Conversa de Mineiro, não. É o Itaquerão e Lava-Jato
Só essa conversa não serve para alguém que queira examinar as coisas do Corinthians extracampo
Só essa conversa não serve para alguém que queira examinar as coisas do Corinthians, extracampo, porque lá dentro, graças ao trabalho de Tite, vai tudo muito bem.
“É preciso fazer a conversa de mineiro, isto é, não levar a conversa até o fim. Se você levar a conversa até o fim, ela se enrola, não há saída”.
A frase é de Afonso Arinos de Melo Franco, político mineiro. Só essa conversa não serve para alguém que queira examinar as coisas do Corinthians, extracampo, porque lá dentro, graças ao trabalho de Tite, vai tudo muito bem.
Aliás, as questões maiores e mais importantes não podem virar conversa de mineiro porque algumas coisas estão enroladas e o Conselho Deliberativo não se cansa de comer enrolado. No começo do mês passado, quando convocaram o Conselho para explicações sobre a situação do Itaquerão pouco ou quase nada evoluiu.
Pelo contrário: ficou-se sabendo que o contrato do pagamento da dívida dá ao Corinthians dois anos para cumprir metas, isto é, é obrigatório que o Corinthians faça um faturamento de mais de 120 milhões ao ano para garantir o pagamento ao fundo de investimentos e, este, por sua vez, deve depositar os valores na Caixa Econômica.
No ano passado, a receita do Itaquerão ficou em 90 milhões e, conforme disseram no Conselho, e esta coluna publicou, sobraram só 34 milhões para a amortização mensal em torno de 5,7 milhões. E se a meta não for cumprida neste ano, pelo contrato, o Corinthians perde seu direito à vaga no Fundo de Investimentos e a Caixa pode assumir em seu lugar como administradora do estádio.
Sabe-se que o Corinthians pediu a readequação do contrato. Não se sabe como está a situação porque falta transparência e o Conselho é de uma omissão inaceitável e, aliás, cada conselheiro deveria ser responsabilizado através de uma lei, quando não fiscaliza seu clube pra valer. Naquela última reunião do CD anunciou-se que o presidente Roberto Andrade teria uma definição sobre o naming rights brevemente. As águas de março passaram e nenhuma solução apareceu. Pior para o clube porque esse dinheiro – 400 milhões – seria uma receita importante para pagar o investimento.
No próximo dia 18, o Conselho vai examinar as contas do ano passado. Claro que vão aprovar porque conselheiro, salvo exceções, é sempre omisso. A história do estádio precisa ser resolvida porque o país mudou e hoje não dá para levar na conversa, isto é, barrigar para não pagar financiamentos. CPIs não faltam e a Lava Jato pode chegar de repente.
Aliás, existem algumas questões que os conselheiros independentes poderiam cobrar na próxima reunião do CD, além da questão do pagamento das dívidas do estádio. A Gaviões tem pedido uma prestação de contas do Itaquerão. Mas é uma voz isolada.
Os conselheiros poderiam, por exemplo, fazer alguns questionamentos que caíram no esquecimento, a saber:
1 – Que fim levou a auditoria do arquiteto do clube que iria apurar se houve ou não superfaturamento nas obras do Itaquerão? Se houve over price, a construtora embolsou ou o dinheiro teve outro destino?
2 – Como ficaram as denúncias de que André Luis de Oliveira recebeu 500 mil como propina da construtora? O Corinthians fez alguma apuração interna ou vão esperar que a Lava-Jato faça o serviço? Não será pior se a Polícia Federal provar que a propina realmente existiu? E se surgir outro beneficiário da propina?
3 – Por que o clube não procura esclarecer os fatos? Por que, por exemplo, não esclareceram aquela história do filho de Lula, que recebeu milhões por serviços não prestados ao clube? Luis Paulo Rosenberg confirmou que Lulinha não trabalhou e recebeu uma bolada do clube. Rosenberg mentiu? Cabe ao Corinthians esclarecer os fatos.
4 – E a filha de Zé Dirceu trabalhou ou não e recebeu do Corinthians? O argumento de que ela era uma funcionária terceirizada não esclarece nada, até porque, ao contrário do que se diz, funcionária terceirizada tem salários diferenciados e sobre seus ganhos existem outros custos que não os direitos trabalhistas.
5 – O clube precisa ter transparência e os conselheiros não podem ser coniventes com nada. Até por que, e se a Lava Jato baixar no Itaquerão e descobrir coisas erradas? É hora do Conselho exercer seu poder de fiscalização. A omissão também é crime. Por isso, essa conversa de mineiro não pode dissimular a verdade. Por que, no fim, o rolo poderá ser maior.
E X T R A P A U T A
1 – A sindicância contra Luis Gonzaga Beluzzo no Palmeiras está pronta para ser votada no Conselho. A Comissão de Sindicância recomendou a cassação dos direitos de Beluzzo como sócio do clube. Isso quer dizer eliminação.
2 – Outro verde que será punido no Palmeiras é o ex-presidente Tirone. Sua Pena será suspensão de um ano.
3 – Vão cassar o título de Lula de conselheiro vitalício do Corinthians? E Zé Dirceu terá o mesmo caminho? Duvidamos disso. Até porque certas carteirinhas de sócios são esquentadas….





































































































































