CBF perde na Justiça e pode pagar R$ 10 milhões ao Cianorte-PR
A punição é referente a não inclusão do clube paranaense na Série C desta temporada
O Cianorte-PR conquistou o direito de receber uma indenização de até R$ 10 milhões da CBF, em julgamento realizado pelo Tribunal de Justiça do Paraná.
Rio de Janeiro, RJ, 17 (AFI) – A CBF sofreu uma derrota nos tribunais que pode abrir um precedente para a entidade ter um grande desfalque financeiro. O Cianorte-PR conquistou o direito de receber uma indenização de até R$ 10 milhões da entidade, em julgamento realizado pelo Tribunal de Justiça do Paraná.
A punição é referente a não inclusão do clube paranaense na Série C desta temporada. Para chegar ao montante, a diretoria do time calculou o prejuízo que teve com pagamento do elenco, perda de patrocínio e outros gastos adicionais por ter ficado fora da Série C e não ter um calendário no segundo semestre de 2014.
Os dirigentes do Cianorte mostraram-se satisfeitos com a decisão do Tribunal, mas evitam cantar vitória antes do tempo. A decisão ainda cabe recurso e deve ganhar ainda novos capítulos, embora a batalha jurídica já se arraste desde a temporada 2013.
O Ipatinga foi rebaixado na Série C através do tapetão, em fevereiro deste ano. A CBF acatou uma decisão da Fifa, que determinou a retirada de seis pontos clube, que na época ainda chamava-se Betim, por causa de uma dívida com o Nacional da Madeira, de Portugal, numa transferência antiga do lateral Luizinho.
Com o decreto do rebaixamento do clube mineiro, a vaga aberta na Série C passou a ser disputada por quatro clubes: Brasiliense, Crac e Tiradentes-CE, além do Cianorte-PR. Cada um apresentou um argumento, mas quem acabou mantido na Série C foi o Crac, que acabaria rebaixado neste ano de novo.
Como Brasiliense e Tiradentes também foram “prejudicados”, assim como o Cianorte, também poderiam pleitear uma indenização. O precedente aberto com a decisão favorável na Justiça paranaense pode causar um grande desfalque aos cofres da CBF.
RELEMBRE O CASO
Em meados de fevereiro, o diretor de competições da CBF, Virgílio Elísio, assinou um documento, que foi publicado no site da entidade, comunicando o rebaixamento do Ipatinga. Na carta , o dirigente afirmava estar cumprindo uma determinação do STJD e que, nos próximos dias, publicaria o nome do substituto e os critérios para a substituição, o que não aconteceu. .
Esta foi apenas a ponta do iceberg de toda a confusão que tomou conta da Série C desde o ano passado. Com a queda do Ipatinga, o Crac, rebaixado em campo, pleiteou sua permanência. O mesmo aconteceu com o Tiradentes, que foi o quinto colocado na Série D do mesmo ano.
No entanto, as confusões não pararam por aí. É que o Cianorte também entrou como interessado na vaga na Série C. Em meados de janeiro, o clube paranaense conseguiu uma liminar na Justiça Comum para disputar a competição em 2014. Para tanto, contestou a política de acessos “confusa” da CBF.
Quem também entrou batalha na Justiça para evitar a queda foi o Brasiliense. O time do senador cassado Luiz Estevão foi o terceiro rebaixado no Grupo A da Série C de 2013, acima de Baraúnas-RN. Neste caso, o Jacaré contestou a mudança de regulamento em 2013. Por conta da entrada do Treze via tapetão, foram rebaixados três e não dois times no Grupo A, como previa o regulamento.
Os times se aproveitam do precedente aberto pela CBF ao confirmar Treze e Rio Branco-AC na disputa da Série C em 2013. Ambos times entraram pela porta dos fundos, por meio de liminares na Justiça Comum. O caso até foi parar no Superior Tribunal de Justiça (STF).
O ministro Luiz Fux determinou uma edição com 21 clubes, o que deveria se repetir neste ano, já que o Estatuto do Torcedor afirma que a fórmula de disputa de um torneio só pode ser alterado depois de dois anos de disputa.
CASO IPATINGA
O Ipatinga, que virou Betim em 2013, fazia um campeonato regular, quando recebeu a notícia de que havia sido punido pela Fifa, com a perda de seis pontos, por causa de uma dívida com o Nacional da Madeira, de Portugal, numa transferência antiga do lateral Luizinho. Imediatamente o clube recorreu à Justiça Comum, onde conseguiu liminar que o protegia de qualquer punição.
A atitude constrangeu a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que apesar da força política interna não tinha poderes para mudar uma decisão como esta. Por isso, a entidade seguiu quieta nos bastidores e encontrou uma nova dívida dos mineiros, só que com o The Strongest, da Bolívia – transação envolveu o atacante Pablo Escobar. E, desta vez, no calar da noite o Betim foi comunicado de que não poderia disputar a fase final da Terceira Divisão Nacional.
Com a decisão, quem disputaria o acesso na vaga do Betim era o Mogi Mirim, quinto colocado durante a primeira fase. Porém, horas antes de os paulistas entrarem em campo contra o Santo Cruz, uma nova liminar do clube mineiro fez com que o duelo fosse cancelado. Dias depois o Tigre de Minas voltou a competição, só que com justiça foi eliminado pelos pernambucanos, que retornaram à Série B de 2014.





































































































































