Crônica FBA: Vitória mostra que empate não é bom negócio
Campinas, SP, 17 (AFI) – No cada vez mais consolidado calendário do futebol brasileiro, o campeonato nacional por pontos corridos se transformou no protagonista de todo esforço que os clubes fazem para planejarem seus elencos para o ano. Com as Séries A e B movimentando as torcidas em todo o país, o campeonato por pontos corridos está começando a fincar de vez suas raízes no calendário de nosso esporte bretão.
Após anos de discussões acerca das melhores fórmulas para os principais campeonatos do país, finalmente nosso calendário conseguiu chegar a um consenso. Temo hoje as Séries A e B, com 20 clubes cada. Durante oito meses as equipes se enfrentam, em jogos de ida e volta. No final, o melhor é o melhor, e pronto.
No caso da Série A, o vencedor leva a taça de campeão e os outros três melhores obtêm classificação para a Taça Libertadores. Os quatro piores são rebaixados. Na Série B, pode-se dizer que os que chegam nas quatro primeiras colocações são os ganhadores do título. Isto porque os mesmos garantem o acesso à Série A.
Com o fim das discussões sobre o que seria a melhor fórmula para os campeonatos nacionais, já que as competições por pontos corridos estão cada vez mais conquistando o torcedor brasileiro, são comuns agora os debates sobre o que uma equipe deve fazer para obter êxito em um campeonato desses.
A expressão “gordurinha” (pontos que um time coloca de vantagem sobre os adversários), do Luxemburgo, já ficou famosa, assim como os vários exemplos de “cavalos paraguaios” (equipes que, no começo do campeonato, disparam na tabela e não conseguem manter o mesmo ritmo).
Porém, o que mais do que nunca está sendo provado este ano, é que o resultado de empate pode e deve ser completamente descartado nas pretensões de qualquer equipe. E esta prova pode ser conferida no Campeonato Brasileiro da Série B. Após 19 rodadas, o Vitória da Bahia tem um incrível número de empates na competição: zero.
A torcida do Leão já deve estar acostumada a tantos extremos nos últimos anos. Se há pouco tempo o Vitória estava ainda na Série A, caiu rapidamente para a Série C, e agora está na Série B a um passo de voltar novamente para a divisão de elite do futebol brasileiro. A equipe ocupa a 4ª colocação, com 30 pontos, e continua sendo considerada uma das favoritas para integrar o tão sonhado G4, grupo dos quatro primeiros colocados na tabela de classificação que irão garantir vaga na Série A, em 2008.
É o time das goleadas. Construídas ou sofridas. Foi capaz de fazer 6×0 no Fortaleza na 12ª rodada e ver este placar se repetir duas rodadas posteriormente, contra o Brasiliense. Só que dessa vez, foi o goleiro do time baiano que foi obrigado a buscar a bola no fundo das redes, por seis vezes.
Com 9 derrotas na competição, só perdeu menos que Remo e Santo André, que estão na zona do rebaixamento. Em compensação, apenas os dois primeiros na tabela têm mais vitórias que o clube da Boa Terra.
Esta dubiedade da equipe não é tolerada por todos. O técnico Givanildo Oliveira não suportou a pressão e caiu após a sonora goleada sofrida para o Brasiliense. Mesmo estando em um bom lugar na classificação, o resultado desastroso em Brasília provocou um terremoto no clube baiano. O caminhão de gols sofridos não ficou impune. Mas uma pergunta também é muito pertinente: quando o Vitória goleou por 6×0 aumentaram o salário do Givanildo? Duvidamos.
Mais do que analisar a curiosa campanha do Vitória nesta Série B, o futebol brasileiro tem uma prova mais do atual de que os três pontos devem ser o objetivo único de uma equipe. Depois de uma Copa do Mundo de 2006 em que os magros placares de 1×0 e empates sem graça fizeram o torcedor dormir nas arquibancadas na Alemanha, criou-se a expectativa de uma espécie de nova ordem mundial para o futebol: o nivelamento por baixo das equipes, a força das defesas e o nefasto esquema 3-6-1.
Com seu futebol alegre e até mesmo arriscado, o Vitória tem mostrado que o futebol brasileiro não precisa se robotizar para continuar vencedor. Vida longa para o futebol do Vitória da Bahia!





































































































































