De invenções e inventores...

#“No futebol não há nada mais para se inventar”. Essa frase não é minha, muita gente a tem repetido e parece verdade insofismável. “Depois da seleção holandesa de 1974 não apareceu nada de novo no futebol”. Outra frase que não inventei, mas que também reflete verdade indiscutível.

#Muitos técnicos surgiram desde então e cada um foi se firmando de acordo com sua preferência, uns optando por dar maior ênfase ao setor defensivo, outros formando times ofensivos ao extremo, mas todos eles buscando uma coisa que a “Laranja Mecânica” fazia com extrema competência: ocupar os espaços.

#É o dogma do momento. “Precisamos ocupar os espaços”, dizem todos. Ocupando-os, evitamos que o adversário o faça e assim ficamos mais próximos da vitória. E como ocupar os tais espaços?

#No meu modo de entender, o futebol é coisa simples e como sempre afirma meu amigo Galvão Santana, “o simples é genial”. E a melhor maneira de ocupar os espaços é escalar cada jogador na sua real posição. Lateral na lateral, volante no meio campo, goleiro no gol, atacante no ataque e assim por diante. O sujeito que domina sua posição sabe ocupar o espaço que lhe cabe e realizar a função que lhe é determinada.

#Quando você escala um atacante na lateral dificilmente ele conseguirá cumprir sua função com eficiência. Quase sempre deixará “buracos” nas suas costas e por ali o adversário construirá o resultado. Já viu esse filme caro leitor? Claro que sim…

#O Pintado, jogador de tanta experiência e que atuava com simplicidade, como técnico acreditou-se um estrategista de primeira linha. A partir de então desfez o que construíra com surpreendente rapidez. O time do Ituano que parecia ter encontrado um “jeito de jogar” e somava pontos a cada rodada, desintegrou-se a ponto de tomar aquela “chacoalhada” do Santos no último sábado.

#Com um jogador a menos desde os vinte minutos da primeira etapa, o time da Vila “sobrou” em campo e “ocupando os espaços” transformou o jogo em treino e marcou quatro gols como poderia ter marcado seis ou sete. O nosso Galo, mesmo com onze jogadores contra dez, deu ao adversário todo o espaço que necessitava para reabilitar-se na competição.

#Pintado já foi embora. Que seja feliz no São Caetano e que consiga repensar alguns de seus conceitos. Até porque, cá pra nós, com a escassez de bons jogadores no futebol atual, o melhor é apelar para a simplicidade e não inventar muito.

#Que os últimos jogos sirvam também para o recém contratado técnico Zetti, bom sujeito, tranqüilo, sereno e que precisa reafirmar-se como o técnico de futuro que parecia ser no início de sua carreira como treinador.

#Zetti, fale com o Arcílio, com o Moura, o Wanderley, pessoal da TV Convenção que têm gravado os jogos do Ituano. Fale com eles Zetti. Assista os tapes e perceberá que Ramon, bom jogador, deve jogar do meio para a frente, que Éder é bom meio campo, que Alex Afonso e Edmílson podem jogar juntos, desde que um deles saia um pouco da área, que Vinícius é um ala de enorme futuro pela esquerda, que Anderson Lima, bem protegido, pode jogar e bem na ala direita. Como zagueiro, não pode. E Zetti, você que foi um dos grandes goleiros deste país, observe que o Marcelo não anda lá muito bem. O Diego, quando entrou, foi bem melhor…

#O Ituano tem uma boa seqüência de jogos. Juventus e Rio Preto, em casa, Guarani, no Brinco e depois mais duas em casa, contra Paulista e São Caetano. Momento para somar pontos e afastar o perigo do rebaixamento. Vamos fazê-lo da maneira mais simples, jogando o velho e bom futebol…

Trem da Alegria
#Com o retorno do Galo ao Novelli Júnior, fica no ar uma pergunta: será que diante do Juventus também teremos a presença de tantos convidados “Vips”, ávidos pela festança que vimos nos jogos com São Paulo e Corinthians?

#Aliás, mais uma perguntinha. Quem será o responsável pela contratação do pessoal que trabalha para o diário na organização do Trem da Alegria? Preocupação com a imagem não parece ser o objetivo…