Clodoaldo Dechichi: Esteira anti-gravidade chega ao futebol
O objetivo é recuperar os jogadores das lesões específicas da modalidade, bem como diminuir sobrecargas
Faltando poucos meses do início do maior evento futebolístico mundial, a tecnologia e os avanços científicos vêm surpreendendo a todos. O destaque agora é a “Esteira Anti-Gravidade” (Anti-Gravity Treadmill).
A Copa do Mundo de 2014 está bem próxima. Faltando poucos meses do início do maior evento futebolístico mundial, a tecnologia e os avanços científicos vêm surpreendendo a todos. O destaque agora é a “Esteira Anti-Gravidade” (Anti-Gravity Treadmill). Trata-se de um equipamento adaptado com alta tecnologia chegando ao futebol. O objetivo é recuperar os jogadores das lesões específicas da modalidade, bem como diminuir sobrecargas nas articulações e ainda, manter e recondicionar jogadores mesmo com músculos semi-fatigados.

Assim, aqueles jogadores com maiores índices de lesões da temporada poderão treinar com menor risco de incidências em ambiente de gravidade reduzida para membros inferiores, o que gera menos impacto e menos sobrecarga ósteos-musculares. Grandes clubes do futebol mundial como Arsenal, Manchester United e Chelsea já aderiram esta tecnologia e metodologia. No ano da Copa do Mundo no Brasil, as seleções poderão se beneficiar deste equipamento para preparar e manter seus atletas competitivos.
TECNOLOGIA VINDA DO ESPAÇO
O projeto tecnológico surgiu no Vale do Silício (Califórnia-EUA), especificamente com os cientistas da NASA. A proposta era analisar como os astronautas poderiam fazer exercícios físicos no espaço a fim de prevenir ou minimizar a perda óssea e a atrofia muscular devido ao efeito da falta de gravidade. Cientistas norte-americanos desenvolveram tecnologia da esteira adaptada utilizando a pressão diferencial do ar para imitar a gravidade da Terra. No espaço, a maior perda óssea e atrofia muscular ocorre na parte inferior do corpo.
Desenvolveu-se a hipótese de que a manutenção dos músculos esqueléticos no espaço requer carga funcional semelhante da Terra, exercitando ossos e músculos com exercícios e níveis de força.

Para possibilitar aos astronautas as atividades funcionais no espaço foi desenvolvida tecnologia da esteira em câmara pressurizada para membros inferiores próxima ao peso
corporal, o que permite melhor estabilização e segurança. A proposta foi usar a pressão
do ar para o efeito oposto, ou seja, adicionar peso para o corpo de um astronauta durante
exercício em esteira na baixa gravidade do espaço.
O efeito da gravidade da Terra pode causar estresse para os ossos e músculos de um
atleta, correndo ou simplesmente se movimentando. Uma significativa sobrecarga sobre ossos e músculos pode ocorrer durante as atividades verticais normais, como estar em
pé, andar, correr, saltar, pisar, etc. Essas diversas ações transmitem diferentes níveis de pressões ósteo-musculares, notadamente nos membros inferiores, pela função de sustentar o peso corporal.
Assim, a esteira desenvolvida para os astronautas no espaço foi readaptada para as pessoas na Terra, com a proposta de aliviar as sobrecargas nos músculos e ossos. O processo demorou vários anos até que por volta de 2007/2008 surgiu o primeiro protótipo e as primeiras máquinas foram instaladas nas proximidades de Portland, cidade situada no noroeste dos EUA, no estado de Oregon.
TECNOLOGIA DA NASA CHEGA AO FUTEBOL
A esteira usada pelos astronautas da Nasa, readaptada, agora está sendo usada na recuperação de lesões no futebol, na forma de reabilitação, por muitas equipes esportivas.
A metodologia é “correr sem gravidade”. À primeira vista pode parecer uma simples
esteira de academia. No entanto, segundo os especialistas, este aparelho é um dos maiores avanços para reabilitação após lesões esportivas.
É uma tecnologia em câmara pressurizada que permite aliviar a carga do peso corporal em até 80%. Com isso permite-se o ajuste exato da carga de trabalho para cada jogador, conduzindo ao trabalho personalizado e específico.
Um dos primeiros que investiram na esteira foi Alberto Salazar, ex-fundista norte-
americano, tricampeão da maratona de Nova York, um dos melhores fundistas do mundo em sua época. Perseguido por contusões, Salazar acreditou no projeto e foi responsável junto à Nike na formação e nos programas de treinamentos de novos atletas fundistas (Projeto de Pesquisa da Oregon Nike).
