Além das quatro linhas, a cultura que une duas nações
O debate ganha ainda mais relevância neste mês, em que se celebra o Dia Internacional da Francofonia (20 de março).
e há 40 anos a equipe era predominantemente branca, as gerações campeãs de 1998 e 2018 trouxeram, respectivamente, 40% e 70% de atletas negros em seus elencos.
São Paulo, SP, 25 (AFI) – Enquanto os olhares do mundo se voltam para o gramado às 17h desta quinta-feira (26) para o amistoso entre Brasil e França, o espetáculo vai muito além do placar. O confronto, um dos últimos testes da Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo, serve como pano de fundo para uma discussão profunda sobre identidade, miscigenação e a influência da cultura francesa no Brasil — e vice-versa.
A “NOVA” FRANÇA: O CAMPO COMO ESPELHO DA SOCIEDADE
A seleção francesa de hoje é o retrato de uma transformação social. Se há 40 anos a equipe era predominantemente branca, as gerações campeãs de 1998 e 2018 trouxeram, respectivamente, 40% e 70% de atletas negros em seus elencos.
Essa evolução vai além das quatro linhas e está diretamente ligada a dois processos realizados nos anos 90: as rádios francesas foram obrigadas a partir de 1994 a preencher 40% de sua programação, em horário nobre, com músicas cantadas em francês; e a política de migração, que formou uma sociedade plural. Essa diversidade se expressou com força na cultura, especialmente na música, que reúne influências africanas, caribenhas e árabes, resultando em uma produção contemporânea rica e multifacetada.
O debate ganha ainda mais relevância neste mês, em que se celebra o Dia Internacional da Francofonia (20 de março), data dedicada a valorizar o idioma francês e a diversidade cultural dos países que o adotam. Nesse contexto, o futebol se reafirma como um espelho da sociedade, capaz de traduzir, dentro de campo, as múltiplas identidades que compõem a França atual.
CONEXÃO FLORIPA-PARIS: O PROJETO RENDEZ-VOUS
Em Florianópolis, essa ponte cultural é fortalecida pelo projeto “Rendez Vous – A Festa”. Viabilizada via Lei de Incentivo à Cultura, a iniciativa nasceu em 2022 com o objetivo de aproximar os clássicos franceses do público catarinense. À frente do projeto está a cantora e advogada Edith Gondin. Aos 56 anos, a “manezinha” une o rigor do Direito à sensibilidade artística e ao fôlego de triatleta, ela é, inclusive, assessora jurídica da Federação Catarinense de Triathlon. Com três passagens pela França desde 1993, Edith traz um olhar apurado sobre como a música francesa se transformou, acompanhando a evolução demográfica do país.
“O futebol e a música são linguagens universais. Assim como a seleção francesa se diversificou e ficou mais rítmica e potente, a música do país também bebe de fontes africanas e caribenhas, criando algo único que amamos interpretar aqui no Sul”, afirma Edith Gondin.
Paulo acarduelli







































































































































