosamente,
Clair Azeredo

Prezado Clair,
Se você quer saber, a posição que mais fiquei em dúvida foi o centro-avante. Fiquei muito tentado em escalar Vavá, o peito de aço. E creio que teria acertado também. O Ronaldo gorducho, em forma, igualmente mereceria. E que dizer de Coutinho, maravilhoso, mas na reserva em 62, sem nenhuma chance. Ninguém se entendia com Pelé melhor que ele. Agora, precisamos analisar o jogador. Não estamos escolhendo o Romário como cunhado ou genro. Em campo, principalmente com a camisa da seleção em 94, ele foi ótimo. E também no Barcelona, é inegável. Não entendi o comentário de 94, quando você fala que o Ronaldo foi decisivo. Ele era reserva.
Abraços,
Edgard Soares

O Edgard Soares é um piadista.

Montar uma seleção de todos os tempos e deixar de fora LUIZ PEREIRA E RIVALDO. Com certeza ele apoiou Lula na Presidência da Republica. Além disso, o Rivelino foi o maior fiasco que pôde acontecer no futebol de São Paulo. Diga-me qual o jogo fora do Rio que o Rivelino atuou de maneira impar? Na seleção de 1970 ele foi de carona, tanto foi que foi escalado na ponta esquerda.

O Kaká joga muito bem contra times fracos. Diga-me qual foi o jogo contra grandes times que o filho da Renascer atuou de maneira impar?

Rivaldo é o jogador mais injustiçado de todos os tempos pela imprensa brasileira. Por todos os times que passou jogou demais. Também ganhou praticamente sozinho a Copa de 2002 e essa tal imprensa dá os créditos para o Ronaldo Gordo.
Ivan da Mooca – SP

Prezado Ivan,

A primeira coisa que gostaria de lhe dizer é que, para discordar, não é necessário ser agressivo ou indelicado. A discussão em bom nível é salutar e construtiva.

Isto posto, como não fujo da discussão, deixe-me colocar o seguinte:

Luís Pereira não foi um bom zagueiro. Foi um ótimo zagueiro central. E, além disso, um sujeito boa praça. Agora, Mauro jogava mais que ele. Além disso, explico na coluna que o critério foi seleção brasileira e desempenho na mesma. Infelizmente, o Luisão Pereira não foi tão bem na única Copa que disputou, a da Alemanha, em 74. No jogo em que fomos desclassificados, ele foi expulso, levamos um baile da Holanda. Claro que Luís Pereira foi o menos culpado. Zagalo, o grande responsável, não conhecia o Ajax, tricampeão europeu e nem soube o que fazer contra o esquema de Rinus Mitchel, que endoidou nosso time. Pereira e Marinho (quarto zagueiro) correram atrás dos holandeses o tempo todo. Portanto, na comparação com Mauro e até com Beline (ambos capitães e campeões), NA SELEÇÃO, principalmente, Luís Pereira, perde. São fatos, não opinião.

Quanto a Rivaldo, concordo com você. É um baita jogador. Meu irmão, Juarez Soares, tem uma frase lapidar e definitiva sobre ele: “Se o Rivaldo tivesse a cara do Beckhan seria eleito o melhor do mundo, sempre”. Foi grande na Copa de 2002, é verdade. Ganhou sozinho? Não, não é correto. O gorducho foi artilheiro e também decisivo na competição. Rivaldo jogou bem em todos os times porque passou? Quase certo. No Corinthians, por exemplo, foi bem. Mas não foi brilhante. Você escolher um jogador para a seleção de todos os tempos, não significa desprestigiar outro. Rivaldo poderia entrar como o chamado meia armador ou como ponta de lança. Como meia armador, Didi jogou mais que ele. Caramba, o Príncipe Etíope foi titular em duas Copas. E ganhou ambas, com atuações inesquecíveis, Era craque, tinha técnica, personalidade, batia falta como ninguém, sabia tudo de bola. Classificou o Brasil para a Suécia, num jogo difícil contra o Peru, no Maracanã. Sem ele não teríamos ganhou a primeira Copa. Nem teríamos ido lá. Que mais você quer? Se eu tivesse que escalá-lo como ponta de lança, ele iria competir com Pelé. Aí…

Restou Rivelino. Você comete um engano. Ele não foi só ponta esquerda na conquista do México. Rivelino jogou como meia armador (e foi fundamental) na partida mais difícil da competição, contra a Inglaterra, em 70. Leia mais atentamente minha coluna. Também critico Rivelino. Mas na Copa de 70, ele foi brilhante. Correu, marcou, driblou, deu lindos passes, fez gols importantíssimos.

Quanto a Kaká, discuta e escreva e-mails para todos os jornalistas e treinadores de futebol que o escolheram melhor do mundo, em todas as votações, em 2007. Estarão todos errados e você, certo? Quanto a partidas contra times grandes, veja o retrospecto da Copa dos Campeões no ano passado. Ali estavam os times mais famosos do planeta. Kaká foi lider e, inclusive, artilheiro do time.
Abraços,
Edgard Soares.

