Corinthians 2024: o que esperar após saída de medalhões e entrada de novo presidente

Timão inicia reformulação no elenco se despedindo de velhos conhecidos e busca contratações em todas as posições

Augusto Melo assume o Corinthians após derrotar André Negão nas eleições, encerrando um período de 16 anos do grupo de Andres Sanchez

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Corinthians negocia venda parcial da arena - Foto: José Manoel Idalgo

São Paulo, SP, 28 – Ano novo, vida nova. Pelo menos é isso o que o torcedor do Corinthians espera para 2024. Depois de uma temporada decepcionante, com eliminação precoce na Copa Libertadores e a luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o time do Parque São Jorge terá mudanças significativas para a próxima temporada. Medalhões do elenco corintiano já se despediram ao mesmo tempo em que o recém-eleito Augusto Melo trabalha para fortalecer o elenco e mudar a imagem do clube perante ao mercado.

Antes de a diretoria do Corinthians iniciar o planejamento para a temporada 2024, os sócios do clube foram às urnas para eleger o novo mandatário. Em um pleito marcado por ameaças e acusações, o opositor Augusto Melo derrotou André Luiz Oliveira, mais conhecido como André Negão, encerrando um período de 16 anos do grupo de Andres Sanchez no comando do clube. Em período de transição, o presidente apresentou um discurso de reformulação total, incluindo elenco e outros setores do clube. O técnico Mano Menezes foi bem avaliado internamente e será mantido. A ideia é de que o treinador participe do processo de renovação da equipe.

Visando o rejuvenescimento do elenco, o Corinthians decidiu pela não renovação do contrato de alguns medalhões. Renato Augusto (35 anos), Giuliano (33) e Gil (36) não ficam para 2024. O primeiro está acertado com o Fluminense, enquanto os outros dois vão reforçar o Santos. Há também o caso do lateral-esquerdo Fábio Santos, que pendurou as chuteiras, aos 38 anos. O volante colombiano Cantillo, este mais jovem, tem vínculo somente até o fim de dezembro e não está nos planos da comissão técnica.

Paulinho é outro jogador que não teria o contrato estendido, mas o volante de 35 anos rompeu o ligamento do joelho esquerdo – o mesmo lesionado no ano passado – e disse adeus à temporada em maio. Como a lei obriga o clube a dar suporte durante toda a recuperação de um atleta que sofre acidente de trabalho, a diretoria pode ser obrigada a renovar com o jogador por mais alguns meses após dezembro.

Porém, o convívio no departamento médico e a idade avançada pesam contra a hipótese de um vínculo mais longo. O caso se assemelha ao de Ruan Oliveira, que não estava tendo chances com Mano e seria devolvido ao Metropolitano-SC. Porém, o meia de 23 anos acabou sofrendo lesão grave no joelho justamente na última rodada do Brasileirão. Assim, o Corinthians também deve ficar com o atleta até a sua plena recuperação.

O goleiro Cássio, de 36, chegou a ter a saída especulada, mas o rumor rapidamente foi rechaçado por Rubens Gomes, mais conhecido como Rubão, novo diretor de futebol do Corinthians. O dirigente, inclusive, prometeu uma postura agressiva do clube na janela de transferências e um time forte na próxima temporada. “Acabou a farra de Palmeiras, Flamengo. Nós vamos brigar com eles de igual para igual”, disse, em entrevista à Rádio Bandeirantes.

“O que eu posso falar: o Corinthians será um time competitivo, não tenho a menor dúvida. A metodologia mudou. Hoje estamos consultando uma central de mercado, que nos dá todas as estatísticas do jogador que queremos. Nós sentamos com o Mano, analisamos o que ele queria e estamos no mercado trabalhando dessa forma”, afirmou Rubão.

ALVOS PARA 2024

Com exceção do gol, o Corinthians está de olho em contratações para todas as posições. Além da saída dos medalhões, o clube terá a baixa do atacante Pedro, já negociado com o Zenit (RUS) por 9 milhões de euros (cerca de R$ 46,7 milhões) e que deixará o time em fevereiro, quando completa 18 anos, e do zagueiro uruguaio Bruno Méndez. Valorizado, o defensor teve promessa de renovação em junho, mas o acordo acabou não acontecendo. Ele acertou com o Granada, da Espanha.

O Corinthians tenta a permanência do volante Maycon, mas encontra dificuldade na negociação com o Shakhtar Donetsk. Os ucranianos não estão inclinados a aceitar um novo empréstimo e pedem cerca de 4 milhões de euros (R$ 21,4 milhões) para negociá-lo em definitivo. O clube também sonha em repatriar o zagueiro Robert Renan, envolvido na negociação pela compra de Yuri Alberto junto ao Zenit, e tem a concorrência do Internacional pelo defensor de 19 anos.

