Danglares Gomes, excelso homem de rádio
Danglares Gomes, excelso homem de rádio
Domingo, acho que umas oito horas da manhã, ouço longe… bem longe… o telefone tocando. Fui acordando aos poucos, meio que modorrento, espreguiçando… pego o telefone e ALÔ!!!… Pô, turcão, até que enfim. Achei que não ia conseguir falar com você. Talvez você não esteja reconhecendo minha voz… Quero que saiba que fiquei feliz em saber que você está vivo e escrevendo no Futebol Interior… ainda mais depois que soube, pelo Correio Popular, que mais de 900 mil pessoas por dia acessam o Portal Futebol interior…
Espera ai. Estou reconhecendo a sua voz: Mário Moraes não é por que já morreu. Luiz Rivoiro, também não é. Então, só pode ser Danglares Gomes… Puxa que alegria, depois de décadas você reconheceu minha voz. Como não ia guardar esta voz forte, bonita, articulada que, em verdade, só haviam três iguais: do grande comentarista Mário Moraes; do melhor radialista que já existiu no interior de São Paulo, Luiz Rivoiro e, a sua, seguramente o melhor comentarista esportivo de todo o Estado.
Acordei com a voz do amigo…
Sim, caríssimos leitores. Foi desta forma que acordei no último domingo, ou melhor, fui acordado pelo querido amigo e companheiro Danglares Gomes. Falamos por uns bons 40 minutos. Matamos um pouco da saudade e, nos comprometemos, mutuamente, nos encontrarmos para colocar a prosa em ordem. O Dan, como era tratado por todos os companheiros de rádio, prometeu que marcará o dia do encontro que aguardo com ansiedade.
Talvez o jovem e raro leitor esteja se perguntando: quem é esse Danglares Gomes ? . Eu vou contar um pouquinho sobre este homem que marcou seu nome na crônica esportiva de Campinas. Que recebeu convite de todas as grandes emissoras de rádio de São Paulo, algumas do Rio, e até de Brasília. Não aceitou nenhum dos convites para ficar em Campinas onde mantém, até hoje, uma banca de advocacia, no mesmo local, há 40 anos.
Por todas as rádios
Danglares passou pelas rádios Brasil, Cultura, Educadora, Central e C.B.N. Comentou mais de duzentas partidas em que jogou Pelé, além da despedida do maior craque do mundo. Também comentou centenas de jogos do Garrincha e da Seleção Brasileira. Fez mais de quatro mil comentários de improviso nas diferentes emissoras por onde trabalhou.
“Por quê não volto para o rádio, Fauzi ?” Porque a crônica não é mais a mesma da nossa época. Antes, tínhamos verdadeiros craques, tanto no Guarani como na Ponte. Era fácil e muito prazeroso comentar. Hoje, meu Deus do céu… que lástima!
“Que equipe esportiva de ontem você montaria para trabalhar nos dias atuais, Danglares?”, peguntei,. E veio a resposta:
“Ah! Meu amigo. Se pudesse voltar ao tempo eu escalaria: Washington Luiz Andrade, narrador; Zaiman de Brito Franco, comentarista; Cláudio Grillo, comentarista de arbitragem; José Arnaldo, plantão esportivo. Como repórteres volantes: Antônio Cunha Mendes, Valter Paradella e Oliveira Andrade. Acho que arrumaria uma boquinha prá você também… (risos)
Um fato triste
O fato mais triste da minha carreira foi quando, durante o jogo Guarani e Palmeiras, no Brinco de Ouro, já no segundo tempo, o narrador Washington teve um bloqueio na voz. Imediatamente , tomei-lhe o microfone e chamei pelo Cunha Mendes:
“Cunha, transmita dai que o nosso Washington vai ter que se ausentar por alguns instantes.” Já no hospital foi constatado câncer de laringe. Sua morte deu-se uns trinta dias depois, falou Danglares, com lágrimas nos olhos.
Danglares Narciso Gomes, um dos melhores comentaristas esportivos do nosso interior, fala com alegria de ter sido o homem que lançou no rádio o comentarista de arbitragem: Cláudio Martelletti Grilo. Também adorava trabalhar com o técnico de som Gilson Campos, para ele, o melhor de todos.
Pra frisar e Dedini
Outra coisa que gosta de frisar, contrariando a todos: o primeiro jogo transmitido a cores pela televisão foi Brasil e Seleção Riograndense, em 1.970 e, não os jogos da Copa do Mundo, no México. No Rio Grande do Sul, foi a transmissão inaugural, afirma convicto.
Ainda muito moço, Danglares, recém-formado em direito, dava consultoria para a Dedini, uma pequena metalúrgica de família, em Piracicaba. Várias vezes ele reuniu a Família Dedini para mostrar que o grande negócio era investir no Pró-Álcool, programa criado e lançado pelo presidente João Batista de Oliveira Figueiredo, do Governo Militar.
“Minha gente”, dizia Danglares, “quero que vocês entendam que o álcool vai ser o combustível do futuro…”. Não foi fácil. Alguns entendiam que ele tinha razão mas, a maioria, incrédula, torcia o nariz. Por fim, os Dedinis não só plataram cana e construiram usinas próprias, como começaram a construir usinas para terceiros, tornando-se a potência e referência que é hoje na indústria sucro-álcooleira, não só no Brasil como em todo o mundo.
Meus amigos do Futebol Interior. Todos os causos que conto aqui, tenham certeza, são escritos com muita alegria. Agora, quando conto fatos vividos e com pessoas tão queridas, como o Danglares Gomes, ai a alegria transcende. Que bom seria escrever somente sobre pessoas das quais gostamos e com as quais tanto aprendemos. Danglares Narciso Gomes, certamente, tem seu nome escrito com letras de ouro na história do rádio de Campinas.
LIXO ELETRÔNICO
Quero comunicar aos leitores do “Causos do Interior”, que este escriba, está fazendo limpeza de lixo eletro-eletrônico. Assim, se você ou a sua empresa têm problemas com e-lixo, faça contato com o meu e-mail abaixo, e eu terei prazer em fornecer maiores informações.





































































































