Em outros esportes como na NBA (National Basketball Association) – EUA, a esteira vem sendo comumente utilizada na recuperação de lesões, um avanço para a área médica, fisioterápica, departamento de fisiologia e da preparação física.
A máquina permite que o jogador se exercite mesmo ainda em recuperação de lesão, proporcionando a manutenção do condicionamento físico.
Esta tecnologia também é indicada para aquele jogador com histórico elevado em incidências de lesões em clubes de futebol. O treino se torna mais leve, com menos riscos, menos impacto e menor sobrecarga ósteo-muscular, e ainda, permite programar a prescrição de treino na relação intensidade, volume e freqüência de acordo com a condição fisiológica e capacidade aeróbia de momento do atleta.
O jogador se utiliza de uma bermuda de neoprene especifica, de modo que sua cintura se acopla à câmara pressurizada, um invólucro que circunda a parte inferior do corpo junto à plataforma da esteira adaptada. O sistema executa uma calibração, ajustando-se o tamanho e peso do jogador. Em seguida, determina-se a forma do treinamento de acordo com a velocidade, a inclinação e o percentual do peso corporal total de trabalho (10% a 80%) desejados.
O aparelho permite ajustes imediatos de cargas de trabalho. A máquina permite reduzir as sobrecargas nas articulações e músculos do atleta nos membros inferiores.

Assim, a Esteira Anti-Gravidade tornou-se uma ótima opção para que os atletas lesionados voltem aos gramados mais rapidamente antes do previsto, comparada às metodologias tradicionais, de forma segura.
Uma alternativa importante no tratamento de recuperação de atletas lesionados é o trabalho no meio-líquido. Concomitantemente, a máquina Anti-Gravidade tornou-se imprescindível, permitindo-se aliviar gradualmente a sobrecarga desejada, bem como proporcionar o gesto de movimento da corrida (biomecânica de corrida) do atleta específica da modalidade. Ao sair da esteira o atleta está mais próximo da recuperação absoluta. Dentro da máquina o jogador se sente leve e fora dela mais fortalecido muscularmente.
Num ambiente de sensação de gravidade reduzida o equipamento minimiza o peso do corpo, tornando-se assim, ideal para jogadores que tem elevada incidência de lesões, dores freqüentes nas articulações e nos músculos dos membros inferiores. Grandes clubes do futebol mundial já aderiram a esta nova tecnologia e metodologia. Arsenal, Manchester United e Chelsea são exemplos na Inglaterra.
O Brasil ainda se prepara para receber esta nova tecnologia às vésperas da Copa do Mundo. Os clubes brasileiros começam a ficar atentos para a possibilidade de ter o equipamento em suas academias. Uma tecnologia necessária chegando em momento oportuno ao futebol.
Afinal, estudo da temporada 2012 no tocante às incidências de lesões de seis importantes clubes paulistas mostrou um panorama de lesões em que 48,67% ocorreram nas ações dos jogos (sendo 30,60% destes nos últimos 15’ das partidas); 15,18% das lesões foram acusadas pelos jogadores após os jogos e 36,15% ocorreram nos treinamentos dos clubes durante os microciclos daquela temporada.
O mesmo estudo mostrou também o mapeamento das lesões: coxa (47,47%); tornozelo (14,46%); joelho (14,22%); adutor (7,23%); panturrilha (6,02%); púbis (2,89%); ombro (2,65%); lombar (1,69%); quadril (1,44%); cabeça (1,93%) (De Checchi, 2013).
A demanda de dois a três jogos por semana eleva os riscos de lesões com declínio do desempenho físico dos jogadores, em razão da fadiga e do prejuízo decorrente de enrijecimento e inflamação.
TECNOLOGIA NA PREVENÇÃO E NA RECUPERAÇÃO DAS LESÕES
Estudos científicos tem mostrado que a concentração de creatina quinase (CK) e a LDH
(lactato desidrogenase) aumentam imediatamente após um jogo de futebol, atingindo o pico 48 horas depois, podendo retornar a valores fisiológicos 96 horas pós-jogo.
A elevação dos níveis de CK e LDH caracteriza evidência indireta de microtrauma muscular. Os níveis de CK plasmática permanecem elevados por vários dias pós exercícios de esforços. A creatina quinase é vista como o mais indicado marcador de severidade e intensidade do exercício.
Dessa forma, um jogo de futebol induz resposta inflamatória transitória, bem como declínio do desempenho anaeróbio nas 72 horas pós-jogo, podendo chegar a até 96 horas ou mais para alguns casos. Esses resultados indicam claramente a necessidade de uma recuperação completa (total) dos jogadores após um jogo entre as sessões de treinamento.
