Crônica Fauzi Kanso: Fifi ou Pelé, quem foi o melhor?

Campinas, SP, 4 (AFI) – Em Campinas, nos anos 50, foi fundado o GAZETA ESPORTIVA, equipe de futebol que chegou a ser o terceiro time da cidade depois de Guarani e Ponte Preta. O Gazeta que ganhou quase todos os campeonatos varzeanos (ou amadores) que disputou e que chegou a participar da terceira divisão de profissionais, revelou grandes craques para o futebol brasileiro.

Nessa época o Guarani tinha um crioulinho rápido e cheio de ginga, que pintava como craque no infantil. Era FIFI, que, iniciando a carreira, trabalhava como entregador de carne de um conhecido açougue da cidade.

Todos os roteiros dominicais das entregas passavam pelo campo do Diocesano, onde o Gazeta mandava seus jogos, e FIFI estacionava sua bicicleta em frente ao vestiário e participava do jogo com um olho na bola, e outro na bicicleta.

Num domingo o horário não coincidiu com o intervalo da entrega e FIFI resolveu adiar o compromisso para participar pelo menos do primeiro tempo. Faria a entrega depois do jogo. Estacionou a bicicleta no local de sempre com o bagageiro cheio de filés.

FIFI jogou o primeiro tempo, marcou dois gols e quando foi pegar a bicicleta, uma surpresa desagradável: durante a comemoração de um dos gols, um espertalhão desconhecido aproveitou o momento de euforia e desapareceu com a carne. FIFI continuou jogando no Guarani, virou craque, mas, nunca esqueceu do Gazeta e do furto.

Nessa época, TUFIC NAME CHAIB, que era jogador e técnico do Gazeta, acompanhou a Ponte Preta num jogo contra o Santos na Vila Belmiro. Nessa partida o Pelé não jogou entre os titulares. Participou do jogo preliminar e fez miséria.

De volta à Campinas, Tufic disse ao irmão Pery, também jogador do Gazeta:

“O Santos tem um crioulinho que vai dar muito o que falar”.

– “É melhor que o FIFI ?”, perguntou Pery.

No que respondeu Tufic:

“Só é melhor porque é mais inteligente”.

O Tufic estava se referindo ao modo de cada um jogar. FIFI era mais driblador, um tanto quanto individualista. Pelé, não. Pelé driblava também, só que diferente de FIFI, tabelava com os companheiros e muitos e muitos gols eram conquistados de forma participativa.

Pelé é a história que todos conhecem. FIFI, para nosso orgulho, é a história viva do melhor esquadrão que já teve a Votuporanguense. E mais, para aumentar ainda mais nosso orgulho, FIFI adotou Votuporanga como sua terra e que lá vive até os dias atuais cercado de carinho pelos Votuporanguenses.

Raimundo; Nelson, Flávio, Vilmar e Alfredinho; Albano e Pita; Lupércio, Ismael, FIFI e Ivo. Dois grandes técnicos passaram por esta equipe: João Lima e Antônio Julião. Também não devemos nos esquecer dos craques Jorge de Freitas, Bugre, Português, Lopes e de tantos outros que marcaram a época de ouro do futebol da Votuporanguense.

Ah, sim. Voltando a pergunta quem foi melhor, claro que foi Pelé. Teve a carreira mais longa, jogou no grande time do Santos que possuía os melhores jogadores do Planeta e que ainda contou com a presença da televisão para gravar suas principais jogadas. Ao FIFI, coube apenas a lembrança das suas jogadas de mestre e algumas fotos em preto e branco.

Para mim, bairrista extremo que sou, FIFI, como jogador de futebol e acho até como exemplo, foi melhor, bem melhor que Pelé.

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