Crônica: A minha estréia no templo chamado Wembley

BernardoWembley 300Londres, Inglaterra, 02 (AFI) – Sexta-feira, dia 1º de junho de 2007, ficará marcada na história do futebol mundial e, principalmente, do inglês. A reestréia da Inglaterra no Estádio de Wembley contra a seleção mais temida do planeta proporcionou um momento único aos 88.750 torcedores presentes e, a pelo menos, um jornalista (foto). A minha estréia em um dos templos do futebol mundial e a festa da torcida estarão registrados na memória (inclusive a digital, com diversas fotos) para o resto da vida.

O estádio, por si só, já é um monumento arquitetônico, mas o que mais impressiona é a organização e a infra-estrutura. Caso tenham deixado o oba-oba de lado, certamente os presidentes Lula e Ricardo Teixeira perceberam que o Brasil tem que evoluir anos-luz para evitar um fiasco na possível Copa do Mundo de 2014.

Assim como vi recentemente no Estádio Olímpico de Berlim, palco da final da Copa do Mundo do ano passado, tudo ao redor de Wembley funciona perfeitamente. Com a estação de metrô Wembley Park em frente ao estádio, a chegada e a saída dos torcedores ocorre sem tumultos.

Diversas entradas fazem com que as filas na catraca sejam quase inexistentes e até quem deixa para chegar na última hora não encontra dificuldade em entrar. Após o jogo, cordões de isolamento formados por policiais dividem a massa em vários blocos, evitando uma super-lotação nos trens.

Dentro do estádio, a organização e a limpeza são impecáveis. Nem parece que quase 90 mil pessoas estão ali. A área de imprensa também merece elogios. Um local apropriado para que os profissionais possam exercer a sua profissão de forma correta, bem diferente do que ocorre em muitos estádios brasileiros, onde o amadorismo e a improvisação imperam.

Com a bola rolando, pude acompanhar o fanatismo da torcida inglesa, com direito a histeria coletiva pelo astro David Beckham. O retorno do meia à seleção não poderia ser melhor. O galã mostrou que sua perna direita ainda está calibrada e deu passes primorosos durante o momento em que ficou em campo, antes de ser substituído e ovacionado (mais uma vez) pela torcida. Na minha opinião, o melhor em campo, recompensado pela cobrança de falta que resultou no gol de cabeça de John Terry.

Pelo lado brasileiro, a análise que se dá para fazer é que Dunga ainda não conseguiu montar uma equipe forte para grandes desafios. Treinando apenas meia hora, um dia antes da partida, fica difícil mesmo entrosar uma seleção renovada. O gol de Diego, já nos acréscimos, acabou sendo um achado e jogou um balde de água fria na imensa torcida vermelha e branca. Melhor para a pequena mas barulhenta torcida brasileira, que deixou o estádio com sabor de vitória.

Minha invasão (e expulsão!) da disputada zona mista
Ao final da partida, um joguinho morno, diga-se de passagem, fui acompanhar a entrevista coletiva em uma sala destinada aos jornalistas menos sortudos, que não conseguiram a desejada credencial da zona mista, onde rolam as verdadeiras entrevistas. A entrevista de Dunga, junto com um tradutor, foi pra lá de chatíssima e não durou mais do que cinco minutos.

A sorte, porém, sorriu pra mim logo que o treinador se calou. Ao caminhar para conversar com o assessor Rodrigo Paiva, acabei passando a barreira dos seguranças e fui parar na zona mista. Junto comigo, outros penetras, dois jornalistas espanhóis, que perguntaram ao Rodrigo se poderíam ficar por ali. O sinal foi amarelo – “por mim tudo bem, o problema é com os seguranças”, advertiu o assessor. Sem perder tempo, me infiltrei entre os jornalistas para que os brucutus não me flagrassem.

No local mais concorrido para entrevistas, quem falava à imprensa internacional eram os meias Lampard e Gerrard. O mais legal, porém, foi ver que nesta hora até quem tem anos de estrada vira fã. Esperando os jogadores brasileiros, o repórter Mauro Naves, da Rede Globo, não perdeu a oportunidade de tirar uma foto com Beckham, assim que o meia apareceu para ser entrevistado. Eu, na dura missão de clicar o craque e driblar a segurança, consegui apenas uma foto pra lá de tremida. Logo em seguida, acabei descoberto por um segurança e “convidado” a me retirar… era o fim de uma noite pra lá de especial.