Com pouco dinheiro pra contratar, Atlético-MG não terá vida fácil após saída de Kalil

O orçamento para o próximo ano prevê redução de22,5 milhões de 2014 para modestos R$ 2,5 milhões na verba destinada ao futebol profissional.

Daqui a uma semana, Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, deixará o cargo que ocupa desde outubro de 2008. E o Galo não terá vida fácil após a saída dele

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Belo Horizonte, MG, 27 – Daqui a uma semana, Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, deixará o cargo que ocupa desde outubro de 2008. Ele será sucedido no dia 3 de dezembro, quarta-feira, pelo atual vice-presidente, Daniel Nepomuceno, candidato único na eleição. Nos seis anos em que Kalil esteve no comando do clube, a torcida atleticana pôde soltar o grito de campeão em seis oportunidades. Foram três campeonatos estaduais e os títulos inéditos da Libertadores, Recopa Sul-Americana e agora Copa do Brasil.

No período, o Atlético-MG multiplicou suas receitas, que saltaram de R$ 66 milhões em 2009 para R$ 227 milhões em 2013, ano especialmente lucrativo para o clube, graças à conquista da Libertadores. As dívidas, porém, também se acumularam. Entre 2013 e 2014, o saldo devedor do Atlético junto ao governo Federal mais do que dobrou – pulou de R$ 120 milhões para R$ 272 milhões. Em agosto, foi feito um acordo com a Receita Federal para que a dívida seja saldada em 180 parcelas ou 15 anos.

Presidente que sucederá Kalil no comando do Galo não terá vida fácil

Presidente que sucederá Kalil no comando do Galo não terá vida fácil

O novo presidente do clube mineiro não terá vida fácil em 2015. O orçamento para o próximo ano, aprovado terça-feira pelo Conselho Deliberativo, prevê redução de aproximadamente 20% na verba destinada ao futebol profissional. Os valores reservados para contratação de jogadores serão duramente afetados. Caem de R$ 22,5 milhões de 2014 para modestos R$ 2,5 milhões na próxima temporada.

Para piorar a situação, o BMG, banco que estampa sua marca na camisa do Atlético-MG, optou por encerrar todos os contratos de patrocínio que mantém com clubes de futebol. Com a economia brasileira desacelerada, vários times da Série A, como Palmeiras, Santos e São Paulo, têm enfrentado dificuldades para atrair patrocinadores. O Atlético-MG terá mais esse problema para resolver.

Em entrevista à rádio Band News, Kalil sinalizou que a Caixa Econômica Federal pode ser a futura patrocinadora do clube. “Eu acho que está na hora de a Caixa Econômica Federal pegar o dinheiro do contribuinte e distribuir no futebol. Não é entregar o dinheiro que meia dúzia de diretor da Caixa acha que tem de entregar, para Flamengo e Corinthians. O dinheiro é meu, é seu, é de todo mundo. A Caixa é do povo. Acho que nós temos de ir lá conversar sobre a Caixa.”

A euforia pelo título da Copa do Brasil foi além do mérito esportivo. A premiação pela conquista, de cerca de R$ 3 milhões, era vista como fundamental para o clube tentar equilibrar as contas e acertar salários atrasados. O título também assegurou a presença da equipe na próxima edição da Libertadores, o que assegura também um aumento nas arrecadações de bilheteria e premiação. Mas, com o orçamento apertado para contratações, será difícil trazer reforços e montar um time competitivo para disputar o torneio. Segurar os principais jogadores será a proposta da nova administração.