Copa Paulista: Eliminação precoce expõem crise interna do São José
Ex-jogador e ídolo da torcida, Renato Santiago, publicou em suas redes sociais a indignação com a gestão do clube
Ex-jogador e ídolo da torcida, Renato Santiago, publicou em suas redes sociais a indignação com a gestão do clube e recebeu uma resposta do gestor Antônio de Pádua
São José dos Campos, SP, 03 (AFI) – Eliminado precocemente da Copa Paulista de uma forma bruta, sofrendo uma goleada por 5 a 0 para o Nacional, o São José vivencia uma crise que vêm sendo exposta ao torcedores cada vez mais. mais do que salários atrasados, os jogadores convivem com uma estrutura amadora e sem apoio dos dirigentes
Após a derrota, o primeiro a analisar a eliminação sem papas na língua foi o meio-campista Bruno Celeste. O jogador comentou com desdém a participação da equipe em campo, mas apontou como principal fator para o desempenho negativo a situação no clube nos bastidores.
Segundo Celeste, apesar dos jogadores estarem dispostos a fazer um trabalho correto, os fatores extracampo afetavam demais a conduta em campo. Com semanas conturbadas, além de salários atrasados e dispensas relâmpago de jogadores, o jogador também ressaltou a falta de estrutura do clube, tanto para os treinamentos, como para alimentação, transporte e até mesmo uniformes.
Vivendo uma situação extremamente difícil, Celeste lembra que os jogadores entram em campo desmotivados pelos acontecimentos durante a semana e os variáveis problemas. De acordo com o jogador, a partir do momento em que as relações extracampo começaram a dar errado, isso começou a refletir dentro de campo, prejudicando a todos os jogadores. Celeste preferiu não citar nomes, mas ressaltou que apesar de ainda haver uma pendência, a questão dos salários atrasados já foi acertada com 14 jogadores do elenco que são responsabilidade de Antônio de Pádua, parceiro e gerente administrativo do clube.
O restante do pagamento dos demais jogadores da equipe, segundo o gerente, são sob a responsabilidade de outros parceiros do São José e até mesmo do próprio clube.
ESTRUTURA
Inicialmente treinando no Centro de Treinamento do Atibaia durante a pré-temporada da Copa Paulista, o São José voltou a cidade pouco antes da estreia na competição, após uma decisão entre a comissão técnica e os jogadores.
Um dos principais motivos de reclamação do elenco, devido a falta de estrutura, o gerente ressalta que a responsabilidade é inteiramente da Águia do Vale. Segundo ele, ao retornar para o CT em São José dos Campos, os jogadores tinham consciência dos problemas que existiam.
Ao ser perguntado a respeito das medidas a serem tomadas em meio às polêmicas, Pádua afirmou estar preparando relatórios para serem apresentados ao clube, para ficar transparente os problemas existentes. Possuir um centro de treinamento profissional e com a estrutura necessária para um bom trabalho é a prioridade do gerente no momento.
TROCA DE FARPAS
A situação do clube está sendo observada de longe não só por torcedores, mas também por antigos jogadores e ídolos do clube. Após a goleada por 5 a 0 na última quarta-feira, o ex-atacante Renato Santiago, ídolo da Águia, publicou em suas redes sociais um desabafo sobre a situação atual do São José e questionou o futuro do time.
“Indignado! O que estão fazendo com a história do nosso time? Começo a me questionar se pessoas lá de dentro não tem um real interesse em acabar com o clube. É uma vergonha, entrar num campeonato como a Copa Paulista, de nível técnico sofrível, e passar vergonha dentro de casa, levando 5 do Nacional. Nesse campeonato, ou entra pra ganhar ou não entra. Como pode brincar com um patrimônio da cidade? O que é isso? Está dando nojo ver o que estão fazendo com o clube, como a cidade (administração) o abandonou e faz tudo para afundar ainda mais. Ou acontece algo muito novo ou vão acabar com o clube. Para nossa tristeza”, relatou.
Após a publicação, Antônio Pádua se prontificou para justificar a crise existente.
“Não me lembro de ter preparado um time para perder, sei o quanto dói para o torcedor apaixonado ver seu time neste estado, e está na hora de vocês que “dizem amar o São José”, realmente mostrarem. Porque até que me provem ao contrário eu lutei e continuarei lutando por esta agremiação desde antes desta competição. Falar é fácil, mas ir a um secretário de esportes e mostrar a necessidade de colocar um time em campo sem ter de pagar R$ 12 mil de aluguel de um estádio, só eu que fui, e enfrentar a possibilidade de não ter um centro de treinamento decente com tantos campos públicos só eu sei, saber que não temos uma cozinha com a qualidade e necessidade que os atletas precisam só eu sei, mas ninguém pode dizer que passou fome, nem que dormiu mal, não ter um parceiro para o transporte nos deslocamentos dos atletas para a realização dos trabalhos de treinos e físico, só eu sei, não ter uma academia parceira na cidade, só eu sei, e hoje posso dizer que sei o custo disso tudo porque é a minha empresa que está pagando agora para os “espertos” de plantão. Como poderemos ter lucros se o time não rende em campo o que esperamos , então só temos prejuízos e, só eu sei”, comentou.
O gestor aproveitou para convidar o ex jogador a auxiliar no futuro na gestão do clube.
“Sei o profissional que você foi e é até hoje e me coloco à disposição para fazermos um trabalho sério e buscar o melhor ao São José, sem tendências e transparente, porque até que o presidente me destitua tenho de preparar o time para Série A3 de 2016”, finalizou.
Apesar do amor ao clube, Renato Santiago respondeu ao comentário de Pádua dizendo estar aberto a auxiliar, mas ressaltando os problemas internos do clube, que o desmotivam.
“Vou ser muito sincero com você. Tenho um grande amigo aí dentro que é o Rocha (zagueiro do São José), e ele sempre me disse que você é um cara muito do bem e eu acredito, pois pegar um time nessa situação que está, tem que ter no mínimo coragem. (…) Questiono a diretoria porque em dois anos, rebaixou o time e disputou uma A3 com 18 jogadores sem as mínimas condições de exercerem suas funções e que agora é eliminado de uma Copa Paulista com duas rodadas de antecedência, tomando 5 do Nacional em casa. Sei muito bem como funcionam as coisas aí dentro e por isso não participo. Sempre me ligam pedindo ajuda, e com todo prazer faço, porque amo esse clube que me revelou, mas depois chegam outros e os contatos acabam. Temos muitas cabeças boas na cidade, mas infelizmente não são valorizadas. Sempre estarei aberto a ajudar, desde que joguem limpo”, finalizou.
Agora na competição apenas para cumprir tabela, o São José volta a campo para mais duas partidas, sendo a primeira delas no próximo sábado, às 19 horas, quando visita a equipe do Osasco Audax.





































































































