Nesse contexto, o equipamento “Esteira Anti-Gravidade” vem auxiliar de maneira
significativa, de forma precisa e fundamental na recuperação dos jogadores,principalmente naquelas condições em que os atletas apresentam músculos fatigados ou em estado de “semi-fadiga”. O equipamento ajuda tanto na prevenção de novas lesões como também no tratamento dos jogadores que ainda se encontram na fase de recuperação de um processo lesional (fase de transição).
Os melhores atletas do mundo e equipes esportivas consideram a esteira Anti-Gravidade uma ferramenta inovadora para treinamentos que está mudando a concepção da preparação física no esporte, notadamente o futebol, permitindo ajustes precisos na prescrição de treinos personalizados.
O equipamento Anti-Gravidade permite menor sobrecarga aos atletas e potencial significativo de melhora na recuperação dos membros inferiores pós-cirurgia. Pesquisas
apontam a esteira Anti-Gravidade como aparelho benéfico devido à menor pressão positiva do corpo, auxiliando na redução das forças nos membros inferiores, permitindo que o atleta se reabilite ao realizar exercícios com cargas controladas e programadas na caminhada e corrida.
A Esteira Anti-Gravidade é sucesso de uso nas academias de Nova York e por todos os Estados Unidos. Está sendo muito aguardada sua chegada pelos clubes do futebol brasileiro e também pelas academias e fitness do Brasil, com objetivos de treinamento de alto rendimento para modalidades específicas, amadoras, na melhoria da saúde cardiovascular, na melhoria da capacidade aeróbia, na prevenção e recuperação de lesões, no recondicionamento atlético.
Indicada também no tratamento da obesidade e sobrepeso, nos exercícios para idosos, na reabilitação funcional ortopédica, na reabilitação da marcha natural, na amplitude de
movimento e melhora dos resultados, no retreinamento proprioceptivo e neuromuscular,
na reabilitação após lesão ou cirurgia dos membros inferiores, na reabilitação articular.
Referências Bibliográficas
– Alter G. Anti-Gravity Treadmill. <http://www.alterg.com> Acesso em 01/08/2013.
– Anti-Gravity_Treadmill. <http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-Gravity_Treadmill>. Acesso em 05/08/2013.
– Anti-Gravity Esteira Velocidades de Reabilitação . NASA Spinoff. <http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-
Gravity_Treadmill> Acesso em 11/08/2013.
– Centro Médico abre campo de treinamento. Arquivo de Notícias. News. Arsenal, 17/10/2011. < http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-Gravity_Treadmill> Acesso em 10/08/2013.
-Controle estatístico de lesões virou imprescindível no futebol. <http://www.futebolinterior.com.br/news/252943+Clodoaldo_Dechichi_Controle_estatistico_de_lesoes_virou_imprescindivel>. Acesso em 12/08/2013.
– Channel youtube < https://www.youtube.com/user/cdechecchi.>. Esteira Anti-Gravidade chega ao futebol. <http://www.youtube.com/watch?v=zr5Sk7NSza4&feature=c4o-verview&list=UUB55Q1_uYmZk6SjTdWYdHPA>. Acesso em 23/08/2013.
– HealthWatch. Escada rolante Anti-Gravity. CBS New York, 16/09/2011. <http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-
Gravity_Treadmill> Acesso em 15/08/2013.
– Ispirilids, I. ET al. Time-course of changes in inflammatory and performance responses following a soccer game. Clin. J. Sport Med., v. 18, n.5, p. 423-31, 2008.
– McHugh. M. P. Recent advances in the understanding of the repeated bout effect the protective effect against muscle damage from a single bout of eccentric exercise. Scand. J. Med. Sci. Sports., v. 13, p. 88-97, 2003.
– Mougios, V. Reference intervals for serum creatine kinase in athletes. Br. J. Sports., v. 41, p. 674-8, 2007.
– Simonson, Shawn; Jane Shimon, Elaine Longo, Brooke Lester. Programa de caminhada para a obesidade. <http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-Gravity_Treadmill>. Acesso em 05/08/2013.
-Shuler, Karen. Estudo de Caso: atrofia cerebelar. <http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-Gravity_Treadmill>. Acesso em 05/08/2013.
– Wenger, Renee. Estudo de Caso: acidente vascular cerebral/THA. <http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-Gravity_Treadmill> Acesso em 05/08/2013.





































































































































