Crônica Diego Viñas: O Casamento de Romeu e Julieta
Dia de clássico entre Palmeiras e Corinthians sempre é um sinal amarelo para casais de namorados em que um torço pra um, e o outro, pro outro. Existem sempre três caminhos, bem claros, e quem passa por isso sabe muito bem: um é acontecer um empate, quando a harmonia e o jantar a dois estão garantidos. Os outros dois é que são terríveis.
Pra isso, peguem o exemplo dos namorados Tina e Digo. A primeira, palmeirense por influência do pai e, pouco amante do futebol, para irritar o namorado em momentos oportunos. Ele, já viram, leitores: corintiano doente, daqueles que dormem em lençol do time, mantém foto pendurada no quarto com camisa do Timão quando criança junto aos pôsteres de mil novecentos e nada. E é com este exemplo simpático que vamos àqueles outros dois motivos.
Na verdade, eles partem de um: a vitória de uma das partes. Quando o Corinthians ganha, festa! O louco e fanático pula, grita, liga pra namorada, fala um monte pra coitada que, naquele momento, assistia “Sex in the City” por esquecer que tinha clássico naquela tarde linda de sol e o namorado alucinado a lembrou daquele inferno. Digo sai pra beber com os amigos buzinando o carro com o hino “Salve o Corinthians…” no último volume. E a namorada, recuperada da ligação, retorna agora pro próximo episódio de “Friends”. Pois é, agora, reparem no que aconteceu neste domingo.
Na noite anterior, os dois resolveram dormir juntos para fazer valer todo o sofrimento que sabiam que iam passar logo mais. Ele, muito mais do que ela. Dia de sol, gostoso, e logo eles se despedem para o bem do relacionamento. Cada um na sua casa. Um assiste de cá, sentado em sofá preto e branco. E a outra de lá, com pipoca e refrigerante ligada no “The OC”, mas de cinco em cinco minutos trocava de canal na partida para se preparar psicologicamente no que virá depois daqueles irritantes 90 minutos.
Do sofá preto e branco para a mesa de centro. Foi o salto de nervoso que deu o fanático com o 1 a 0 do Verdão. Tina chorava, com o beijo romântico dos protagonistas no seriado americano. Sobrou pra cachorrinha que levou uma bicuda no segundo do Palmeiras na casa do fanático, agora irritado, corintiano. Na casa da palmeirense, irritação. Isso mesmo. Tina precisou fechar a janela de tanta gritaria de “gol”.
Fim de jogo. O Palmeiras ainda fez mais um. Chegou a hora do grande encontro do casal. Nada poderia resultar se não uma briga. O corintiano totalmente desequilibrado, enquanto que Tina só soube do resultado pela cara dele quando ela o viu. Para evitar o problema, uma vitória do Corinthians ou empate. Se isso aconteceu com fanatismo em uma das partes, imagina quando os dois são loucos pelos seus clubes?
Isso seria, porém, assunto para outro dia. O juiz apita. Por aqui, tristeza de Digo e alegria de ninguém. Salvem o Corinthians! Fim de papo!





































































































