Caro Edgar, concordo em quase tudo da sua seleção, apesar de não ter visto jogar a maioria dos selecionados, mas, permita-me discordar um pouco, por exemplo, o Kaká jamais conseguirá jogar 50% do o Riva jogou; e o Romário com todo respeito ao seu excelente futebol, em minha opinião, perde pro fenômeno, que só não conseguiu ganhar duas copas, pelo episódio França 98, tendo sido inclusive, artilheiro de copa do mundo e o jogador que mais fez gols em copa pelo Brasil.
Abraços

Prezado Octávio,
Acho que você tem razão em praticamente tudo. Só discordo com relação ao Kaká/Rivelino. Mas respeito sua opinião.
Abraços,
Edgard Soares

Olá Edgar,
Meu nome é Fabio tenho 30 anos e eu e meu pai Sidney que tem 60 anos conversamos e achamos muito boa sua seleção só que discordamos de alguns nomes, 3 pra ser mais específico. Acho que no Brasil é quase impossível alguém conseguir fazer sua seleção exatamente igual ao do outro, pela variedade de craques que tivemos. Abaixo segue a nossa seleção (com direito a banco de reserva) e parabéns pela matéria…. abraços
Fabio e Sidney Caran

Gilmar; Leandro, Mauro, Luís Pereira e Nilton Santos; Zito, Didi e Zico; Garrincha, Romário e Pelé.

Reservas: Leão, Aldair, Júnior, Carlos Alberto, Gérson, Rivelino, Tostão, Ronaldo (fenômeno) e Reinaldo (este último não temos certeza se jogou copa do mundo, mas mesmo que não, ele merece estar na seleção de todos os tempos).
abraços

Prezado Fábio e pai do Fábio,
A seleção de vocês é também muito boa. Parabéns. Não escalei Leandro, que tinha imensos recursos, pelo critério “performance na seleção”. Na seleção, ele não foi tão bem. Carlos Alberto jogou mais que ele com a canarinho. Zico não poderia jogar no mesmo time que Pelé. Embolaria. É o mesmo caso de Luís Pereira, ótimo zagueiro, maravilhoso jogador. Só que no critério “seleção”, Mauro jogou mais que ele. Mauro foi campeão e capitão da seleção. Era ótimo também. E Luisão Pereira, foi mal em 74. Foi expulso no jogo que nos desclassificou contra a Holanda. E levamos um baile de Rinus Mitchel, o técnico. Mas como você disse é quase impossível escalar um time que agrade a todos. Mas, chegamos perto hein, eu você e seu pai.
Abraços,
Edgard Soares

Marcos L Mucheroni
Tudo bem, opinião é opinião, mas a seleção de todos tempos só tem gente de 70 para trás, afinal a maior seleção que tivemos, que infelizmente não ganhou a copa da Espanha, mas que todo mundo concorda que é uma grande seleção. Também colocar Romário e não colocar Ronaldo apesar da amarelada na França, a recuperação dele em 2002 é digna de um grande craque, então me parece que esta seleção tem vários equívocos:
Gilmar; Carlos Alberto, Mauro, Orlando e Nilton Santos; Zito, Didi e Rivelino (Kaká); Garrincha, Romário e Pelé.
Primeiro inverteria Kaká (Rivelino), sou corintiano e vi os dois jogarem eu não compararia nunca os dois embora Rivelino mereça este destaque.
Também senti falta de Falcão mesmo sem ganhar nenhum título, ele era o equilíbrio daquela maravilhosa seleção de 1982, quem não chorou aquela trágica derrota para a Itália? Lembre-se que ele foi considerado o 2o. maior jogador da copa apenas atrás de Paolo Rossi.
Também foi esquecido Djalma Santos que fez 100 partidas pela seleção, foi eleito o melhor jogador de 1958, tendo entrado para substituir De Sordi, e jogou até os 42 anos.
Então minha seleção porque não dá para tirar Didi nem Kaká e não Rivelino seria:
Gilmar; Carlos Alberto, Mauro, Orlando (Djalma Santos) e Nilton Santos, Falcão (Zito), Didi e Kaká (Rivelino); Garrincha, Ronaldo e Pelé.
Bom é só uma opinião, mas creio que haviam 3 injustiçados: Djalma Santos, Falcão e Ronaldo.

Prezado Marcos,
Claro, opinião é opinião. E todas têm que ser respeitadas. Só uma observação: Djalma Santos era lateral e não quarto zagueiro. Nunca jogou pelo meio da zaga. Carlos Alberto e o próprio De Sordi jogaram pelo meio. Vladimir também. Todos em final de carreira. O velho Djalma começou e terminou como lateral. E tem mais: era reserva na Suécia. Foi reserva em todos os jogos. Só jogou a final. Sinceramente nunca ouvi falar que ele foi considerado o melhor jogador de 58. E ainda com Pelé e Didi em campo… Quanto a Falcão, grande jogador, temos que levar em conta que ele não ganhou nada na seleção. Se o Brasil perdeu, todos perderam. Ele, Sócrates e cia. Outra coisa: uma seleção que tinha Valkdir Peres, Luisinho, Paulo Isidoro e Serginho Chulapa ser considerada a melhor de todos os tempos. Pelo amor de Deus. No entanto, veja, sua seleção é bem parecida com a minha. Porque, no grosso, na maioria, é a melhor mesmo tanto a sua como a minha. Ronaldo, o fenômeno também mereceria ser titular. Em minha opinião perdeu por centímetros de Romário.
Abraços Edgard

Poxa, obrigado por responder fiquei lisonjeado, é falha nossa no Djalma Santos, mas não acha que ele foi um grande carregador de piano, vi ele ainda menino jogando era de uma regularidade impressionante, bom quanto ao Ronaldo discordamos mesmo…mas tudo bem, obrigado pela resposta. E ambos esquecemos do Zico, o galinho não merecia um lugarzinho aí?
Abraços:
Marcos L Mucheroni