DANÇA DAS CADEIRAS: Timão orfão, quatro intocáveis e 26 trocas de técnicos

A penas Ponte, Santos, Palmeiras e Atlético-PR não trocaram de técnicos no Brasileirão; Corinthians chora até hoje a saída de Tite

A penas Ponte, Santos, Palmeiras e Atlético-PR não trocaram de técnicos no Brasileirão; Corinthians chora até hoje a saída de Tite

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Campinas, SP, 27 (AFI) – Não tem jeito. Todo o ano o Campeonato Brasileiro é palco da ‘dança das cadeiras dos treinadores’. Basta acabar a paciência dos dirigentes ou uma pressão um pouco mais intensa da torcida para que um clube mande seu técnico embora sem pestanejar e traga outro, que na maioria das vezes não soluciona os problemas.

Durante a disputa da primeira divisão nacional deste ano, ocorreram 26 trocas de treinadores, sem contar a passagem de interinos. O número é grande, mas é menor do que o de 2015, que bateu o recorde com 32 trocas durante o campeonato.

Em 2016, os time que mais trocaram de técnicos foram Internacional e Figueirense, enquanto Ponte Preta, Santos, Palmeiras e Atlético-PR foram os quatro clubes que conseguiram manter o memso técnico do início ao final da competição. Diferente da maioria, duas equipes se viram forçados a trocar de treinador: o Corinthians após Tite ir para seleção e a Chapecoense após perder Guto Ferreira para o Bahia.

OS GUERREIROS
Entre os quatro times que terminaram o Brasileirão com o mesmo técnico com o qual começaram a competição, o Santos é o único que permaneceu com o mesmo treinador desde o início do ano. Dorival Júnior está em sua segunda passagem pelo Santos desde julho de 2015.

Eduardo Baptista ficou na Ponte até o final do Brasileirão.

Eduardo Baptista ficou na Ponte até o final do Brasileirão.

Ele começou o ano com o pé direito e logo conquistou a taça do Campeonato Paulista, fato que de sustância para a continuidade do trabalho. Por fim, após um período de instabilidade, colocou o time santista no caminho das vitória e terminou a temporada como vice-campeão brasileiro.

Assim, na tabela desse Brasileirão existe apenas um time acima do Santos de Dorival: o Palmeiras de Cuca. O treinador campeão assumiu o comando do time após a saída de Marcelo Oliveira, demitido quando o time perdeu por 1 a 0 para o Nacional, em maio, na primeira fase da Libertadores. Então, disputou o restante do Paulistão e iniciou o Brasileiro no comando alviverde.

A Ponte Preta, por sua vez, segurou Eduardo Baptista até o final do Campeonato Brasileiro e terminou em oitavo lugar, com 53 pontos. Apesar de lidar com algumas críticas, mostrou o seu trabalho e será o substituo de Cuca no Palmeiras. Antes dele, durante o Paulistão, a Ponte teve dois técnicos: Vinícius Eutrópio e Alexandre Gallo. Após as constantes trocas, que já aconteceram no ano passado, a diretoria mudou de postura e teve um balanço final positivo.

O Atlético-PR, que manteve Paulo Autuori desde o início da competição nacional, foi presenteado pela confiança dada ao treinador e se classificou pela quinta vez em sua história para a disputa da Libertadores. Ele assumiu o time após a queda de Cristóvão Borges, que saiu após derrota empate por 1 a 1 com o Foz do Iguaçu, no Campeonato Paranaense.

Cuca não deixou o Palmeiras e foi campeão.

Cuca não deixou o Palmeiras e foi campeão.

RECORDISTAS
Obviamente, os times que mais trocaram de técnicos foram os que tiveram os piores desempenhos dentro de campo. Empatados em primeiro lugar na ‘dança das cadeiras’, Internacional e Figueirense mudaram de comandante três vezes e nenhuma delas deu resultado, já que ambos foram rebaixados para a Série B.

O Figueira começou o Brasileirão sob o comando de Vinícius Eutrópio, que acabou demitido na 14ª rodada, quando o time entrou na zona de rebaixamento. Depois, o time tentou se recuperar com Argel Fucks e Tuca Guimarães, sem sucesso.

Por fim, tiraram Marquinhos Santos do Fortaleza na véspera do jogo decisivo pelo acesso para o tricolor cearense, e também não adiantou. A equipe terminou na 18ª colocação, e foi rebaixada prematuramente.

O Internacional tem dois pontos em comum com o a equipe catarinense. Além de ser rebaixado, também contou com Argel Fucks como treinador. Ele começou o Brasileirão como técnico colorado, mas logo saiu para dar lugar a Paulo Roberto Falcão, que teve mais uma passagem frustrante no time onde foi ídolo como jogador.

