Danilo Neco: o craque da Ponte Preta que dribla o leite

Campinas, SP, 7 (AFI) – Leite é sinônimo de saúde para muita gente. Mas não para as milhões de pessoas que diariamente com alergia a ele e a todos os derivados. Pessoas como Danilo Neco, goleador pontepretano e eleito como craque do Interior no Paulistão 2009, que desde os dez anos de idade convive com a alergia. “Mas a gente aprende a driblar o problema”, brinca Neco, mandando uma mensagem de otimismo aos demais alérgicos neste 7 de maio, Dia Nacional da Prevenção à Alergia.

Confira apresentação de Ponte Preta x ABC

Curiosamente, Neco, menino criado na área rural em Pacaembu, só manifestou o problema quando mudou para cidade e passou a tomar leite pasteurizado. “Morava no campo, jogava bola só por prazer e nem imaginava ser jogador profissional. Naquela época tomava leite direto da vaca e nunca tive problema. Mas mudei para Americana e comecei a tomar leite de caixinha, daí começou a alergia”, conta o atacante.

Forte alergia
E uma alergia forte. Qualquer quantidade de leite – ou derivados como queijo, manteiga, iogurte – que Neco ingira deixa a pele toda irritada, uma coceira insuportável e a garganta do jogador fecha, causando extrema dificuldade para respirar.

Quando fui ao médico pela primeira vez, ainda criança, o doutor pediu para ele tomar leite para ver o que acontecia e retornar em uma próxima consulta. Fiquei tão assustado que não tomei o leite e nem voltei mais ao médico”, conta.

Ciente de que o leite lhe trazia problemas, Neco passou a consumir produtos que substituem o leite por soja ou leite de soja.

danilo 0012 250“Ainda assim já fui surpreendido por produtos que dizem no rótulo que não tem nada de leite, mas que no final das contas tem e me dão alergia. Mas não me sinto excluído nem me causa maiores problemas.É só driblar o leite”, repete, acrescentando que por outro lado gostaria de encontrar uma maior variedade de produtos derivados de soja para pessoas que tem a alergia.

Atualmente, nos supermercados, é possível encontrar leite, sucos, chocolates, “leite” condensado e “creme de leite” de soja. Já margarina sem leite (não existe manteiga de soja) há apenas uma marca, a “alvarina” Beccel. Outros produtos similares aos que tem leite praticamente inexistem.

Tratamento especial
A carreira de jogador profissional de Neco traz cuidados extras em relação a alergia. Nada de lanches preparados em hotéis ou refeições em locais desconhecidos, por exemplo, às vésperas de jogo – em geral a reação alérgica do jogador leva em torno de 30 minutos para ser controlada. Na Ponte Preta, o tratamento do departamento de nutrição e do pessoal da cozinha com Neco é especial.

“O pessoal da cozinha já sabe tenho o acompanhamento pessoal da nutricionista Mirtes. Fazem lanche separado pra mim, sem queijo nem manteiga, e quando tem leite na comida avisam e providenciam uma outra opção para mim”, conta Neco.

Segundo médicos especialistas, existem dois tipos de alergia à leite, e ambas costumam se manifestar na infância – ainda que muitas pessoas só as descubram ou tenham uma evolução maior do problema quando mais velhas.

Uma é a intolerância à lactose, que via de regra não tem cura e permanece por toda a vida. Ao tomar leite, o alérgico tem diferentes reações, que podem se mostrar mais fracas ou fortes em determinados momentos. Este tipo de intolerância pode ser detectado por exames.

A outra, praticamente indetectável por exame, é a alergia à proteína do leite. Neste caso, a alergia é confirmada pela melhora/ausência das reações – que também variam bastante – quando o paciente abandona o leite pelos produtos de soja. Este tipo de alergia costuma passar no máximo até os 16 anos de idade do alérgico.