Casa, comida e roupa lavada... Guarani faz exigências e propõe parceria para liberar Brinco à Maxion
Bugre exige a construção de uma nova arena, um novo clube social, um novo CT e R$ 30 milhões em patrocínios
O presidente do Guarani, Horley Senna, formulou uma lista de exigências à Maxion com itens que considera "mínimos" para o Bugre seguir sua vida sem o Brinco de Ouro.
Campinas, SP, 06 (AFI) – Casa, comida e roupa lavada. O Guarani entregou, em reunião na noite desta terça-feira, uma lista de exigências que soa quase como um “casamento”. O presidente Horley Senna formulou uma proposta com itens que considera “mínimos” para o Bugre seguir sua vida sem o Brinco de Ouro. O documento foi entregue a representantes da empresa Maxion Empreendimentos Imobiliários, que arrematou o estádio por R$ 105 milhões, em leilão realizado no dia 30 de março.
A lista apresentada pelo clube campineiro, contudo, deve custar caro aos cofres do Grupo Zaffari, do qual faz parte a Maxion. Isso porque o time alviverde exige a construção de uma nova arena com capacidade para 20 mil lugares (que custaria algo em torno de R$ 150 milhões), um novo clube social e um novo CT.
Outro ponto da lista de exigências do Guarani é um acordo de patrocínio. Nesta possível parceria, o time deseja receber um valor mensal de R$ 500 mil pelo período de cinco anos. Ao final, destes 60 meses, a empresa pagaria 30 milhões em patrocínio.
O prazo para que os representantes da Maxion deem um parecer é de uma semana. A empresa apresentará uma contraproposta na próxima terça-feira (12 de maio), quando as duas partes voltam a se encontrar em reunião mediada pela juíza Ana Cláudia Torres Vianna, da Justiça do Trabalho.
Caso seja feito um acordo entre as duas partes, o Bugre desistiria de manter seu pedido de embargos de arrematação. Desta forma, a empresa evitaria uma batalha jurídica pelo terreno do Brinco de Ouro, e teria facilitada todos os trâmites para o início da construção do empreendimento.
Se a oferta do Bugre for aceita, a Maxion colocaria um dinheiro superior ao que a Magnum ofereceu. Parceira do clube até o final da disputa do Paulista da Série A2, a empresa do ramo de relógios estava disposta a pagar R$ 81 milhões pelo Brinco.
Seriam R$ 60 milhões para quitar as dívidas trabalhistas em execução e outros R$ 21 milhões na forma de patrocínio. Este valor seria diluído em 60 meses, o que daria R$ 360 mil mensais. A Magnum, contudo, não deu garantias de construção de uma arena e também assinou contrato algum. O fato de o grupo exigir o cancelamento do leilão fez a Justiça do Trabalho rechaçar a proposta.
MAIS DO LEILÃO
No dia 30 de março, a Justiça do Trabalho aceitou a oferta da Maxion, que se dispôs a pagar 30% do valor total à vista – algo em torno de R$ 31,5 milhões. O restante será pago em 12 parcelas de R$ 6,1 milhões. Antes do leilão, a juíza Ana Claudia Torres Vianna declarou que não aceitaria menos que R$ 126 milhões, valor mínimo imposto para que o leilão ocorresse. Porém, a Maxion foi única empresa a fazer uma oferta.
O terreno do estádio – a área tem em torno de 80 mil metros quadrados, localizado na região nobre da cidade, no bairro Jardim Proença -, está em penhorado desde 2011 por dívidas que, na época, ultrapassavam os R$ 50 milhões com a Justiça do Trabalho. Hoje, somente as dívidas trabalhistas executadas já chegam a R$ 70 milhões. Estima-se que a dívida total do clube gira já supere os R$ 250 milhões.
No último dia 18 de março, três empresas ofertaram muito abaixo do valor mínimo estipulado pela Justiça e, por isso, a juíza Ana Claudia Torres Vianna recusou. Na época, o Grupo Magnum, parceira do Guarani no início do ano, ofereceu “apenas” R$ 55 milhões, enquanto um grupo de empresários de Jaboticabal ofertou menos ainda, R$ 45 milhões. A Lances Negócios Imobiliários foi a empresa que tinha feito a maior oferta, que girava em torno de R$ 60 milhões.
Agora, a empresa Maxion Empreendimentos Imobiliários deve utilizar o terreno do Brinco de Ouro para a construção de algo adequado as necessidades de Campinas. O grupo ainda conversará com a Prefeitura para uma definição, já que a decisão tomada pela juíza Ana Claudia Torres Vianna não tem validade imediata. A diretoria do Guarani disse que irá recorrer à Justiça para que o leilão seja anulado.
O poder público tem mostrado disposição para auxiliar o Bugre no caso. Como o município detém duas das cinco matrículas do Brinco, promete embargar o leilão caso haja prejuízos ao clube. A Câmara dos Vereadores também criou uma comissão para acompanhar o caso de perto.
No início do mês, a Justiça do Trabalho recusou uma oferta do Grupo Sena, que pretendia pagar R$ 220 milhões pelo terreno do Brinco. Valor duas vezes maior que a oferta a arrematação da Maxion. O problema é que, para depositar o dinheiro, a empresa exigia que a Prefeitura liberasse as duas matrículas pertencentes ao município.





































































































