Após a saída de Falcão, o Inter fez uma aposta que irritou bastante os torcedores e não de nenhum pouco certo. Contestado pelos seus últimos trabalhos, Celso Roth assumiu o time na 13ª colocação e o deixou na zona do rebaixamento. No desespero, a diretoria trouxe Lisca Doido para substituí-lo nas três rodadas finais, mas o roteiro terminou conforme o que já estava escrito: Inter rebaixado pela primeira vez na sua história.

Dorival Júnior foi o único técnico a ficar no mesmo time durante todo o ano.

Dorival Júnior foi o único técnico a ficar no mesmo time durante todo o ano.

TOCA FORÇADA
Enquanto alguns times trocaram de treinadores pelo desempenho ruim de suas equipes, outros não tiveram outra opção, já que perderam seus técnicos por decisão dos próprios. O Corinthians já não andava bem das pernas. Após um desmanche no elenco, mantinha atuações regulares e conseguia permanecer no G6 sob o comando de Tite, que não resistiu à proposta de assumir a seleção brasileira.

Ídolo dos corintianos, Tite tirava ‘leite de pedra’ do elenco reformulado e estava bastante seguro no cargo. Porém, ele nunca escondeu o desejo de treinar o Brasil e sua ida para a seleção já está dando frutos positivos para o futebol nacional. Em entrevista recente ao programa Bola na Fogueira, da ESPN, ele disse que se sentia culpado pela queda de rendimento do Timão, que acabou ficando fora da Libertadores.

A responsabilidade de substituir Tite era muito grande e nenhuma das apostas da diretoria convenceu o torcedor. Após um período com o interino Fábio Carille no comando, Cristóvão Borges foi contratado e em menos de três meses foi demitido. Depois disso, a ideia era efetivar Carille até o final do ano, mas o clube preferiu contratar Oswaldo de Oliveira, que falhou em classificar o time para a Libertadores e foi dispensado após a última rodada.

Outro time que foi forçado a trocar de treinador foi a Chapecoense. Campeão Catarinense com o Verdão, Guto Ferreira fazia uma boa campanha no Brasileirão, ocupando a oitava colocação, quando recebeu uma proposta de R$ 350 mil mensais para comandar o Bahia na Série B. Ele aceitou e a Chape trouxe Caio Júnior para substituí-lo.

Nesse caso, a chegada do novo treinador manteve o nível do time, que brigou por uma vaga na libertadores até as últimas rodadas do Brasileiro e chegou até a final da Sul-Americana. Por fim, a decisão da competição continental não disputada porque o avião que levava o time catarinense para a Colômbia se acidentou e matou 71 pessoas. Entre eles, Caio júnior e 19 jogadores.

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VEJA TODOS OS TÉCNICOS QUE ATUARAM NO BRASILEIRÃO:

AMÉRICA MINEIRO – Givanildo Oliveira, Cláudio Prates (interino), Sérgio Vieira e Enderson Moreira

ATLÉTICO MINEIRO – Diego Aguirre, Marcelo Oliveira e Diogo Giacomini

ATLÉTICO PARANENSE – Paulo Autori

BOTAFOGO – Ricardo Gomes e Jair Ventura

CORINTHIANS – Tite, Fábio Carille (interino), Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira

CHAPECOENSE – Guto Ferreira e Caio Júnior

CORITIBA – Gílson Kleina, Pachequinho e Paulo César Carpegiani

CRUZEIRO – Geraldo Delamore (interino), Paulo Bento e Mano Menezes

FIGUEIRENSE – Vinicius Eutrópio, Argel Fucks, Tuca Guimarães e Marquinhos Santos

FLAMENGO – Muricy Ramalho, Jayme de Almeida (interino) e Zé Ricardo

FLUMINENSE –Levir Culpi e Marcão

GRÊMIO – Roger Machado, James Freitas (interino) e Renato Gaúcho

INTERNACIONAL – Argel Fucks, Paulo Roberto Falcão, Celso Roth e Lisca

PALMEIRAS – Cuca

PONTE PRETA – Eduardo Baptista

SANTA CRUZ – Mílton Mendes, Adriano Teixeira (interino), Doriva e Adriano Teixeira (efetivado)

SÃO PAULO – Edgardo Bauza, André Jardine (interino), Ricardo Gomes e Pintado (interino)

SANTOS: Dorival Júnior

SPORT: Oswaldo de Oliveira e Daniel Paulista

VITÓRIA – Vágner Mancini e Argel Fucks