Čeferin aceita pedido das federações e buscará último mandato na UEFA

Presidente da UEFA havia decidido não se recandidatar, mas reconsiderou após solicitação das federações; entidade também defende mudanças na governança da FIFA.

Berlim, Alemanha, 8 (AFI) – Aleksander Čeferin decidiu voltar atrás na decisão de não buscar um novo mandato e confirmou que será candidato à presidência da UEFA após 2027. O atual presidente da entidade aceitou um pedido unânime das 55 federações-membro, que haviam solicitado que ele reconsiderasse a decisão.

O anúncio foi feito durante uma reunião em Berlim, nesta quinta-feira (8), com a presença dos presidentes e secretários-gerais das federações filiadas à UEFA. Čeferin informou que pretende disputar um último mandato no 51º Congresso Ordinário da entidade, marcado para 22 de abril de 2027, em Astana, no Cazaquistão.

ČEFERIN MUDA DE DECISÃO SOBRE FUTURO NA UEFA

Čeferin havia indicado anteriormente que não pretendia permanecer no comando da UEFA depois de 2027. Nos últimos meses, porém, as federações europeias passaram a pressionar pela continuidade do dirigente, que recebeu manifestações de apoio de diferentes setores do futebol do continente.

Após aceitar o pedido, o presidente afirmou que ainda considera haver trabalho importante a ser realizado na organização e destacou a necessidade de manter a unidade do futebol europeu.

“Quero agradecer às federações-membro pela confiança. Enfrentámos desafios extraordinários nos últimos anos e superámo-los como equipa. Ainda há um trabalho importante pela frente e, por isso, aceitei o seu pedido”, declarou Čeferin.

O dirigente também afirmou que pretende fortalecer o futebol europeu e preparar a UEFA para as próximas gerações. Na declaração, agradeceu ainda à família pelo apoio à decisão de continuar na presidência.

UEFA DEFENDE MUDANÇAS NA FIFA

A reunião em Berlim não tratou apenas do futuro da UEFA. A governança e a liderança da FIFA também estiveram no centro das discussões entre as federações europeias.

Segundo o comunicado, a UEFA e suas federações-membro chegaram a um entendimento sobre uma agenda de reformas para a FIFA. A Federação de Futebol do Azerbaijão foi a única das 55 associações a não participar desse acordo.

As federações afirmaram ter perdido a confiança na atual liderança da FIFA e defenderam que mudanças institucionais sejam acompanhadas por uma nova liderança na entidade máxima do futebol mundial.

O grupo defende um dirigente capaz de unir diferentes regiões do futebol, com experiência, visão, credibilidade e compromisso com desenvolvimento, reforma, integridade e independência.

PROPOSTA PREVÊ SEPARAÇÃO DE PODERES

Entre as propostas apresentadas está uma divisão mais clara das responsabilidades entre Congresso, Conselho, Gabinete, presidente e secretário-geral da FIFA. O documento defende que nenhum desses atores possa se sobrepor às competências dos demais.

A proposta também prevê um Gabinete com poderes executivos definidos e um Conselho da FIFA fortalecido, responsável por estabelecer diretrizes, envolver diferentes setores do futebol e participar da elaboração de decisões importantes.

Outra mudança sugerida é uma redefinição das funções do presidente. Pela proposta, o cargo teria foco na liderança institucional, na presidência do Conselho e na representação global da FIFA, sem exercer funções de gestão administrativa.

O secretário-geral, por sua vez, seria responsável pela administração da entidade, com nomeação e supervisão do Gabinete e atuação sob a orientação do Conselho.

FEDERAÇÕES QUEREM MAIS CONTROLE SOBRE DECISÕES

O plano também propõe alterações no processo de tomada de decisões. Entre elas está o fortalecimento das estruturas de ética, disciplina, auditoria e conformidade, com proteção contra interferências da presidência ou do Executivo da FIFA.

As federações também defendem que mudanças no Calendário Internacional de Jogos e nas competições da FIFA não possam ser determinadas unilateralmente. Pela proposta, novas competições ou alterações nas já existentes dependeriam da unanimidade do Gabinete.

Outro ponto prevê que um número definido de federações-membro possa solicitar a inclusão de determinados temas na agenda do Conselho da FIFA.

O processo para decisões consideradas fundamentais também seria padronizado em quatro etapas: consulta, análise pelo Gabinete, avaliação pelo Conselho e decisão final.

FIFA FORWARD E DISTRIBUIÇÃO DE RECURSOS

O documento apresentado em Berlim também trata da distribuição dos recursos destinados ao desenvolvimento do futebol. A proposta estabelece que cada federação-membro defina suas necessidades junto à respectiva confederação, enquanto a FIFA forneceria o financiamento e as confederações apoiariam a execução.

As federações consideradas em conformidade também teriam direito protegido às futuras parcelas do programa FIFA Forward, com um mecanismo de distribuição transparente e protegido de interferências políticas.

O plano ainda propõe uma política formal para determinar o nível, os investimentos e a utilização das reservas financeiras da FIFA.

Além dos recursos do FIFA Forward, as propostas defendem um financiamento adicional de pelo menos US$ 10 milhões para cada federação-membro.

RECURSOS DA FIFA NÃO PODERIAM SER USADOS EM DISPUTAS ELEITORAIS

Outro princípio apresentado pelas federações é a proibição do uso de recursos da FIFA para fins pessoais ou eleitorais. A ideia faz parte da proposta de reforçar mecanismos de controle e responsabilização dentro da entidade.

Os debates sobre a reforma da FIFA e sobre o futuro da liderança da organização continuarão nas federações da UEFA e também em diálogo com associações de outras regiões do futebol mundial.

NOVA REUNIÃO SERÁ REALIZADA EM NOVEMBRO

As 55 federações-membro da UEFA deverão realizar uma nova reunião até 17 de novembro de 2026. O encontro deverá dar continuidade às discussões sobre as propostas apresentadas em Berlim e sobre os próximos passos para a reforma da FIFA.

Enquanto isso, Aleksander Čeferin já confirmou sua intenção de permanecer no comando da UEFA além de 2027. A candidatura será formalizada no Congresso Ordinário marcado para abril do próximo ano, em Astana.