Curso de árbitro da Federação Paulista terá sala exclusiva para mulheres

De acordo com a federação, dos 500 árbitros que atuam atualmente, apenas 14 são mulheres

De acordo com a federação, dos 500 árbitros que atuam atualmente, apenas 14 são mulheres

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São Paulo, SP, 24 – A Federação Paulista de Futebol (FPF) quer aumentar o número de árbitras atuando no Estado. Para isso, decidiu criar uma sala exclusiva para mulheres no próximo curso que vai oferecer, em setembro.

A segmentação está dando resultado. Desde segunda-feira, quando as inscrições foram abertas, 20 mulheres já mostraram interesse na carreira. Esse número já é maior a média do curso anterior quando apenas sete procuraram a entidade após um mês de inscrições. Para atrair as candidatas, a entidade fez uma campanha de comunicação dirigida para mulheres nas redes sociais com a figura da assistente Tatiana Camargo, que atuou no Mundial da França.

Os números são modestos, mas refletem a falta de árbitras no futebol paulista. De acordo com a federação, dos 500 árbitros que atuam atualmente, apenas 14 são mulheres: cinco apitam e nove são assistentes. “Buscamos algo diferente para tentar motivar esse grupo. A gente tinha um pouco de dificuldade para captar candidatas a árbitras. O número sempre oscilava entre 7% e 8% do total”, explica Carlos Augusto Nogueira Jr, diretor Escola de Árbitros Flávio Iazetti (Eafi) da FPF.

O cenário nacional não é diferente no que se refere à escassez de árbitras. No mês de maio, Edina Alves Batista se tornou a primeira mulher a apitar uma partida da Série A do Campeonato Brasileiro desde 2005.

Foto: Divulgação / FPF

Foto: Divulgação / FPF

CURSO
O curso oferece 50 vagas para homens e 50 para mulheres. O conteúdo é o mesmo, com exigências físicas e técnicas. Entre os pré-requisitos está apenas o grau de escolaridade. É preciso estar ter concluído o Ensino Médio ou estar cursando o 3º ano. Não existe uma meta específica de captação de novas árbitras. “Quanto mais, melhor. Para conseguir qualidade, a gente precisa de quantidade”, explica o diretor.

As árbitras vão apitar prioritariamente jogos do Campeonato Paulista Feminino, de acordo com a diretriz aplicada pela Fifa no Mundial da França, por exemplo, mas não há obrigatoriedade. As mulheres podem atuar no masculino assim como os homens podem apitar jogos do feminino.

DETALHES
Embora o curso não tenha limite de idade, a atividade possui algumas restrições, pois o árbitro encerra sua carreira 45 anos. Além disso, o árbitro não possui registro em carteira, como outras categorias. Ele trabalha como autônomo e recebe remuneração por partida. No caso dos árbitros internacionais, a remuneração é feita pelo torneio todo. Por isso, 90% dos árbitros paulistas possuem outra atividade remunerada. Os árbitros da CBF ganham cerca de R$ 2.900 num jogo da Série A e R$ 1.000 na Série D. Já os assistentes recebem cerca de 60% da remuneração dos árbitros.

Logo após o curso, o árbitro faz estágios nas categorias sub-11 e sub-13 do Campeonato Paulista. No final, ele recebe o diploma e pode ser inscrito no quadro da federação. Com o acompanhamento da área de Desenvolvimento da Arbitragem, com avaliações técnicas e físicas, ele vai ascendendo. O ápice da atividade, como trabalhar na Série A do Campeonato Brasileiro, costuma ser atingido em sete ou oito anos.