Corinthians tem parte da premiação da Copa do Brasil bloqueada pela Caixa

Timão tem dívidas junto à estatal, que reteve praticamente metade do valor líquido faturado depois de título nacional

Corinthians faturou aproximadamente R$ 70 milhões líquidos e banco reteve praticamente metade por dívidas

Presidente Corinthians busca reverter bloqueio
Osmar Stábile iniciou conversas com banco para mudar cenário (Foto: Rodrigo Coca - Agência Corinthians)

São Paulo, SP, 02 – O Corinthians teve parte da premiação pelo título da Copa do Brasil retida pela Caixa Econômica Federal. O banco bloqueou cerca de R$ 35 milhões, equivalentes à metade do valor líquido pago pela CBF por causa da conquista da competição.

NA BASE DO DIÁLOGO

O presidente corintiano Osmar Stábile tem conversado com o presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes, para conseguir a liberação do valor, fundamental para o planejamento financeiro do clube em 2026. A informação foi publicada inicialmente pelo UOL e confirmada pelo Estadão.

Em sua defesa, o Corinthians argumenta que o banco estaria utilizando receita de 2025 para abater juros cujo vencimento ocorreria apenas em 2026. A Caixa, por sua vez, defende a legalidade da retenção com base nos contratos de cessão fiduciária firmados junto ao clube.

O Corinthians tem dívida com a Caixa que supera os R$ 600 milhões, esta referente à construção da Neo Química Arena. Em 2022, durante a gestão de Duílio Monteiro Alves, o clube fez acordo de renegociação da pendência e ofereceu, como garantia, receitas como aluguel do estádio, bilheteria e outros recebíveis.

Corinthians tetracampeão Copa do Brasil
Timão levou a melhor ante o Vasco e venceu pela quarta vez (Foto: Rafael Ribeiro – CBF)

Para se proteger contra inadimplência, a Caixa pode reter qualquer recebível previsto no contrato, já que o trato estabelece como garantia juros futuros e correções, independentemente do ano em que vencem. A estatal foi procurada e não respondeu aos contatos da reportagem.

PAGAMENTOS

A CBF pagou R$ 77 milhões pelo título da Copa do Brasil ao Corinthians, que tem direito a receber R$ 69 milhões já descontando os impostos, mas não os recebeu pois a Caixa bloqueou metade dessa quantia. A diretoria prometeu cerca de R$ 34 milhões aos atletas como bônus pela conquista, já o restante deve ser usado para abater débitos, buscando derrubar o transfer ban imposto pela Fifa.

Punição, aplicada em agosto do ano passado, impede os alvinegros de registrarem novos atletas por três períodos de contratação. Esta foi imposta devido ao não pagamento de R$ 40 milhões ao Santos Laguna devido à aquisição do zagueiro equatoriano Félix Torres.

DEFESA DE DUÍLIO MONTEIRO ALVES

Presidente do Corinthians na época da renegociação com a Caixa, Duílio se posicionou, por meio de nota divulgada à imprensa, que o montante só foi retido pela Caixa porque há parcelas em aberto. Leia abaixo o conteúdo na íntegra:

Ex-presidente Corinthians posicionamento
Mandatário alvinegro durante período da negociação dá sua versão (Foto: Rodrigo Coca – Agência Corinthians)

“Durante a minha gestão, celebramos um acordo muito saudável entre Corinthians e Caixa Econômica, que reduziu de R$ 3 bilhões para R$ 700 milhões uma contingência que o clube tinha a respeito da Neo Química Arena.

No nosso último ano de gestão, quitamos R$ 80 milhões referentes a esse acordo. Esse pagamento deveria continuar sendo priorizado nos anos seguintes à minha saída. Se alguma receita listada como garantia foi bloqueada, isso lamentavelmente significa que alguma parcela vencida está em aberto.

Sobre nossa gestão, cabe apenas mencionar que reduzi a dívida com a Caixa – que não foi contraída por mim – e que pagamos a primeira parcela, mostrando, em 2023, que o acordo era factível. Fizemos uma transição pacífica ao fim de 2023 com o presidente então eleito e tudo isso foi explicado.

A Neo Química Arena é um dos maiores orgulhos da Fiel e sempre será. Por isso, é preciso fiscalizar e combater a tática mesquinha de demonizar e descumprir os acordos que viabilizaram a quitação do nosso estádio, especialmente quando ela é empregada para justificar as irresponsabilidades administrativas que se seguiram, rasgando acordos como se não fossem positivos, além de piorar sensivelmente a saúde financeira de um clube que, de 2021 a 2023, apresentou três superávits”, disse.

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