Dalmo Pessoa: Uma velhacaria da marquetagem do nosso pobre e rico futebol
Nesse cenário, só o Palmeiras está se salvando, mas o futebol vive de bons resultados e títulos
Nesse cenário, só o Palmeiras está se salvando, mas o futebol vive de bons resultados e títulos
Os velhacos da marquetagem barata – com todo respeito aos bons marqueteiros que existem no mercado – gostam de enganar o torcedor com seus números alavancados do faturamento dos clubes – distorcem tudo e projetam no horizonte uma situação financeira irreal, falsa e mentirosa.
A última alavancagem da marquetagem funileira veio na esteira de faturamentos importantes com o aumento das cotas de televisão, ainda que alguns contratos sejam parcelados de dois a cinco anos. Na primeira leitura, ótimo: a receita é boa, mas ninguém faz a média dos valores.
Os números impressionam, se não vejamos: Flamengo – 510 milhões de faturamento com tevê; Corinthians – 485 milhões; Palmeiras – 468 milhões; São Paulo – 393 milhões e Grêmio – 330,3 milhões. Ficaríamos só nestes clubes, mas vamos à exceção com o Santos – para fechar a conta dos paulistas – com 295,8 milhões.
Ora, de que adianta faturar tudo isso se o custo operacional atinge patamares que revelam toda a irresponsabilidade financeira na mais desbragada gestão temerária?
Se o dinheiro fosse bem gasto, com planejamento, tudo bem. Seria ótimo. Mas não é assim porque somos adeptos da cultura de contratações milionárias, incompatíveis com a realidade econômico-financeira dos clubes, vítimas de uma mídia que estimula contratações nem sempre boas e que no fim comprometem as finanças do futebol.
Se o aumento de cotas de televisão é bom, o contraponto são as receitas publicitárias que caíram. Quanto tempo o São Paulo ficou sem patrocínio master? O Corinthians tinha o patrocínio da Caixa, mas a Lava-Jato está em pleno vapor, e o Corinthians perdeu 30 milhões por mês.
PALMEIRAS SE SALVA?
Nesse cenário, só o Palmeiras está se salvando, mas o futebol vive de bons resultados e títulos. Se o time pipocar, com escassez de títulos adeus money fácil daquele cachorrinho bonito que aparece no comercial da televisão.
Sem tevê – o futebol não vive e hoje o Brasil assiste a uma competição de vida ou morte entre tevês não só para garantir seus patrocínios, mas sobretudo na guerra para a compra de direitos de transmissão. Em tese, isso é bom, mas cada vez mais a televisão incentiva as transmissão de campeonatos do Exterior. A Globo tem como concorrentes a tevê da raposa, o Interativo, outro grupo de fora; mais a ESPN e outras que ainda virão.
Mas fiquemos na questão específica do faturamento x custo operacional.
Façamos os comparativos:
1 – O Flamengo, que tem o melhor contrato, alongou o perfil de suas dívidas, mas continua comprando jogador a preço de Wall Street, como é o caso de Diego, e Guerreiro. Não sei quanto é o passivo do Fla, mas sempre se falou que era coisa de outro mundo.
2 – O Corinthians cresceu no faturamento de tevê. Ainda que com balanço maquiado, como aconteceu também no ano passado – as contas atuais têm várias inconsistências (que abordaremos oportunamente) e o superávit geral de 31 milhões, com saldo operacional no futebol de 134 milhões. Até aí, tudo bem, mas o passivo circulante é de 269 milhões e os déficits acumulados chegam a 169 milhões. Isto se aproxima de quase 500 milhões, sem contar as dívidas do Itaquerão.
3 – No Palmeiras, aonde o dinheiro não falta, mas os custos sobem cada vez mais, o superávit bateu em 89 milhões, que é a diferença entre receita e despesa. As despesas somaram 263 milhões. Isto sem falar nos 47 milhões líquidos da venda de Gabriel Jesus. O clube tem dois fidics – Fundo de Investimentos e Direitos Creditórios. Num deles, a conta passou de 100 milhões e o Palmeiras ainda deve 76 milhões a Paulo Nobre.
4 – Além disso, o Palmeiras tem a bomba-relógio da Arena, objeto de preocupação da empresa que auditou o balanço do ano passado. Essa história verdadeira da Arena um dia ainda será contada. Por enquanto, é um mistério que ninguém ousa tocar, nem o clube, muito menos a mídia. Hoje, tudo é festa. Afinal o patrocinador é forte e toda a vez que o cachorrinho da Crefisa dá seus pulinhos no comercial da Globo, cai mais dinheiro no cofrinho do porco da rua Turiaçu. O total do passivo (circulante e não circulante) é de 503.978 mil. E olhem que só um contrato de tevê com o Interativo rendeu 100 milhões, sendo que uma grande parte já antecipada.
5 – O São Paulo fez um superávit de 822 mil, vendeu jogos à tevê até 2024 e antecipou 60 milhões para tapar uma parte do buraco de 100 milhões de dívidas bancárias do ano de 2015. A mediocridade do time custou caro em 2016: 265.082 mil, mais 80 mil com pessoal e 35 milhões de direitos de imagem. As despesas operacionais do São Paulo somaram 392 milhões. E o clube ainda teve que pagar parte do FIDIC e mais 45 milhões pendurados na conta de capital de giro.
6 – O presidente Modesto Roma bateu no peito e comemorou um superávit de 54 milhões no Santos. Da televisão recebeu 295 milhões. A conta do Fundo Doyen é de 76 milhões, mais o pepino de 15 milhões da lavanderia Neimar e o balanço acusa 227 milhões de passivo a descoberto. Além disso, o Santos pegou um checaço de Giuliano Bertolucci de mais de 10 milhões. O superávit é um registro contábil. Só isso, nesse caso do Santos.
7 – Os marqueteiros comemoram esses números que vêm do dinheiro da televisão. Tudo bem, mas e como é que todo mundo está pendurado em dívidas e ainda se valeram dos parcelamentos do Profut, que são uma vergonha? Este é o retrato de um pobre futebol rico, que tanto encanta essa velhacaria de uma marquetagem de araque.





































































































































