Copa São Paulo perde o brilho com desmandos da Federação

Campinas, SP, 2 (AFI) – Outrora a competição mais badalada da categoria juniores do Brasil, começa neste final de semana a edição da 40.ª Copa São Paulo de Futebol. Ela deixa de ser chamada de júnior, por envolver, desde o ano passado, garotos de 15 a 18 anos. No total serão 163 jogos, disputados em 22 sedes ou cidades diferentes.

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A primeira rodada vai ter 12 jogos no sábado, 28 no domingo e mais quatro na segunda-feira. O Figueirense-SC é o último campeão e o novo será conhecido no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, na final marcada para o Estádio do Pacaembu.

Não existe mais a esperança de que aparece nos gramados paulistas um novo volante clássico como Falcão ou Toninho Cerezo, vistos na década de 70, ou ainda um artilheiro como Casagrande, que balançou as redes e sua vasta cabeleira nos anos 80. Muito menos um versátil Dener, que brilhou com a camisa da Portuguesa, campeã em 1991.

Politicagem e inchaço
Vários fatores foram determinantes para a queda de qualidade técnica da competição. Um deles é o inchaço provocado pela Federação Paulista de Futebol (FPF), a sua organizadora. São 88 clubes participantes (42 paulistas), onde nem sempre vale a tradição do clube, trocada pela influência política. Tanto que a primeira fase serve, basicamente, para eliminar os times considerados coadjuvantes.

MarcoPolo 0004 130Outro aspecto, adotado ano passado, é a diminuição da idade dos atletas, limitado aos 18 anos. Um grande erro do presidente Marco Polo del Nero (foto), que vem acumulando vacilos. Desta vez, a própria FPF reconheceu que não se trata mais de uma disputa de juniores, mas da categoria Sub-17. Assim, na denominação da competição, não existe mais a palavra “Júnior”.

Sem expectativa
Por causa da mudança é cada vez menor a chance de um destes garotos vestir, em pouco tempo, a camisa profissional de seu time. Antigamente, muitos deles já tinham até atuado nos times principais. Aliado a estes aspectos, existe ainda o êxodo cada vez mais precoce dos atletas para o exterior.

Na ânsia de chegar ao sucesso e aos lucros, os clubes se descuidaram na formação física, técnica e tática dos atletas, desestimulados pelos efeitos perversos da Lei Pelé, que entre outras coisas, desconsiderou o clube formador e fortaleceu a figura do empresário ou do procurador.

Mesmo assim, a imprensa nacional acompanha a disputa com muita disposição, certamente, cansada de tantos dias de folga gerados pela falta de competições no mês de dezembro. A cobertura terá, além de emissoras de rádios do Brasil, de televisões a cabo – Sportv e Espn Brasil – e de alcance nacional – Rede Vida e Rede Família, além da Rede Globo, que transmitirá a decisão.

Todos os vencedores
Com seis conquistas (1969, 1970, 1995, 1999, 2004 e 2005), o Corinthians é o maior vencedor da Copinha. Logo em seguida vem o Fluminense com cinco e o Internacional com quatro.

Atlético Mineiro tem três conquistas seguido de Portuguesa, São Paulo, Nacional e Ponte Preta com duas. Figueirense (atual campeão), Cruzeiro, América-SP, Santo André, Barueri (antigo Roma), Paulista, América-MG, Guarani, Vasco da Gama, Flamengo, Juventus, Santos e Marília, com uma cada.