Com dívidas, torcedor vende coleção de camisas do Sport e recebe ajuda de jogador

A história de Bruno Henrique de Santana comoveu muitas pessoas, incluindo o volante Marcão

A história de Bruno Henrique de Santana comoveu muitas pessoas, incluindo o volante Marcão

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Recife, PE, 15 (AFI) – Em meio à uma pandemia que tirou milhares de vidas pelo mundo, são as pequenas ações que merecem destaque. E uma delas aconteceu em Pernambuco. Um torcedor do Sport começou a se desfazer de sua coleção de camisas rubro-negras simplesmente para tentar sobreviver ao caos que está o país, não apenas pela doença, mas por toda a desigualdade social enfrentada e a falta de governo.

Não entraremos nos méritos de como o Brasil deveria ser governador ou de como deveria estar enfrentando a pandemia, e sim contaremos a história de Bruno Henrique de Santana, um motorista de aplicativo, que precisou colocar sua coleção de camisas à venda para conseguir o mínimo para alimentar sua família e quitar dívidas.

“Sou natural de Camaragibe, cidade localizada na região metropolitana de Recife. Meu nome é Bruno Henrique de Santana, 34 anos, casado. Sou motorista de aplicativo. Devido a um acidente, não posso exercer mais minha profissão de vigilante. Sofri 5 fraturas na perna direita, mas graças a Deus não precisei amputá-la.

Minha paixão pelo Sport vem desde criança. Minha família era toda tricolor (torcedores do Santa Cruz), mas chegou minha geração e toda ela rubro-negra (torcedores do Sport). Comecei a colecionar as camisas já na fase adulta, porque não tinha condição de comprar os produtos oficiais”, explicou Bruno, em entrevista exclusiva ao repórter Kim Belluco, do Portal Futebol Interior.

Em situação delicada, Bruno usou as redes sociais para conseguir vender sua coleção. Ele não esperava, porém, tanta repercussão e muito menos ajuda vinda dos próprios jogadores do Sport. O volante Marcão, logo que viu a publicação, pediu para o torcedor não se desfazer de suas camisas, pois iria ajudar. Carlinhos Bala, ídolo rubro-negro, também ficou de participar da ação.

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Surpreendido com a ação do atleta, Bruno cancelou as vendas, devolveu o dinheiro para as pessoas que já haviam feito o pagamento e ainda recebeu um presente de um outro torcedor, o único que já estava com uma das camisas em mãos.

“A maioria dessas camisas eu ganhei da minha irmã, mãe e esposa. Tem um valor sentimental. Vender foi uma decisão muito difícil para mim, mas a repercussão foi muito boa. Eu não esperava. Estou surpreso e muito emocionado. O Marcão ainda não entrou em contato (apenas através do Twitter), mas tenho certeza que fará, pois já participou de outras ações do tipo. O Ricardo de Sá Leitão Alencar Júnior (vice-presidente do Conselho Deliberativo) me ligou e também tem me ajudado bastante.

Antes deles entrarem em contato comigo, eu havia vendido quatro camisas. Devolvi o dinheiro de três e cancelei as vendas. Tinha a vinho, mas o torcedor acabou me devolvendo e ainda falou para eu ficar com o dinheiro. Estou muito feliz, sem palavras para descrever essa felicidade. O momento tem sido difícil. Estou devendo muito e tomar essa decisão não foi fácil. Deus tem me honrado e me abençoado de uma forma que não sei explicar”, concluiu

MARCÃO
O volante Marcão falou com a reportagem e não quis se pronunciar sobre o caso, pois entendeu que não é o momento de se promover em cima de uma boa ação. O jogador garantiu que irá ajudar o torcedor, se comoveu com a causa, mas quer falar apenas de seu desempenho com a camisa do Sport.

Marcão é o pivô dessa grande ação

Marcão é o pivô dessa grande ação

Marcão, 30 anos, começou a carreira no Nacional-MG e passou por Criciúma, Linense, Brasil de Pelotas, Botafogo-SP, Atlético-GO, Cuiabá, até chegar no Sport. Entre suas duas passagens pelo Leão, chegou a atuar pelo Emirates Club. Segundo o site Ogol, tem 60 jogos com a camisa do Leão e dois gols marcados.