Conheça Sérgio Papellin, o homem que levou o Fortaleza da Série C para a Série A
Em entrevista exclusiva ao Portal Futebol Interior, ele contou toda a sua trajetória no futebol
A campanha meteórica do Fortaleza da Série C para a Série A do Campeonato Brasileiro têm muitas faces, mas por trás de todas elas está o executivo de futebol Sérgio Papellin
Fortaleza, CE, 20 (AFI) – A campanha meteórica do Fortaleza da Série C para a Série A do Campeonato Brasileiro têm muitas faces, mas por trás de todas elas está o executivo de futebol Sérgio Papellin, considerado um herói para os torcedores e que provavelmente vai entrar para história no clube. Contratado em maio de 2017, ele já chegou de forma modesta para a sua terceira passagem pelo time cearense, mas a sua marca registrada sempre foram as declarações polêmicas.
Assim que chegou no Ceará, Papellin encontrou o Fortaleza na terceira divisão nacional e uma piada entre os rivais: “O Fortaleza vai morrer na Série C”. Já era oito anos naquela condição, batendo na trave por três temporadas consecutivas. Mas, logo na sua apresentação, o novo executivo de futebol tratou de deixar clara quais eram as suas pretensões: “Vai morrer na Série C é o caralho”. A frase de efeito mexeu com o elenco e caiu na boca do torcedor.
“Quando eu cheguei eu assumi um compromisso muito grande, porque na época o Fortaleza era muito gozado pelas outras torcidas, falando que o ‘Fortaleza vai morrer na Série C’ e eu logo na apresentação falei que o ‘Fortaleza vai morrer na Série C é o caralho’ e isso aí marcou. Tem até tatuagem de torcedor com essa frase”, lembrava Papellin, que hoje ri com a história. “Outro dia passou um caminhão com dois caras e gritaram isso pra mim”.
Mas é claro que em meio a toda a brincadeira, também teve muito trabalho sério. “A nossa meta principal na época era subir pra Série B, porque tinha uma pressão muito grande da torcida pelo acesso. Quando eu vim do Cuiabá pra cá eu reduzi o meu salário com a convicção que o Fortaleza iria subir”. Quando deixou o time do Centro-Oeste, Papellin alegou problemas pessoais: “Na época meus pais estavam mal de saúde, já estão vem velhinhos, mas hoje eles melhoraram, graças a Deus”, agradeceu o executivo de futebol.

SÉRIE C NUNCA MAIS!
Promessa feita é promessa cumprida. Na primeira fase da Série C o Fortaleza se classificou em terceiro lugar do Grupo A e fez o jogo do acesso diante do Tupi-MG. No primeiro jogo, com o Castelão completamente lotado, vitória por 2 a 0. Na volta, em uma partida muito difícil, o clube cearense conseguiu assegurar a derrota por 1 a 0 em Juiz de Fora e confirmou a vaga na Série B de 2018. Papellin tirava o clube da terceira divisão logo no seu primeiro ano – mais tarde o time perdeu a final para o CSA, mas nada que pudesse estragar a festa.
MUDANÇA DE RUMO
No início de 2018 veio uma nova reviravolta quando o Fortaleza contratou Rogério Ceni como técnico. Papellin conta que a história contou com uma ajudinha do preparador de goleiro Bosco, que trabalhou com o ex-jogador no São Paulo, e de Marcelo Paz, que na época era diretor de futebol e hoje é presidente do clube. Com o novo treinador, o clube conquistou a Série B do Campeonato Brasileiro e um acesso inacreditável para a primeira divisão.
“Trazer o Rogério Ceni foi um diferencial. Ele plantou o espírito vencedor que ele sempre teve, é um cara que é acostumado a ganhar títulos, e isso mexeu com os nossos jogadores”, relembrou o executivo de futebol. “A gente sabia que iria ser campeão na virada contra o Guarani em Campinas, que a gente saiu perdendo no primeiro tempo e conseguiu vencer. Ali mudou tudo, porque era um jogo muito difícil”. O Fortaleza venceu por 3 a 2 na 20ª rodada.
ROGÉRIO CENI: FORA DE REALIDADE
Talvez o grande responsável pelo sucesso do Fortaleza dentro de campo, a contratação do técnico Rogério Ceni teve de tudo: um dedinho do ex-goleiro Bosco, a chancela do diretor de futebol Marcelo Paz, que hoje é presidente, e até mesmo uma intuição de Sérgio Papellin, que tirou do papel o sonho de contratar um técnico ‘jovem e competente’.
“Quando a gente perdeu o (Antônio Calos) Zago para o Juventude, o Marcelo Paz ainda era diretor de futebol e a gente estava conversando aqui na minha sala. E eu falei pra ele: ‘o ideal era a gente encontrar um treinador jovem, um cara competente, que estivesse no começo de carreira’ e ele me falou: ‘tem o Rogério Ceni’, só que na mesma hora ele completou ‘mas é totalmente fora da nossa realidade”, contou Papellin.
