Cilinho, trabalho no pré-jogo e durante como poucos

Cilinho, trabalho no pré-jogo e durante como poucos

Cilinho, trabalho no pré-jogo e durante como poucos

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Enfim, uma sexta-feira de nove horas voltadas aos gramados.

Como assim? O futebol não está em recesso? Não estamos em quarentena por causa do coronavírus?

Sim. Mas foram seis horas suando a camisa como jardineiro, arrancando pragas de gramado e adubando-o, durante a luz do dia.

À noite, troco a vida de ‘peão’ pela de jornalista.

Topo entrevista para alunos de jornalismo da Faculdade Gasper Líbero de São Paulo, que preparam TCC, espécie de documentário de conclusão do curso.

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Evidente que está fora de cotação reprodução do longo texto de respostas, mas a entrevista me fez lembrar o quão o saudoso treinador Cilinho (foto) foi diferenciado, provavelmente inigualável, a começar pela coragem de recusar convite para dirigir a Seleção Brasileira.

Cilinho tinha capacidade para definir o melhor posicionamento do atleta em campo, convicto que teria ganho em rendimento. E tinha, por vezes, até com mudança de posição.

Ele trabalhava com excelência o pré-jogo. E quando a bola rolava, bastavam cinco minutos para que tivesse radiografia perfeita do cenário.

Como sabia trabalhar o emocional dos atletas, foi tido até como folclórico. Exemplo: em véspera de jogo, os levou para assistirem espetáculo circense.

Cilinho foi tão singular que aparentava nervosismo à beira do gramado, mas por saber que a capacidade de concentração era imprescindível, se controlava.

Hoje são raros os treinadores com pleno domínio às mexidas das peças do xadrez quando a bola rola, na maioria das vezes por causa do nervosismo,.

Aqueles flagrados a berros contínuos aos seus jogadores, preocupados excessivamente com cada decisão da arbitragem, certamente não têm capacidade adequada de concentração. Logo, se perdem ao longo de partidas.

Portanto, espera-se de treinadores algo além de trabalhar bem o pré-jogo, analisar detalhes do adversário, e definição do melhor esquema.

Como nem sempre as coisas ocorrerem conforme o previsto, é aí que se cobra perícia do profissional para recriar outras situações, até mesmo sem recorrer às substituições.