Cilinho já descansa em sua casa; histórias sobre ele são infindáveis
Ex-treinador recebeu alta hospitalar
Cilinho já descansa em sua casa; histórias sobre ele são infindáveis
Há 22 anos o saudoso conselheiro pontepretano Carlos de Carvalho, conhecido na roda de amigos como Carlão Perna de Pau, convidou-me para almoço que seria preparado pelo cozinheiro Cilinho.
Cozinheiro porque Cilinho fez questão de preparar saborosa dobradinha em sua antiga residência na Rua Antonio Lapa, bairro Cambuí.
Claro que produzi especialíssima matéria para o também saudoso jornal Diário do Povo, quando, entre tantas inovações, Cilinho disse-me que iria abolir cruzamentos, pois entendia que bola alçada favorece quem se defende, na maioria das vezes.

A exigência para laterais ou quem caísse pelas beiradas do campo seria optar pelo passe, no entendimento dele uma jogada mais consistente.
Treinadorzada das seleções que integraram a Copa do Mundo da Rússia pediram e a boleirada executou a maioria de passes quando a bola chegava no prolongamento da grande área adversária.
À época Cilinho já havia se reciclado. Nos anos 70, na Ponte, quando dispunha de um zagueiro com estatura superior a 1,90m de altura, como Marcão, o transformou em centroavante exatamente para que fosse explorado no jogo aéreo. E deu certo.
ALTA HOSPITALAR
Pois esse Cilinho que recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira, após três meses de internação hospitalar no Hospital da PUC-Campinas, sempre esteve à frente da bola.
Enquanto recuperava do AVC (acidente vascular cerebral), também recebia assistência de sua filha médica.
Uma semana antes do Carnaval do ano passado liguei para Cilinho visando ‘resenharmos’ sobre futebol, mas ele estava de malas prontas para o Rio de Janeiro, com missão de também ultimar os preparativos de sua Escola de Samba Salgueiro, a convite dos diretores.
De lá pra cá perdemos o contato, mas não as histórias.
SUBSTITUIÇÕES OUSADAS
Que treinador, em são consciência, sacaria um quarto-zagueiro para colocar em campo mais um centroavante em um dérbi campineiro, no time pontepretano?
Pois corajosamente Cilinho trocou Araújo por Nelson Oliveira, que se juntou a Manfrini, e seu time não perdeu o jogo.
O treinador Nelsinho Baptista, conhecido em 1970 apenas por Nelson, lateral-direito marcador,deu lugar a um ponteiro-direito durante o transcorrer de uma partida da Ponte.
O que fez Cilinho? Sacou Nelson e colocou em campo o ponteiro-direito Vicente para o time ganhar força ofensiva, sem risco de deixar o setor descoberto. O zagueiro Samuel era incumbido de cobertura no setor.
O arranjo ofensivo deu-se com o ponteiro-direito Alan juntando-se ao meia-direita Dicá e o centroavante Manfrini.
A ousadia de Cilinho só não surpreendia o seu amigo de infância e diretor de futebol da Ponte à época, Peri Chaib.
“Bastam cinco minutos de bola rolando para ele ter pleno domínio sobre as peças do xadrez”, confessou.
Ambos frequentaram o Mercadão e estiveram juntos no clube varzeano Gazeta Esportiva, onde o mestre iniciou o processo de aprendizagem como treinador.
SÃO PAULO
Dali para o juvenil da Ponte Preta Cilinho comprovou o ‘olho clínico’ para selecionar garotos nos treinos-peneiras e teve carreira ascendente, com ápice no São Paulo, quando pediu paciência para montagem da equipe, a qualificou e a levou ao título paulista de 1985.
O que Cilinho ainda precisa revelar são os motivos que o levaram a recusar convite dos saudosos cardeais da CBF, Otávio Pinto Guimarães e Nabi Chedid – presidente e vice -, para dirigir a Seleção Brasileira.
Pelas incontáveis histórias no futebol – até de inconsequentes agressões a árbitros – torcemos pela plena recuperação de Cilinho, que descansa em um dos condomínios do distrito de Sousa.





































































































































