Causos do Interior, por Fauzi Kanso: José Duarte, o amado!

Qual o torcedor de futebol no Estado de São Paulo não conheceu ou ouviu falar de José Duarte, carinhosamente chamado de “Seo Zé”. Pois é. O seu Zé com muito entusiásmo e competência, dirigiu Ze 0009 130vários times: Guarani; Ponte Preta; Comercial, de Ribeirão Preto; XV de Jaú, Saad Esporte Clube, de São Caetano do Sul; Santos, Cruzeiro, Atlético Paranaense, Fluminense, Bahia , e Internacional, de Porto Alegre. Talvez tenha havido mais algum que eu não me lembro. Ah., sim: o seu time predileto: o GAZETA.

Seu Zé foi campeão pela Ponte Preta, INVICTO, em 1.969, na Primeira Divisão de Futebol. Nessa esquadra pontepretana jogavam: Wilson, Piveti, Nelsinho, Samuel, Teodoro, Alan, Dicá, Djair, Adilson, Waldir, Maurício, Dagoberto, Ézio, Geraldo Spana, Santos, Joãozinho, Araujo, Luizinho, Roberto Pinto, Zezinho, Ailton, Manfrini, Antônio Carlos.

Na comissão técnica além de Zé Duarte, havia o preparador físico Mauro Mantedioca, o Maurinho; Ilzo Nery, auxiliar técnico; Hélio Santos, massagista. O grande diretor de futebol , que sabia tudo de futebol, foi Pery Chaib.

Em 1995, Zé Duarte aceitou o desafio de dirigir a Seleção Brasileira de Futebol Feminino, conquistando o vice-campeonato do Torneio Internacional de Campinas com goleada sobre a Ucrânia, por sete a zero; Rússia, por quatro a zero e um empate contra os Estados Unidos.

Foi semifinalista Olímpico em Atlanta, eliminando a portentosa Alemanha e o Japão na primeira fase. Foram treinadas e preparadas por ele: Sissi, Kátia, Cilene, Simone Jatobá, Marisa, Elsi, Maravilha, Juliana Cabral, Tânia Maria, Formiga, Melissa, Elaine, Graziele, Karem, Michele, Carol e Emily. O futebol feminino existe e é forte por causa dele, José Duarte.

No futebol, centenas de jogadores começaram suas carreiras pelas mãos do “seu Zé”. Alguns deles foram: Careca, Zenon, Dicá, Almeida, Polozzi, Marco Aurélio, Ailton Lira, Oscar, Júlio Cesar, João Paulo, Sérgio Gomes…

Bom, prá falar a verdade, se tiver que escrever tudo sobre o Zé Duarte, que faleceu em 23 de julho de 2004 eu necessitaria de pelos menos umas quatro colunas mas, com este resumo, desejo homenagear a sua filha pontepretana, CLÁUDIA DUARTE, psicóloga formada pela PUC.

Claudinha, quero que saiba que eu fui grande amigo de seu pai, e o que mais me chamava a atenção nele era a sua retidão de caráter, exemplo de profissional dígno e honestidade. Seu pai, Cláudia, usava muito da psicologia para manter o grupo de jogadores sempre unido. Talvez tenha sido este o motivo de você ser uma ótima psicóloga. Parabéns pelo pai maravilhoso. Parabéns pela abnegação ao trabalho, que seu pai tinha muito e, muito obrigado por ser nossa leitora.

FAUZI, VOCÊ QUER ME DERRUBAR ?
Eu fui muito amigo do Zé Duarte, só que no rádio eu tinha que fazer o melhor para, cada vez mais, aumentar a audiência. Num sábado à tarde, o Guarani perdeu para o Juventus, na Rua Javari. Entrevistei o seo Zé e perguntei:

O que o técnico atribui a derrota ?
E ele responde:
“O campo do Juventus é muito pequeno e isso atrapalhou muito…”
Em seguida retruquei:
Mas seo Zé, no Brinco de Ouro não têm as traves móveis ?

Sabendo que ia jogar aqui na Javarí, por que o senhor não usou nos treinamentos as traves, diminuindo o tamanho do campo do Guarani ? O seo Zé Duarte que era muito educado, disfarçou e saiu sem responder a pergunda maldosa. Já em Campinas, na segunda feira, dentro da Óptica Cúrcio, onde ele experimentava um novo par de óculos, me viu passar e gritou:

“Ô Fauzi, preciso falar com você!”.
Voltei, e ele já foi falando:
“Qual é a tua, Fauzi. Tá querendo me derrubar ?”
Por que seo Zé ?.
“A pergunta que você me fez lá na Javarí foi prá me derrubar, pô!”

Ze 0011 130Depois, falamos de futebol, de política, ouvimos piadas do Cúrcio e tomamos café no Bar do Chico. O tempo passou… eu me enveredei na vida empresarial. O Zé Duarte continuou sua sina de “ensinar” futebol , muito mais por amor que por dinheiro. O tempo continuou passando… e depois de décadas, coisa do destino, nos encontramos no mesmo lugar: Óptica Cúrcio.

Notei que ele já estava cansado, diria até meio desanimado com o “vil metal” que estava tomando conta do futebol… Enquanto falávamos, ele experimentava talvez o seu último par de óculos, um de lente quase avermelhadas… Sim, amigos. Foi ali, na Óptica Cúrcio, na Avenida Andrade Neves, por volta das nove horas da manhã, que sem saber, eu apertei pela última vez a mão do mais querido técnico de futebol do Brasil, JOSÉ DUARTE.

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