Corinthians corta 60% dos custos da base e tenta recuperar formação prejudicada por falta de jogos
Reestruturação reduziu elencos e quadro de funcionários
Erasmo Damiani chama período longe de torneios de “segunda pandemia”
São Paulo, SP, 19 (AFI) – O Corinthians reduziu em 60% os custos com a folha salarial e a estrutura das categorias de base durante o primeiro ano de trabalho de Erasmo Damiani no departamento. A reformulação envolveu diminuição dos elencos, cortes de funcionários e revisão de funções. Agora, o desafio é transformar a reorganização financeira em melhores condições para formar jogadores.
Os números foram apresentados pelo executivo em entrevista ao UOL. A redução do quadro de funcionários foi de aproximadamente 13%, enquanto a economia mais ampla considerou também despesas com atletas e manutenção da operação. Segundo Damiani, uma das categorias chegou a reunir cerca de 60 jogadores.
A avaliação começou depois de sua chegada, em outubro de 2025, com um diagnóstico sobre o funcionamento dos setores. Os primeiros cortes ocorreram entre novembro e dezembro e atingiram funções consideradas sobrepostas e grupos com mais atletas do que o departamento entendia ser necessário.
CUSTO ALÉM DO SALÁRIO
A revisão dos elencos levou em conta despesas que ultrapassam bolsas e remunerações. Alimentação, transporte, alojamento, uniformes, atendimento de saúde e suplementação também compõem o custo de cada jogador em formação.
Em março, a Itatiaia já havia informado que a diretoria projetava uma economia anual próxima de R$ 8,9 milhões com a reestruturação. O cálculo incluía dispensas, rescisões, redução de funcionários e o encerramento da categoria sub-18. Trata-se de uma estimativa daquele momento, distinta do percentual apresentado agora por Damiani.
O executivo também reconheceu, em entrevista ao ge em setembro, que a captação de talentos ainda precisava avançar. A intenção de ampliar a busca por jogadores esbarrava nas restrições financeiras, exigindo aproveitamento dos atletas já disponíveis e integração entre as categorias.
O PREJUÍZO DE FICAR FORA
A reorganização ocorreu em meio aos efeitos do afastamento do Corinthians do Movimento de Clubes Formadores. O clube havia sido excluído após uma denúncia do Palmeiras por suposto aliciamento de Pedro Morelli e retornou ao grupo em agosto, depois da rescisão com o jovem.
Damiani comparou o período de perda de competições a uma “segunda pandemia”. “A diferença é que a primeira foi para todo mundo, enquanto essa segunda pandemia foi só para o Corinthians”, afirmou ao UOL.
Em setembro, o dirigente disse ao ge que o clube havia deixado de disputar 38 competições importantes desde 2025. Sua preocupação envolve a perda de oportunidades de enfrentar adversários de outras escolas e acumular experiência em diferentes situações de jogo.
A próxima etapa, portanto, exige mais do que manter despesas menores. O Corinthians precisa recuperar espaço nas competições, melhorar a captação e dar sequência ao desenvolvimento dos jovens. “Não estamos formando só atletas, estamos formando treinadores, preparadores físicos, roupeiros, todo mundo aqui”, declarou Damiani ao ge.





































































































































