Crônica Especial: ATLETIBA 400, por Adriano Rattman

Ex-assessor revela como garantiu a festa do título do Coritiba em 2008 diante de polêmica

Confira os bastidores da final do Paranaense 2008: como o Coritiba deu a volta olímpica na Arena da Baixada com um troféu improvisado após polêmica.

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A final do Campeonato Paranaense de 2008, na Arena da Baixada, não foi só um jogo

Por Adriano Rattman

Curitiba, PR, 21 (AFI) – A final do Campeonato Paranaense de 2008, na Arena da Baixada, não foi só um jogo. Foi uma daquelas tardes em que o futebol ultrapassa as quatro linhas e revela muito sobre bastidores, poder e, principalmente, atitude.

Eu estava lá. Não apenas como espectador, mas como assessor de imprensa do Coritiba, e também como alguém que se recusou a aceitar um absurdo.

Naquele dia, circulava uma informação que, para mim, era inaceitável: a Federação Paranaense de Futebol havia levado o troféu para o estádio, mas não pretendia entregá-lo ao Coritiba, caso o time fosse campeão. A decisão, segundo se comentava, atendia a um pedido do então presidente do Athletico, Mário Celso Petraglia.

Ou seja: se o título fosse alviverde, não haveria taça.

Para quem vive o futebol de dentro, isso não é um detalhe. O troféu não é apenas um objeto. Ele materializa a conquista, eterniza o momento, dá forma à memória. Tirar isso de um time campeão é, no mínimo, desrespeito.

Foi ali que decidi agir.

Sem alarde, arrumei um troféu. Pequeno, simples, longe do oficial, mas carregado de significado. Coloquei dentro da minha mochila e fui para o jogo.

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Coritiba deu a volta olímpica na Arena da Baixada com um troféu que não veio da Federação

Eu estava credenciado para fotografar, circulando pelo gramado, acompanhando cada lance com a tensão de quem sabia que aquela final valia mais do que um título.

Antes de entrar, passei o troféu para a mochila de um colega cinegrafista, o Ricardo. Era uma forma de evitar qualquer problema na entrada. Lá dentro, seguimos trabalhando, como se nada estivesse acontecendo.

Mas eu sabia exatamente o que estava em jogo.

O apito final veio. O Coritiba era campeão.

E então, o cenário que já era esperado: jogadores prontos para comemorar, torcida em êxtase, e nenhum troféu à vista.

Foi nesse momento que entrei em cena.

Recuperei o troféu da mochila, caminhei até os jogadores e coloquei a taça nas mãos deles. Lembro do olhar de surpresa, da vibração imediata. Ali estavam Keirrison, Pedro Ken, Edson Bastos, Jeci, Carlinhos Paraíba, entre outros, entendendo naquele instante que o símbolo da conquista precisava existir, mesmo que não viesse de quem deveria entregá-lo.

E foi assim que aconteceu algo improvável: o Coritiba deu a volta olímpica na Arena da Baixada com um troféu que não veio da Federação, mas da iniciativa de quem não aceitou ver a história ser contada pela metade.

Pode não ter sido a taça oficial. Mas, naquele momento, isso pouco importava.

O que importava era o gesto. Era garantir que aquele grupo de jogadores tivesse o direito de celebrar como campeões, com tudo o que isso representa.

No futebol, muitas vezes, os bastidores não aparecem. Mas, de vez em quando, são eles que definem como uma história será lembrada.

E aquela, definitivamente, não poderia terminar sem troféu.