Outros jogadores na mira do Corinthians são o lateral-esquerdo uruguaio Matias Viña, ex-Palmeiras e atualmente na Roma – também no radar do Flamengo – e o meia-atacante Alan Patrick, do Inter. Ambos os negócios são considerados complicados. Porém, o nome especulado que mais chama atenção é o do atacante Gabriel Barbosa. Gabigol teve uma temporada ruim no Fla, alternando entre a vaga de titular e o banco de reservas e acumulando desentendimentos com a diretoria. Apesar do interesse corintiano, a diretoria rubro-negra já avisou que não vai se desfazer do seu ídolo facilmente e que ele está nos planos do técnico Tite para 2024.

“Os presentes estão muito bem guardados e vocês receberão no dia 2 de janeiro”, afirmou Augusto Melo, em suas redes sociais. Sobre a demora em anunciar reforços, o presidente explicou: “Você está muito ansioso. Eu só serei presidente para apresentar soluções no dia 2. Até lá relaxe e curta as festas. Seu presidente está trabalhando em sigilo”.

Destaque em 2023, o volante Gabriel Moscardo, de 17 anos, é cobiçado por times da Europa, como Chelsea e Paris Saint-Germain, e deve acertar com o clube francês. O Corinthians espera faturar pelo menos 30 milhões de euros (R$ 157,9 milhões na cotação atual) com o jovem, que pode se tornar a venda mais cara da história do clube paulista.

DÍVIDA

O sucessor de Duílio Monteiro Alves vai contar com uma receita de quase R$ 1 bilhão, mas com uma dívida quase no mesmo valor, além da missão de chegar a uma acordo com a Caixa Econômica Federal para a quitação do estádio, o que já está bem encaminhado. O clube teve arrecadação recorde de R$ 1 bilhão e fechará o ano com uma dívida de R$ 850 milhões, deixando em caixa R$ 150 milhões para o presidente que assumir. Foi alegado um pagamento de juros muito altos para o crescimento da dívida – quase R$ 400 milhões no período em que esteve à frente do Corinthians.

Segundo o “Relatório Convocados 2023: Finanças, História e Mercado do Futebol Brasileiro”, desenvolvido pelo economista Cesar Grafietti, em parceria com a OutField e Galapagos Capital, e publicado em junho deste ano, o Corinthians iniciou o ano com a segunda maior dívida do futebol brasileiro (R$ 1,02 bilhão). De acordo com o estudo, o clube levaria cerca de nove anos e meio para quitar todas as pendências financeiras.

A gestão de Duílio foi marcada pela austeridade, com uma diminuição de 6% da dívida total, mas também pela falta de títulos, fazendo dele o primeiro mandatário corintiano a não erguer nenhum troféu. Quem assumir a presidência vai pegar o clube com uma receita maior do que a dívida. Logo, terá a missão de manter o passivo equacionado e, ainda, fazer a equipe voltar a ser protagonista dentro de campo.

ACORDO COM A CAIXA PELA ARENA

Uma das maiores dores de cabeça do Corinthians nos últimos anos é a dívida de R$ 611 milhões com a Caixa Econômica Federal pelo financiamento da construção de seu estádio, a Neo Química Arena, palco da abertura da Copa do Mundo de 2014. Em julho do ano passado, as partes chegaram a um acordo para um projeto de quitação da pendência durante os próximos 20 anos. São R$ 300 milhões provenientes da negociação dos naming rights à Neo Química e os outros R$ 311 milhões, em prestações de aproximadamente R$ 16 milhões.

O clube tem conversas com o banco estatal pela venda de parte da arena para se livrar do pagamento de juros, mas sem abrir mão de ser sócio majoritário do empreendimento. O Corinthians deseja manter 51% das cotas do fundo de investimentos do estádio e disponibilizar 49% ao mercado financeiro. A ideia é de que o banco estatal fique com um porcentual maior das cotas e uma parte menor seja oferecida a investidores na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo). Isso permitiria a qualquer investidor, incluindo torcedores de outros clubes, comprar ações da Neo Química Arena. Os donos das cotas receberiam dividendos proveniente de todas as receitas do estádio (bilheteria, alugueis de espaços comerciais, eventos, etc).

Caso o negócio avance, deverá ser concluído apenas em 2024, quando inicia a nova gestão do clube. O tema é considerado de suma importância e a finalização do acordo é vista como fundamental para manter as dívidas do clube equacionadas. A expectativa é de que o assunto seja resolvido ainda no primeiro semestre. A agremiação diz que a quitação da dívida está alinhavada.

Rodrigo Sampaio