Mas ele não parou por isso. Graças a sua intuição, o executivo de futebol achou que essa história ainda poderia render frutos: “O nome do Rogério Ceni não saia da minha cabeça e eu chamei o Bosco (na época preparador de goleiros), que jogou com o Rogério Ceni muito tempo, e perguntei se ele sabia quais eram os planos do Rogério. E o Bosco me respondeu que seria uma boa para o Rogério vir pra cá, que ele ainda não tinha nenhum proposta”, continuou.
“Só que logo de cara eu tentei ligar para o Rogério e ele não atendeu. Em seguida mandei uma mensagem, mas não me identifiquei, falei só que era dirigente do Fortaleza. À noite ele ligou para Bosco perguntando se ele tinha passado o contato dele pra alguém. E olha como é a vida, porque por coincidência o Rogério tinha um evento em Fortaleza no domingo, no SESI. A gente se reuniu com ele, na presença do presidente, e ficamos até uma hora da manhã conversando”.
Mas o ex-técnico do São Paulo tinha apenas uma ressalvar antes de continuar as negociações. “O Rogério gostou do projeto, mas antes de aceitar queria conhecer nossa estrutura e no dia seguinte ele veio até a PICI, e ele gostou do que viu. Pouco tempo depois o Marcelo Paz, que era diretor de futebol, assumiu como presidente do Fortaleza e passou a negociar direto com ele. Ali só faltava assinar o contrato”, relembrou Sérgio Papellin.

TURBULÊNCIAS E DE OLHO EM 2019
Campeão da Série B do Campeonato Brasileiro, o Fortaleza teve um início de 2018 turbulento, mas de acordo com o executivo de futebol isso nunca ameaçou o trabalho do técnico. “Logo depois do estadual (Campeonato Cearense), que a gente perdeu para o nosso maior rival, teve muita pressão da torcida, e até da imprensa, para demitir o Rogério, mas a gente nunca deixou isso abalar o nosso projeto. Desde o começo a gente já tinha conversado que ele iria até o final do ano e ganhar ou perder faz parte. No fim foi uma decisão muito acertada nossa, graças a Deus”.
“Para o ano que vem o Rogério já está mantido. Nosso primeiro objetivo é brigar pelo estadual e a Copa do Nordeste, chegar pelo menos na final dos dois. Aí, como nós vamos entrar direto na oitavas de final da Copa do Brasil, vamos tentar passar pelo menos mais uma fase, que já seria muito importante pra gente. No Campeonato Brasileiro a ideia inicial é se manter o maior tempo possível na primeira divisão, igual a Chapecoense, para o clube se estruturar”.
Só que Sérgio Papellin aproveitou também para ‘sonhar’ um pouco. “Se tudo der muito certo, quem sabe a gente não possa sonhar com uma vaga na Sul-Americana”, completou o executivo de futebol rindo, como não poderia ser diferente para uma pessoa tão bem humorada.
HUMILDE E PÉS NO CHÃO
Com 60 anos, Sérgio tem uma carreira muito vitoriosa no futebol. Ele começou no próprio Fortaleza, em 2004, e logo de cara ajudou o clube a conquistar o acesso para a Série A do Campeonato Brasileiro. Saiu em 2007, mas voltou em 2009 para o time cearense. Alternou trabalhos em América-RN e Luverdense até conquistar o acesso na Série C com o time mato-grossense. Foi trabalhar no Paysandu e novamente subiu na terceira divisão em 2014. Em 2015 por muito pouco não levou o time do Pará para a elite do futebol nacional
Depois ficou 1 ano e meio no Cuiabá, mas pediu demissão em meio de 2017 para voltar a Fortaleza, sua cidade natal, e ficar perto da família. Além de tantos acessos, o executivo de futebol também tem muitos títulos estaduais na carreira. Ao todo são sete, sendo que cinco são com o próprio Fortaleza, onde tem três passagens, um com o Remo e outro com o Luverdense.
Só que quando questionado pelo Futebol Interior qual é o ‘segredo’ de tantas conquista, Sérgio Papellin se mostrou um cara humilde: “Acho que o segredo é fazer as coisas direito, né?”, brincou, rindo, e logo na sequência continuou: “Se você não fizer as coisas direito você não consegue os resultados. Primeira coisa que eu faço ao chegar em um clube é criar um ambiente, com um bom relacionamento entre os jogadores e todo mundo do clube. Depois, pra ter sucesso, precisa montar uma comissão técnica competente. E por fim a montagem do grupo”.
“Mas tem que pagar rigorosamente em dia. Se você quer criar um bom ambiente de trabalho, você tem que pagar certinho, confiar na sua comissão técnica. O segredo é persistir no seu objetivo e traçar metas”, finalizou o executivo de futebol.





































































































































